Abandono da Praia do Futuro causa revolta - Cidade - Diário do Nordeste

DETERIORAÇÃO

Abandono da Praia do Futuro causa revolta

19.08.2011

As barracas inativas são um dos problemas: das 126 existentes em 2000, só 86 estão funcionando
As barracas inativas são um dos problemas: das 126 existentes em 2000, só 86 estão funcionando
Rodrigo Carvalho
O Instituto de Arquitetos do Brasil Regional Ceará apontou diretrizes para nortear a reorganização do ponto turístico
O Instituto de Arquitetos do Brasil Regional Ceará apontou diretrizes para nortear a reorganização do ponto turístico
População não quer apenas projetos arquitetônicos, mas também a requalificação da região e segurança

Barracas abandonadas, favelas, equipamentos de lazer destruídos, iluminação irrisória, carência de saneamento básico, calçadas e vias esburacadas. Este é o cenário em que se encontra a Praia do Futuro, um dos principais pontos turísticos e de lazer da Capital, mas que sofre os mesmos problemas típicos de todos os bairros de Fortaleza.

Dos 34,2 quilômetros da orla da Capital, 6,7 Km correspondem à Praia do Futuro. A população do bairro cresceu 75,8% em dez anos, ou seja, hoje possui 18.587 habitantes, enquanto em 2000 esse quantitativo era de 10.568.

A região grita por mudanças emergenciais, que mudem qualitativamente a vida de quem lá habita. Para se ter uma ideia da situação da assistência em saúde da área, só existem dois Centros de Saúde da Família (CSF), para atender a uma demanda que só cresce.

Ao longo de alguns anos, a região foi se deteriorando. O abandono das barracas de praia pode ser citado como exemplo. Segundo a presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro, Fátima Queiroz, das 126 barracas existentes no ano 2000 em toda a Praia do Futuro, hoje só sobraram 86 ativas.

"Com a duplicação da Avenida Zezé Diogo, em 2000, a área que vai do Serviluz à Rua Renato Braga, ficou isolada, ou seja, as pessoas começaram a não frequentar por conta das obras que dificultavam o acesso. Então, o conjunto de 36 barracas que existiam ali praticamente sumiu, e hoje só ficaram seis, as demais foram invadidas, abandonadas ou então estão servindo de moradia", explicou Fátima Queiroz.

Reclamações

Já a população local reclama tanto da ausência de projetos eficazes para requalificação da região como de outros serviços.

A dona-de-casa Nilza Silva do Nascimento, 60 anos, cita pontos como política habitacional e áreas de lazer, além de postos de saúde.

"Hoje em dia, o nosso problema não é a falta de polícia, pois esta existe, mas só ela não resolve o nosso problema, que é a carência de áreas de lazer, moradia e saneamento. As ocupações inadequadas geram insegurança para todo mundo", disse a dona-de-casa.

De acordo com o professor do departamento de geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jeová Meireles, a solução para o caso da Praia do Futuro seria seguir as orientações do plano de Gestão Integrada da Orla Marítima de Fortaleza, mais conhecido como Projeto Orla, evidenciando ações relacionadas como a retirada das barracas de praia.

"Não só a retirada, mas faz parte das medidas a revitalização paisagística e a implantação e melhoria dos equipamentos públicos na região. O saneamento básico também está previsto, assim como a regularização fundiária", explicou Meireles. Ele acrescentou que essas medidas diretas melhorariam a qualidade ambiental e de vida dos moradores e frequentadores da região.

Sobre o atendimento dos CSF, a assessoria da Secretaria Executiva Regional II (Ser II), informou que, em 2006, foi feito um concurso do Programa Saúde da Família (PSF), em Fortaleza, por meio do qual foram contratados 269 médicos, 322 enfermeiros, 262 dentistas e 2.608 agentes comunitários de saúde. Essas são as ampliações da saúde, no município de Fortaleza e no bairro Praia do Futuro, para dar conta do aumento da população.

População

75% foi o crescimento populacional dos bairros Praia do Futuro I e II em dez anos. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), baseado no Censo 2010

DOCUMENTO APRESENTADO
Arquitetos sugerem projetos à Prefeitura

O presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil Regional Ceará (IAB-CE), Odilo Almeida Filho, informou, ontem, que a questão da Praia do Futuro já vem sendo discutida nas reuniões do grupo e que um documento já foi formulado e apresentado à Prefeitura Municipal.

"Nesse documento, sugerimos as diretrizes que norteiam a reorganização da Praia do Futuro, assim como aconteceu com a Beira-Mar, ou seja, o concurso nacional de projetos", explicou Almeida Filho.

Ele disse ainda que, antes da realização do certame, é fundamental que haja um acordo entre os ocupantes - no caso, os barraqueiros - e as autoridades que têm gestão sobre a área. "A partir daí, pode-se lançar as bases para o concurso e quais elementos devem ser projetados", explica o presidente.

O arquiteto e urbanista Romeu Duarte Júnior, também integrante do conselho superior do IAB, explicou que os projetos a serem apresentados deveriam ter, no mínimo, quatro modelos de barracas, "para, assim, não ficar uma diferença muito grande entre elas. No caso, o grande diferencial seria o serviço a ser disponibilizado por cada permissionário". Duarte disse que a participação da Prefeitura é fundamental, "porque, se ela se omite, o que vai acontecer será somente a demolição, o que acabará com o turismo".

Propostas

Está incluso no Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (PRODETUR/NE)a urbanização da Praça 31 de Março. A ideia é mudar o nome do logradouro para Praça do Futuro.

Nos 24.412m² de área, será realizado um projeto paisagístico de requalificação do local, que inclui duas quadras poliesportivas, quatro quadras de vôlei de areia, dois campos de futebol de areia, um skateparque, um playground, equipamentos de ginástica e alongamento, um local para jogos de mesa e espiribol, pista de cooper e ciclovia (560m). O projeto tem por objetivo integrar a área e o litoral leste de Fortaleza à cidade.

THAYS LAVOR
REPÓRTER

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