Brincadeira com spray exige atenção dos pais - Cidade - Diário do Nordeste

Carnaval

Brincadeira com spray exige atenção dos pais

28.01.2013

Processos alérgicos graves podem ser desencadeados devido à utilização dos produtos artificiais

Sob a vigilância do pai, Nicolas Matos, 10 anos, faz uso do produto no Carnaval Foto: Natinho Rodrigues

Os tradicionais confetes e serpentinas ganharam, ao longo dos anos, um forte concorrente: o spray de espuma artificial. Utilizado, principalmente, durante o Carnaval, o produto parece encantar crianças e adultos, tornando-se o preferido na hora de escolher o melhor acessório para aproveitar as festas.

Nas lojas do Centro de Fortaleza, eles estão expostos com destaque. Numa delas, especializada em artigos para festas, das mais de 50 caixas com 24 latas restam apenas 12.

Nicolas Matos, 10 anos, é uma das milhares de crianças que elegem os sprays de espuma para as brincadeiras. "Todos os anos, eu peço para o meu pai comprar. Sempre me divirto com alguns primos", conta.

No entanto, o pai de Nicolas, José Adriano Gomes, 31 anos, revela que a dúvida prevalece no momento da compra do produto, tendo em vista o medo deste trazer algum prejuízo à saúde do filho. Assim, a saída é ficar sempre atento, supervisionando a diversão das crianças.

"Neste ano, apesar da insistência dele, ainda vou pensar se compro o spray. Sempre fico observando para evitar algum acidente, como a espuma atingir os olhos", comenta.

Orientação

O cuidado de José Adriano com Nicolas deve ser desempenhado por todos, em especial, por pais e adultos que convivem próximo a crianças. A médica Regina Portela, vice-presidente da Sociedade Cearense de Pediatria, é ainda mais rígida. Segundo a especialista, para se evitar qualquer tipo de problema, o ideal é não adquirir os sprays.

O conselho é motivado, sobretudo, pelo produto ser composto por substâncias voláteis, disseminando-se facilmente no ar. A consequência é o contato com áreas sensíveis do corpo, a exemplo dos olhos e mucosas nasais. Outro risco está relacionado à pele, com o aparecimento de dermatites e urticárias.

"Ao inalar essas substâncias, a criança tem grande chance de desenvolver vários tipos de alergia severa, principalmente, as menores de cinco anos. Quadros graves de asma, sinusite e rinite são considerados os mais comuns", informa Regina Portela.

Os olhos, muito expostos nas brincadeiras, também podem sofrer complicações sérias, como conjuntivites, tratadas apenas com receituários médicos. "É errado pensar que usar spray uma única vez não representa prejuízo. Os pais podem substituí-lo por produtos mais saudáveis".

A produção e a comercialização desses sprays poderão ser proibidas, se o Projeto de Lei 4476/12, do deputado Júlio Campos (DEM-MT), for aprovado pela Câmara dos Deputados.

JÉSSICA PETRUCCI
REPÓRTER

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