67% rejeitam prescrição farmacêutica - Cidade - Diario do Nordeste

Medicamentos

67% rejeitam prescrição farmacêutica

14.09.2013

Para instituto que realizou a pesquisa, índice mostra desconhecimento da população

Em breve, farmacêuticos de todo o País poderão receitar, por conta própria, medicamentos que não precisem de prescrição médica. A decisão foi aprovada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) no último dia 30 e começará a valer assim que for publicada no Diário Oficial da União. No entanto, grande parte dos consumidores fortalezenses parece discordar da medida. De acordo com um levantamento do Instituto de Pesquisa e Pós-graduações do Mercado Farmacêutico (ICTQ), 67% dos entrevistados na Capital não apoiam a prescrição farmacêutica.

Para o diretor executivo do ICTQ, a medida ajudará a reduzir a superlotação em postos de saúde. Resolução aprovada pelo Conselho Federal de Farmácia permite que farmacêuticos receitem remédios que não precisem de prescrição médica

O maior motivo, conforme os dados, é a falta de conhecimento sobre o que diz a decisão do CFF e, principalmente, das funções e capacidades do profissional de farmacologia. Marcus Vinícius Andrade, diretor executivo do ICTQ, explica que muitos brasileiros não sabem qual é o verdadeiro papel do farmacêutico na saúde da população, dentro dos hospitais, das clínicas e mesmo dos estabelecimentos que comercializam remédios.

Segundo ele, boa parcela dos entrevistados na pesquisa desconhece até que o farmacêutico possui formação superior. "Percebemos que muitos não sabem que ele é o profissional na área de Saúde que mais entende de medicamentos, que trabalha desde o princípio ativo do remédio até a entrega e indicação ao consumidor. Muitas vezes, as pessoas não conseguem nem reconhecer quem é o farmacêutico e quem é o balconista dentro da farmácia", afirma Andrade.

Falhas

O diretor executivo atribui o problema a falhas de comunicação e conscientização por parte dos órgãos regulamentadores da profissão, deficiência que ocasionou, ainda, o desconhecimento da resolução do CFF, a qual estabelece que o farmacêutico pode indicar remédios e produtos com finalidade terapêutica que dispensam receita médica, como medicamentos industrializados, plantas medicinais e drogas vegetais, por exemplo.

Ele destaca que, antes de ser aprovada, a medida foi à consulta pública por vários meses, mas a pesquisa de opinião não chegou a ser divulgada. "A sociedade ficou à margem dessa discussão e, por isso, tendeu a rejeitar", pontua Marcus Vinícius.

Dentre os que aprovam a prescrição farmacêutica em Fortaleza, número equivalente a 33% dos entrevistados na pesquisa do ICTQ, 24% acreditam que a medida poderá resolver doenças mais simples de maneira mais rápida e 18% creem na redução das filas nos hospitais e postos de saúde. Para Álisson Menezes, presidente em exercício do Conselho Regional de Farmácia do Ceará (CRF-CE), essas, de fato, são algumas vantagens que a decisão pode trazer.

"Vários outros países já adotam esse modelo e, pegando esses exemplos, vimos que foi muito bom, porque, no caso dos males menores, mais simples de tratar, tirou a sobrecarga dos médicos e amenizou a superlotação dos postos de atendimento primário, deixando espaço para quem realmente necessita de atendimento mais aprofundado", afirma Menezes.

Ele também destaca que a medida pode contribuir, ainda, para a redução dos índices de automedicação. Uma outra pesquisa do ICTQ mostra que 38% dos fortalezenses consome medicamentos tarja preta sem prescrição médica. Além desses, o presidente do CRF-CE cita remédios como analgésicos e antigripais, que não exigem receita.

"Essa medida torna a obtenção de medicamentos mais segura. Hoje, a pessoa vai na farmácia e consegue com o balconista um medicamento sem receita, sendo orientado por alguém que não é profissional. Com essa medida, você teria um documento, uma garantia de que foi atendido por uma pessoa que entende do assunto", diz Menezes.

SAIBA MAIS

Ranking de rejeição no Nordeste

1. Fortaleza (CE) 67%
2. Salvador (BA) 64%
3. Maceió (AL) 62%
4. Aracaju (SE) 57%
5. João Pessoa (PB) 59%
6. Recife (PE) 50%

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