FORTALEZA E REGIÃO METROPOLITANA

Abastecimento de água garantido até setembro de 2018

Mesmo sem a Transposição do S. Francisco, ações como a tarifa de contingência, além de investimentos em adutoras, poços, entre outros, asseguram essa condição favorável que necessita de continuidade

Clique para ampliar
00:00 · 19.06.2017 por Lêda Gonçalves - Repórter

O abastecimento de água na Capital e na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) está assegurado até setembro de 2018. A notícia, informada pela Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) e Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) é boa e tranquiliza em parte, entretanto, vem cheia de ressalvas: depende do prosseguimento não só das ações desenvolvidas pelo governo estadual, como, principalmente do consumo consciente de água por parte da população. Para isso, a tarifa de contingência, em vigor desde dezembro de 2015, vai continuar com meta de 20% para a Capital cearense e todos os municípios da RMF. Mesmo assim, alertam especialistas, ainda não se pode comemorar porque a crise hídrica deve perdurar e o nordestino, assim como o cearense, deve cada vez mais aprender a conviver com a seca e depender menos das chuvas.

LEIA MAIS

Interior depende de outras ações estruturantes

"Para esse ano, a gente não conta mais com a transposição do Rio São Francisco e o prognóstico para a próxima quadra chuvosa, entre fevereiro e maio, não são tão animadoras. Por isso, é imprescindível a soma dos investimentos em obras como adutoras de engate rápido, poços, transferências entre açudes, reúso da água, e a manutenção da redução do consumo por parte de todos os cearenses, o que temos conseguido com o passar dos meses", afirma o titular da SRH, Francisco Teixeira.

Sobre a diminuição do uso da água, os dados mais recentes da Cagece comprovam: o percentual de redução no consumo de água em abril foi de 14,36% em relação a março de 2017, quando alcançou 13,98%, resultado que já havia sido bem superior aos meses anteriores. Com isso, aponta a Companhia, ao todo, o mês de abril teve 214.096 mil clientes dentro da tarifa de contingência. Já em dezembro de 2015, quando começou a ser cobrada, 291.558 clientes pagavam a taxa por não atingirem a meta de consumo. O que significa que mais de 77 mil clientes já saíram desse grupo e deixaram de pagar a tarifa de contingência porque atingiram a meta individual de consumo, de 20%.

Avanço

Isso quer dizer que, no mês passado, a Cagece registrou uma redução de 21% no volume de água consumido por ligação em Fortaleza e Região Metropolitana. A redução é comparada com o mesmo mês de 2014, quando ainda não havia restrição da disponibilidade de água para a capital e municípios da RMF. "Essa redução no volume consumido mostra que a Tarifa de Contingência tem cumprido o papel de induzir o consumo, e consequentemente provocar melhora nos hábitos de consumo dos moradores da Capital e RM", avalia o gerente de Concessão e Regulação da empresa, João Rodrigues Neto.

Apesar dos bons números, avisa o presidente da Cogerh, João Lúcio Farias, se não houver a manutenção dessa redução, a meta, atualmente de 20%, poderá passar por mais uma revisão e até aumentar, além de estabelecer, de fato, racionamento drástico para Fortaleza. "O Interior tem dado a sua parte e enfrentado medidas. A responsabilidade é de cada um. Não podemos baixar a guarda e achar que está tudo resolvido", adverte.

Segundo João Rodrigues Neto, aliado a tarifa, outras medidas estão sendo adotadas, independente da Transposição do Rio São Francisco, como a usina de dessalinização, cujo projeto passou pelas alterações determinadas pela Justiça e foi encaminhado para a Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado (Seplag) para que nova licitação seja feita. "Isso deverá acontecer logo", adianta, acrescentando que com a usina, o Ceará poderá contar com mais uma matriz para assegurar abastecimento. "Até porque não é a primeira e nem a última vez que o Estado atravessará períodos assim, com pouca recarga nos reservatórios e precisamos ter alternativas para mitigar os efeitos da seca".

Outra ação destacada por ele, é o do sistema adutor e de reserva Taquarão. "É uma obra que vai beneficiar, a longo prazo, o abastecimento de água para a zona oeste de Fortaleza, além das sedes de Caucaia, Maranguape e Maracanaú", frisa.

O sistema consiste na construção de um reservatório apoiado e três grandes adutoras que, quando estiver em pleno funcionamento, vão garantir maior segurança no abastecimento das regiões atendidas. Atualmente, informa, a obra está com percentual de execução em 28%. A previsão para conclusão está prevista para novembro deste ano.

O titular da SRH, Francisco Teixeira, salienta que o governo estadual investiu, desde 2015, recursos da ordem de R$ 400 milhões na área de segurança hídrica. Foram perfurados mais de três mil poços, mais de 340km de adutoras de norte a sul do Ceará, foram instalados mais de 550 chafarizes, 191 sistemas de dessalinização de água e mais 222 sistemas de dessalinização do Programa Água Doce, sem falar em grandes obras estruturantes como o Cinturão das Águas.

Mesmo assim, avalia, a situação ainda é crítica. Infelizmente, analisa, a chuva caiu de forma irregular, mais na região Centro-Norte e menos para o Sul do Ceará. Os maiores açudes, Orós, Castanhão, Banabuiú, não tiveram recarga significativa. "O sistema metropolitana aumentou de 14% para 49%, garantindo o abastecimento até o segundo semestre de 2018 para Fortaleza e RM, mas não podemos deixar de reforçar todas as ações em andamento e outras porvir", pontua.

tab

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.