Alunos fazem fila para desbloquear carteira estudantil - Cidade - Diário do Nordeste

ETUFOR

Alunos fazem fila para desbloquear carteira estudantil

04.08.2010

Com a volta às aulas, na última segunda, muitos estudantes foram surpreendidos com o bloqueio de documentos

Apesar de ter 56 anos, Maria dos Santos da Costa ainda é estudante. E, como todo aluno, desfruta do direito da meia passagem nos transportes públicos, certo? Deveria ser assim, mas, na última segunda-feira, primeiro dia de aula deste segundo semestre, Maria não conseguiu chegar à escola, pagando apenas R$ 0,90. Afinal, quando passou a carteira de estudante, descobriu que a mesma estava bloqueada e foi obrigada a desembolsar R$ 1,80.

Para tentar resolver o problema, na manhã de ontem, ela foi até a sede da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) e viu que não era a única na mesma situação. Sentados no chão, acomodados de qualquer jeito, em filas ou em pé sob o sol quente, dezenas de pais e estudantes aguardaram, por horas, o atendimento no órgão. Por todos os lados, era possível ver amontoado de pessoas que, notavelmente cansadas, reclamavam da organização e, sobretudo, da demora do atendimento.

A estudante Nayara Gomes da Silva, 18 anos, chegou à Etufor às 7 horas. Às 11 horas, ela ainda amargava na fila, sentada no chão, com a senha 564, enquanto que, no microfone, chamavam o número 320. "Vim para desbloquear a carteira. Ontem, fui passá-la para ir ao colégio e não consegui, porque estava bloqueada. Tive que pagar inteira e, para mim, isso interfere muito no orçamento", disse.

Burocracia

A mesma observação foi feita pela estudante Alexandra Marques, 31 anos. Segundo ela, a carteira de estudante bloqueou no fim de julho. No entanto, como estava de férias, deixou para resolver apenas ontem. "Não pensava que seria tanta burocracia", desabafou. Por conta das filas, Alexandra já esperava há pelo menos duas horas para desbloquear o documento que, como disse, é fundamental para que possa conciliar os estudos com o emprego.

"Trabalho fora de casa e preciso da meia passagem para ir ao emprego, à escola e voltar para casa. Não tenho como ficar pagando passagem inteira", explicou. Além da demora, o militar Jairo Oliveira Ferreira, 55, também se queixava da "falta de organização". De acordo com ele, que foi ao órgão para resolver a questão da esposa, cuja carteira estava bloqueada, nem mesmo local apropriado para dar informações havia.

Tanto que, enquanto o Diário do Nordeste esteve na Etufor, foi possível ver funcionários fazendo a entrega das carteiras de 2010 desbloqueadas em pé, numa roda, em meio ao sol. "Faltam infraestrutura e organização. Espaço, eles têm. Podiam aproveitar o local para distribuir mesas para informações aqui fora ou colocar pelo menos bancos para a gente sentar". Por outro lado, Cláudio Rocha, presidente da Associação de Estudantes do Estado do Ceará, comenta que, além dos bloqueios, há pelo menos 40 mil estudantes da rede municipal; 12 mil do Projovem; e 30 mil da rede estadual que têm direito e ainda não receberam as carteiras. "É um prejuízo muito grande".

Matriculados

Em resposta às reclamações, Ivanderly Carvalho, chefe da Divisão de Atendimento ao Estudante da Etufor, declarou que as longas filas acontecem porque, todos os anos, as instituições de ensino precisam confirmar os estudantes matriculados. No caso de faculdades e de cursos livres, essa confirmação tem de ser por semestre. Já nas escolas, por ano. O problema, entretanto, é que o prazo as confirmações iniciou no dia 5 de janeiro, prosseguindo até o último dia 6 de julho. Contudo, aqueles alunos cujas matrículas não foram confirmadas tiveram as carteiras bloqueadas.

"Todo ano isso precisa ser feito no site da Etufor. Os representantes das escolas têm as senha e sabem como devem fazer a confirmação pelo Cadastro Individual do Aluno (CIA). As matrículas que não são confirmadas, por sua vez, têm as carteiras bloqueadas". Conforme Ivanderly, os alunos precisam cobrar das instituições que realizem as confirmações em tempo hábil. Em relação aos atrasos na entrega, ela justificou que quem produz o documento são as entidades e não a Prefeitura. No que se refere à estrutura de atendimento, ela ressalta que "não há onde acomodar todos e muitos deixam para vir de última hora, resultando em filas".

Enquete
Problemas

Andressa Rodrigues, 19 ANOS
Universitária

"Perdi a carteira e vim para pegar outra, já que começaram as aulas. Não estive aqui antes porque não estava pronta".

Aldenir Targino, 42 ANOS
Professor

"Vim para resolver o problema da minha filha, que teve a matrícula confirmada pela escola, mas não conseguiu pagar meia".

Anildo Lopes, 40 ANOS
Pastor

"Discordo da centralização do atendimento. Faltam aqui infraestrutura e organização. Já espero há 4 horas"

JANINE MAIA
Repórter

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