problema recorrente

Buracos geram danos e transtornos na Capital

A Prefeitura diz que as ruas e bairros citados nesta matéria receberão serviços de recuperação até o fim deste mês

01:00 · 15.01.2018 por Patrício Lima - Repórter
Em algumas ruas da Cidade dos Funcionários, a exemplo do que acontece em outros locais, os buracos prejudicam a vida dos condutores ( FOTO: REINALDO JORGE )

Antes mesmo do início quadra chuvosa (fevereiro a maio), período de maior precipitações durante o ano em Fortaleza, os buracos nas ruas e avenidas da Capital continuam sendo um problema recorrente para a população. Além de causar danos estruturais aos meios de transporte, o transtorno aumenta também o risco de acidentes e proliferação de doenças como dengue, zika e chikungunya pelo acúmulo de água parada, em alguns casos. Segundo especialistas, a falta de manutenção e o uso de materiais de baixa qualidade podem justificar esse cenário.

O educador físico Márcio Ribeiro, que mora em uma casa no cruzamento das ruas Waldemar Antônio Pereira e Livreiro Luiz Maia, no bairro Luciano Cavalcante, revela que já cansou de esperar pela Prefeitura. Por isso, ele e sua vizinhança fizeram uma força-tarefa para tapar os buracos de sua rua. "Há mais de seis meses que estamos com esse problema e nada foi feito. Nosso maior medo é por conta do início das chuvas".

A reportagem percorreu outros bairros de Fortaleza como Cidade dos Funcionários, Jangurussu, Aerolândia, Messejana, Granja Portugal, entre outros, e constatou com facilidade o mesmo problema.

Para Jorge Soares, coordenador do laboratório de mecânica dos pavimentos da Universidade Federal do Ceará (UFC), os buracos e o desgaste da pavimentação em Fortaleza são problemas multidimensionais. "A solução não é simples e nem rápida, mas é possível melhorar consideravelmente a atual situação. Existe a questão de drenagem, que ainda é deficitária. Sem ela, a água acumulada faz o asfalto se soltar do pavimento".

Outro problema citado pelo professor é a qualidade do material utilizado. "Às vezes, o problema não é no asfalto, e sim na estrutura dos seus agregados, que são formados de areia e pedra. Se a mistura for suscetível, menor será seu período de vida, facilitando o surgimento dos buracos. É obrigação do poder público investir em uma mistura asfáltica que tenha resistência maior à água. A operação tapa-buraco é uma solução paliativa, que acaba saindo mais cara do que investir em um material de maior tecnologia".

Já Marcos Portos, coordenador do Curso de Engenharia Civil do Instituto Federal do Ceará (IFCE), defende que a solução passa por uma boa gestão das obras de execução e o foco em manutenções constantes. "Só tapar buraco não resolve. Outro aspecto importante é a drenagem para aumentar a vida útil dessa pavimentação". A Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP) informa que as ruas e bairros citados nesta matéria estão na programação para receber os serviços de recuperação até o fim deste mês de janeiro, assim como outros locais de todas as regionais de Fortaleza.

Obras

A SCSP ressalta que, em 2017 foi, recuperada uma área total de 521.020,77 m² em mais de 800 vias contempladas com os serviços e ultrapassando a meta estabelecida de 400.000 m² para o período. Desse volume total de serviços realizados no ano passado, uma área de 461.722,24 m² foi recuperada com asfalto e 59.298,53 m² com pedra tosca ou paralelepípedo (calçamento). As obras equivalem a cerca de 52 quilômetros de rodovia com 10 metros de largura. Para solicitar recuperação de vias, a população deve ligar para o número 156 ou procurar diretamente as regionais dos bairros.

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