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30% dos queimados são crianças

Em 2017, IJF atendeu 3.721 vítimas de acidentes. Casos mais comuns no hospital envolvem líquidos

01:00 · 23.05.2018
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Os acidentes envolvendo crianças, quase um terço da média de atendimentos, servem de alerta para pais e responsáveis ( FOTO: THIAGO GADELHA )

O cartaz de uma campanha do hospital SickKids, dos Estados Unidos, traz uma criança com asas de borboleta e fralda, na ponta dos pés, tentando alcançar o cabo de uma frigideira no fogão. "Nem todos os contos de fadas têm final feliz. 70% das queimaduras em crianças são por escaldamento, e elas são 100% previsíveis", destaca o banner. No Ceará, por exemplo, acidentes com os pequenos representam 30% dos casos atendidos pelo Núcleo de Queimados do Instituto Doutor José Frota.

Desde a inauguração do novo IJF, em dezembro de 1993, o hospital conta com um andar exclusivo para o tratamento de vítimas de queimaduras. Já foram atendidas, ao longo dos 25 anos, milhares de pessoas com as mais diferentes lesões, ainda que ocasionadas por acidentes comuns. Os dados mais recentes, de 2017, revelam que o hospital recebeu 3.721 pacientes, com destaque para casos envolvendo alimentos, água e óleo (1.169), outros líquidos (821) e chama ou fumaça (427). Há, ainda, 1.304 circunstâncias não detalhadas.

Os acidentes envolvendo crianças, quase um terço da média de acolhimentos, servem de alerta para pais e responsáveis, especialmente com a aproximação de férias escolares e eventos festivos, como São João e Copa do Mundo. "Nunca deixe a criança no mesmo ambiente do fogão, na cozinha, perto de ferro de engomar, não coloque comida quente na mesa, que fiquem longe de tomadas elétricas, fios desencapados", lembra o coordenador do Núcleo de Queimados do IJF, João Neto.

São 33 leitos de internação no hospital, duas salas de centro cirúrgico, sala de banho anestésico, sala de terapia ocupacional e outros espaços. A unidade geralmente tem taxa de 90% de ocupação, principalmente nos últimos 7 anos, segundo o médico. "É lotada o tempo todo. A população cresceu muito e somos referência no Norte e Nordeste", diz. Para corresponder à demanda, conta com uma equipe multidisciplinar, com nutricionista, enfermeiros, médicos, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e psicólogo. O último profissional também tem papel fundamental na recuperação dos pacientes. Há muitos relatos de depressão envolvendo queimados, que resistem às lesões físicas, mas não superam o trauma psicológico.

Choque

O Núcleo de Queimados, recentemente, tem recebido episódios crescentes de fraturas causadas por álcool, quando da utilização para fazer fogo em carvão, papel ou madeira e choque elétrico. "Apesar de estar aumentando, o choque não é o maior volume, mas é de uma gravidade maior do que o líquido quente. Ele leva à perda de membros, como braços, pernas, pé", afirma o coordenador João Neto.

O primeiro procedimento, ao se deparar com um queimado, é a exposição a um chuveiro para banho de 5 a 10 minutos de água corrente fria. O passo seguinte é levá-lo ao IJF, se possível com pouca roupa, para a ação imediata da equipe médica. Lá, o paciente recebe um remédio para dor, tem as partes feridas lavadas com sabão especial e, dependendo da lesão, podem ser enfaixadas. O uso de pasta de água, pasta de dente, óleo, pomada ou clara de ovo, por exemplo, pode agravar a situação. Segundo o médico, pacientes com mais de 26% do corpo queimado ficam internados na unidade especial, para tratamento e acompanhamento. "São queimaduras nas mãos, nos pés, na boca, na face, olhos, orelhas, nariz, pernas e genitália. Às vezes você tem pouca área queimada, mas afetou os olhos. Neste caso, tem que internar", pontua.

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