Brincar ajuda a melhorar o sistema imunológico

01:00 · 01.09.2018

Embora com apenas dez anos de idade, sobram experiências e rotinas hospitalares para o jovem Gustavo Felix. Na sala de espera para dar início ao 3º procedimento cirúrgico para corrigir uma má formação nos pés - após anos de idas e vindas entre Sobral, onde reside, e o Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), onde é acompanhado - a expectativa da mãe, a dona de casa Joelma Mendes, 29, é que o ele passe por isso pela última vez. 

Para ela, ver o filho tão novo envolto nesse ambiente lhe causa dor e apreensão, mas afirma que o grande alento vem com a política de humanização do hospital. Enquanto esperam o chamado da equipe, Gustavo e outras crianças prestes a serem operadas brincam e interagem em um ambiente lúdico, com brinquedos, jogos e o acompanhamento de enfermeiras da unidade. O espaço, denominado “cirurgia segura”, e projetado para amenizar a tensão e o sofrimento das crianças, é apenas uma das iniciativas com essa proposta no hospital.

“Ele começou a ser tratado aqui com 1 ano de idade e até hoje tem o mesmo médico. O atendimento recebido por nós é ótimo. Todos dão muita atenção e procuram deixar ele sempre calmo, conversam, explicam pelo o que ele vai passar”, comenta Joelma. 

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Atualmente, o Hias mantém todos os leitos de internação ocupados, o que significa 336 crianças longe da liberdade natural da infância, em troca, muitas vezes, de agulhas, soros, tubos, e uma rotina de exames e medicamentos. A unidade realiza, ainda, cerca de 900 procedimentos cirúrgicos por mês e mais de 900 consultas por dia. Com essa demanda, se faz ainda mais urgente a necessidade de projetos de humanização, segundo destaca a médica Marfisa de Melo Portela, diretora do Albert Sabin. “A gente começa pelo acolhimento, faz treinamento de nossos funcionários para atenderem bem o paciente, acolher da forma correta. Trabalhamos com o binômio mãe e filho, já começamos trabalhar essa parte do acolhimento quando a criança chega e dentro do hospital nós desenvolvimentos vários projetos”.

Entre eles, segundo aponta, está o Cidade da Criança, espaço projetado como uma mini cidade, onde as crianças internadas têm acesso - em casas diferentes - a brinquedoteca, teatro de fantoches, biblioteca e salão de beleza. Todos os dias o local recebe pacientes que estão internados na unidade, mas que são liberados pelos médicos para brincar e, assim, reduzir o grau de vulnerabilidade causado por suas condições. “Já foi provado cientificamente que o brincar faz com que a criança desvie o foco dela da doença, aumenta o sistema imunológico e diminui o tempo para ela se recuperar, então o tempo de internação é diminuído”, afirma. 

A médica cita, ainda, o projetos cirurgia sem medo, em que as crianças são encaminhadas para o centro cirúrgico de velocípedes, o cineminha, quando pacientes internados têm acesso a sessões de filmes infantis, e o ABC mais saúde, por meio do qual uma equipe de pedagogos faz um trabalho de orientação para as crianças que, por conta da internação, acabam ficando muito ausentes da escola.

O sofrimento causado pelos processos dolorosos e invasivos também é minimizado através da música pelo menos uma vez por semana. Como uma espécie de palhaçoterapia, a equipe da residência multiprofissional do Hias, composta por terapeutas ocupacionais, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, psicólogos e demais profissionais, percorrem os corredores da unidade - da emergência até as alas mais delicadas - cantando e interagindo com os pequenos, garantia de muitos sorrisos arrancados, tanto das crianças como de mães e pais. 

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