CIRURGIAS ELETIVAS

6 mil pessoas nas filas de 3 hospitais

Dados são do Albert Sabin, de Messejana e César Cals, informados pela SMS, via Central de Regulação de Internação

00:00 · 15.07.2015

Um diagnóstico parcial sobre a situação de quem aguarda na fila por cirurgias eletivas no Ceará, entregue ao Ministério Público Federal (MPF), renova a esperança dos pacientes e aponta que somente em três hospitais públicos, o Albert Sabin (Hias), o Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (do Coração de Messejana) e o César Cals, 6 mil pessoas anseiam pelo procedimento há meses. O documento também indica que, nos cinco equipamentos conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS), a demanda pode ser zerada em 30 dias.

O gerente do Complexo Integrado de Regulação de Fortaleza (Cirf), Mozart Rolim, explica que o trabalho ainda está no início, mas começa a oferecer alternativas para o problema. Segundo ele, a fila é ainda maior, pois falta somar os dados do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e Hospital das Clínicas Walter Cantídio (HUWC). Até então, salienta, não se tinha uma visão real da questão porque até as próprias unidades tinham dificuldades de reunir suas filas, devido à variedade de especialidades médicas. "Estamos fazendo isso agora, ou seja, tomando as rédeas para melhor gerir", garante.

De acordo com o documento, os hospitais Cura Dar's, Batista, Fernandes Távora e Pronto Médico possuem capacidade de realização de cirurgias suficiente para atender, em até um mês, todos os pacientes que aguardam. "No Hospital Batista, por exemplo, há 152 pacientes na fila e a unidade realiza em torno de 171 procedimentos cirúrgicos ao mês", diz o documento.

A demanda na Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza também está sendo apurada. Foi levantado um número inicial de pouco mais de 3 mil pacientes na fila, quantidade que está sendo confirmada através de contato telefônico.

Santa Casa

Mozart informa ainda que um grupo de 250 pessoas que constavam na fila da unidade foram contatadas. "Desse total, 79 já haviam realizado cirurgia, o que reforça ainda mais a necessidade de comprovação dos números para que se tenha uma demanda real. No trabalho, também observamos que 96 estão aguardando serem atendidas", esclarece.

De acordo com ele, o relatório da Central de Regulação não só diagnostica o problema, como também aponta medidas que estão sendo tomadas para enfrentar outra séria questão: o internamento de pacientes nos corredores dos hospitais.

Segundo ele, os chamados hospitais de retaguarda foram informados da necessidade de que se tenha pelo menos 85% de taxa de ocupação dos leitos e assumiram compromisso de melhora no atingimento da meta. Além disso, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) está em negociações para abertura da segunda Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Fernandes Távora. "Já o Antônio Prudente firmou pacto para realizar 24 cirurgias cardíacas para o Hospital de Messejana".

Sem contar conta com o Hospital das Clínicas, que voltou a disponibilizar leitos à rede de urgência e emergência, sendo quase exclusivamente ofertados a pacientes terciários. "Encontra-se em conversação o atendimento da fila de oncologia do Hospital Geral de Fortaleza pelo Cura Dar's. Além de vagas no Sociedade de Assistência à Infância (Sopai) para dar suporte ao Hias e uso do Hospital da Mulher".

Caminho

Na avaliação do procurador da República, Oscar Costa Filho, o relatório preliminar desenha um mapa do caminho para a resolubilidade dos problemas na saúde. "Os pacientes passaram a ter nome e histórico médico e deixaram de ser apenas números", elogia Oscar.

Ele explica que os dados do documento serão analisados pelo grupo de gestão da crise na Saúde, e as medidas propostas como solução farão parte de um acordo que será homologado pela Justiça Federal, onde tramita ação movida pelo MPF pedindo que seja decretado estado de emergência no setor em Fortaleza e no Ceará. Na quinta-feira, a questão dos "corredômetros" será colocada em foco em reunião.

Lêda Gonçalves
Repórter

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