Litoral de Camocim

Barco naufraga e deixa quatro pescadores desaparecidos

00:30 · 23.05.2013
Embarcação tinha cinco tripulantes, mas um foi encontrado com vida e está internado em um hospital da região

O barco de pesca de nome Peralta naufragou na madrugada da última segunda-feira (21), no litoral de Acaraú, município localizado a 253 Km da Capital. Dos cinco tripulantes que estavam a bordo, um foi resgatado por volta das 4h da última terça-feira (21), pelo barco de pesca Itaí III, que chegou em Acaraú na madrugada de ontem. De acordo com informações da Capitania dos Portos do Ceará, o sobrevivente apresenta bom estado de saúde. Já os outros quatro continuam desaparecidos.

Em Camocim, cerca de 200 embarcações artesanais saem, por dia, a partir de meia-noite até as 2h, para alto mar, e só retornam no dia seguinte. A região conta com aproximadamente 1.500 pescadores Foto: Natinho Rodrigues

Logo que tomou conhecimento do fato, a Capitania iniciou os serviços de busca e salvamento. Um navio que estava nas proximidades - o rebocador de alto-mar Triunfo - deu início aos trabalhos, que têm como finalidade localizar os quatro pescadores ainda desaparecidos. Uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) também foi acionada e está dando suporte nas buscas. Foi deslocada, ainda, uma equipe da Inspeção Naval para Acaraú, para reforçar as buscas e também entrar em contato com familiares.

Francisco Xavier Filho, presidente da Colônia de Pescadores Z-1, de Camocim, conta que ficou sabendo do naufrágio através da Capitania dos Portos do Ceará, na noite da última terça-feira (21). Sem perder tempo, comunicou os demais pescadores sobre o sinistro. Ele informa que mais de 200 embarcações artesanais saem, todos os dias, a partir de meia-noite até as 2h, para alto mar em Camocim e só retornam no dia seguinte, das 9h até o período da tarde.

"Vamos fazer uma varredura em todo o mar da região", salienta. Conforme o presidente da Colônia, a área conta com cerca de 1.500 pescadores.

A Colônia de Pescadores Z-2, de Acaraú, informa que dois dos cinco pescadores envolvidos no naufrágio tinham cadastro na entidade. O único resgatado até agora segue internado no hospital da região. Ele teria contado que uma tábua se soltou embaixo da embarcação - uma lancha de pequeno porte - e rapidamente ela veio a afundar. Tudo teria acontecido rapidamente e a maré levou um para cada lado.

Conforme a Colônia de Pescadores Z-1, este é o primeiro caso de naufrágio registrado neste ano, na região. Francisco Xavier comenta que o período crítico, de fortes ventos, abrange os meses de agosto a dezembro. "Ainda estamos no inverno, o tempo está uma calmaria. Em época de vento forte, muitos pescadores preferem não sair", destaca.

A Capitania dos Portos informa que será instaurado inquérito administrativo para apurar o fato. O prazo para conclusão é de 90 dias. Em seguida, o resultado será enviado ao Tribunal Marítimo, no Rio de Janeiro.

Buscas

Apesar de não saber precisar até quando as buscas irão ocorrer, o capitão-tenente José Reginaldo Diniz, agente da Capitania dos Portos em Camocim, assegura que elas continuarão sendo feitas, tanto de navio quanto de aeronave, inclusive no período da noite, apesar da dificuldade de visibilidade.

Segundo informações já apuradas pela Capitania com o sobrevivente, a embarcação teria afundado prontamente. Todos os pescadores estariam com coletes salva-vidas e boias. Os tripulantes também teriam conseguido retirar da embarcação um material que flutua, de isopor, o que poderá auxiliar os pescadores nessa brava luta pela sobrevivência. "Temos esperanças de que eles sejam encontrados o mais rápido possível", destaca Diniz.

LUANA LIMA
REPÓRTER

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.