Relatório

Acidentes com motos custaram R$ 282 mi

Em 2015, 315 pessoas morreram em Fortaleza vítimas de acidentes de trânsito. Desses, 110 foram motociclistas

O comportamento do usuário de motocicletas é apontado pelos especialistas como um dos principais fatores de acidentes ( Foto: José Leomar )
00:00 · 17.02.2017

Cerca de 55% do total das despesas com todas as vítimas do trânsito em Fortaleza, em 2015, foi gasto com motociclistas. O custo estimado de acidentes com envolvimento de motociclistas chega a R$ 282.266.320,36,no mesmo período, de acordo com o Relatório Anual de Acidentes de Trânsito, divulgado pela Prefeitura de Fortaleza em parceria com a Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária. O valor total chegou a R$ 500 milhões.

O dado revela que há uma mudança no perfil da maior vítima no trânsito. Antes era o pedestre. Hoje é o motociclista o maior afetado. De acordo com o coordenador de dados da Iniciativa Bloomberg em Fortaleza, Dante Rosado, essa é uma realidade no Brasil, principalmente, nas cidades do Nordeste. No entanto, apesar dos números alarmantes, Dante alerta que poucos conseguem compreender o tamanho do problema, que já se tornou também caso de saúde pública.

"Em 2015, 315 pessoas morreram em Fortaleza. Desses, 110 foram motociclistas. É um número grande e as pessoas não se importam. Em 2009, morreram cerca de 30 pessoas de dengue. Quando se fala de dengue, há uma preocupação maior. Enquanto as vítimas de trânsito estão morrendo e não se fala nisso", problematiza Dante.

Se levarmos em conta todos os acidentes fatais envolvendo motociclistas, o número sobe para 185. O total de acidentes com vítima ferida, na Capital, é de 6.904. O Relatório Anual de Acidentes de Trânsito (2015) aponta ainda que 11.124 pessoas ficaram feridas.

Segundo os dados apresentados, os pedestres são as vítimas que mais morrem em acidentes de trânsito. Eles representam 37,8% dos óbitos, ou seja, 119. Logo em seguida vêm os motociclistas (34,9%), passageiros (15,9%), condutores (5,7%) e, por fim, os ciclistas (5,1%).

Para Dante, não há uma causa específica para que haja tantos acidentes envolvendo motos. "É um conjunto de fatores, mas principalmente, envolve o comportamento do usuário. Estudos internacionais falam que, em 95% dos acidentes, o motivo é o comportamento do usuário. Mas existem também outras causas, como causas ambientais, falta de fiscalização, etc", pondera.

As alternativas apontadas pelo coordenador da Iniciativa Bloomberg é fortalecer a fiscalização, realizar campanhas educativas, melhorar o ambiente urbano através de políticas públicas e preparar as vias para que elas estejam seguras, com ciclofaixas e travessias elevadas. "A Prefeitura está se focando nessas ações. Além de campanhas e no trabalho de capacitação dos agentes, vem trabalhando no desenho urbano seguro da cidade, ampliando travessias elevadas. Já temos 25 na cidade. A ideia é implantar mais 20 este ano em lugares de grande concentração de pedestres", salienta.

IJF

Segundo a assessoria de imprensa do Instituto Doutor José Frota (IJF), o maior hospital de traumas da Cidade, 49% das pessoas atendidas por conta de acidentes com moto admitem que não utilizavam capacete no momento do acidente. Em 2016, um total de 11.159 pessoas deram entrada na emergência do hospital por conta de acidentes com motocicleta, sendo 5.601 pacientes de Fortaleza.

No ano anterior, o número foi de 12.067 no total, sendo 6.513 pessoas de Fortaleza. De um ano para outro, houve redução de 15% na quantidade de vítimas da Capital e de 7,5% no total de atendimentos motivados por acidentes com motocicletas.

Ainda conforme a assessoria, a maioria das vítimas é homem e tem entre 19 e 45 anos. A maioria também não possui Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e não faz uso do capacete e de outros itens de segurança.

O tempo de internação e recuperação desse tipo de acidente, como informa a assessoria da unidade de saúde, depende do tipo de lesão, o que está diretamente relacionado ao uso do capacete. Dessa forma, o resultado de um acidente tanto pode ser uma lesão leve como um traumatismo cranioencefálico ou óbito.

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