Série de intervenções

Ações de requalificação do Centro começam neste mês

O conjunto de reformas ocorrerá por 12 meses e terá início nas galerias das ruas Guilherme Rocha e Liberato Barroso

A assinatura das ordens de serviço deve ocorrer na próxima semana ( FOTO: NATINHO RODRIGUES )
01:00 · 18.08.2018 / atualizado às 01:11 por João Lima Neto - Repórter

Comerciantes, moradores e compradores que vivem do Centro de Fortaleza devem ficar atentos a uma série de intervenções que ocorrerá por 12 meses. Ações de cultura, habitação, turismo, economia, infraestrutura e mobilidade urbana serão iniciadas neste mês, com o intuito de ofertar ao fortalezenses e visitantes um novo Centro. Na manhã dessa sexta (17), o prefeito Roberto Cláudio anunciou as primeiras obras que vão acontecer. Os calçadões das ruas Guilherme Rocha e Liberato Barroso serão os primeiros a receber as obras que irão garantir a oferta de um novo espaço aos ambulantes e uma área mais adequada aos pedestres. As ordens de serviços serão assinadas na próxima semana.

"A Prefeitura juntou todo mundo que trabalha e vive no Centro para definir um plano que pudesse ser implantando em 12 meses. Esse é o maior patrimônio da cidade. É a área que mais gera recursos. As intervenções começam em agosto deste ano e devem ser entregues em agosto de 2019. Não que o plano acabe por aí, precisávamos de um plano com prazos e metas. Inicialmente, iremos estimular a moradia no Centro da Cidade. Em seguida, recuperar espaços físicos no Centro, vamos ainda garantir um espaço humanizado para as pessoas em situação de rua. Teremos uma base territorial de segurança. Também está sendo implementado um projeto piloto de ordenamento do comércio informal para a convivência pacifica com os lojistas", explicou Roberto Cláudio.

> 3,6 mil ambulantes serão regularizados

Em relação ao eixo infraestrutura e mobilidade, deve ser construído um terminal aberto com entrega prevista para julho de 2019, ao lado da Praça José de Alencar. O acesso de ônibus também será facilitado com a implantação de faixas exclusivas na Avenida Duque de Caxias. O valor da intervenção é orçado em R$ 280 mil e deve ser entregue em março do próximo ano.

As ruas Dr. João Moreira e Castro e Silva também terão faixa para transporte coletivo, prevista para ser entregue em novembro deste ano, com custo de R$140 mil. A expectativa é de que 23 linhas atendam o Centro com 154 ônibus. A estimativa é de atendimento de 70 mil usuários de transporte público.

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Já as ruas Senador Pompeu, Barão do Rio Branco, Major Facundo e Floriano Peixoto, além dos cruzamentos das ruas Senador Pompeu e Barão do Rio Branco, receberão travessias elevadas. A Barão do Rio Branco terá o Projeto Calçada Viva.

Cultura

O eixo turismo e cultura trabalhará a consolidação de uma agenda cultural única no Centro da Cidade. Por meio do eixo da segurança e fiscalização, deverão ser instaladas 40 novas câmeras de videomonitoramento, que serão somadas aos 32 equipamentos já existentes da Prefeitura e às 11 câmeras da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Também está prevista a aquisição de uma célula de monitoramento com instalação de videowall. No que diz respeito à habitação, o projeto deverá viabilizar até 900 unidades habitacionais na região central da Cidade, além da implantação de uma "pousada social" para pessoas em situação de rua, com até 100 vagas, e a destinação de espaços para o programa de Aluguel Social.

Para acompanhar todas as ações previstas no plano, um Conselho de Governança para o Centro, composto por instituições públicas e privadas, deverá monitorar a execução de todas as intervenções do Projeto, possibilitando melhorias na utilização dos espaços públicos a serem garantidas em curto, médio e longo prazo.

Impactos

O arquiteto e urbanista, Custódio Santos, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil no Ceará (IAB-CE), explica que não conhece de modo profundo a proposta do conjunto de intervenções, mas que, a princípio ela ataca justamente questões que são demandas históricas de requalificação da área central.

Custódio lembra que o bairro vem sendo gradativamente ocupado de forma irregular pelo mercado de ambulantes, além de ter se deteriorado ao longo dos anos com, dentre outras coisas, a retirada de equipamentos importantes, o que caracteriza uma perda simbólica de força, segundo ele. "O Tribunal de Justiça saiu, a sede do Governo saiu, até a Prefeitura em certo período não era lá", explica.

Para o arquiteto, uma das ações indispensáveis nessa tentativa de requalificação é o ordenamento urbano e a reocupação de espaços públicos. Pois, na avaliação de Custódio, essa retomada garantirá caminho livre à implantação das demais medidas.

Fique por dentro

Estação das Artes: empresas estão em análise

A série de intervenções a serem realizadas pela Prefeitura no Centro, também incluem a estruturação do projeto "Estação das Artes", que será executado em parceria com o Governo do Estado. Em julho, as transformações da estação ferroviária João Felipe e do entorno da estrutura foram detalhada pelo Estado. A ideia é transformar os espaços em um complexo criativo, turístico e de entretenimento, que abrigará, dentre outros, a Pinacoteca do Estado e o Mercado das Artes. O empreendimento, que custará cerca de R$ 86 milhões, se chamará Estação das Artes Belchior.

Segundo a Secretaria da Cultura do Estado (Secult), a licitação para a escolha da empresa que irá realizar as obras ocorreu no dia 17 de julho e, atualmente, o processo está em fase de análise de habilitação dos concorrentes. A conclusão da licitação, nos prazos legais, conforme a pasta, deve acontecer até outubro. A ordem de serviço será assinada após essa etapa. A Secretaria explica que não é possível estabelecer o prazo de conclusão da obra antes de se firmar o contrato com a empresa vencedora do processo licitatório.

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