No Ceará

14 mulheres assassinadas por mês

Entre as capitais, Fortaleza aparece em 4º na taxa de assassinatos de mulheres entre 2003 e 2013, aponta estudo

00:00 · 10.11.2015 por Lêda Gonçalves - Repórter
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Das mortes, a maioria foi causada por pessoas conhecidas, como familiares e, principalmente, companheiros ou ex-parceiros ( FOTO: BRUNO GOMES )

O número de mulheres vítimas de homicídios no Ceará cresceu 169,9% em dez anos. No período entre 2003 e 2013, 1.741 foram assassinadas no Estado. São 14 por mês ou quase uma morte a cada dia. Desse total, 659 ou 37,5% foram em Fortaleza. Nesta década, a Capital registrou alta de 189,6%. Das mortes, a maioria foi causada intencionalmente por pessoas conhecidas, como familiares e, principalmente, companheiros ou ex-parceiros. A faixa etária mais atingida vai dos 18 aos 30 anos de idade.

Os dados fazem parte do estudo "Mapa da Violência - Homicídio de Mulheres", divulgado nesta segunda-feira (9) em parceria com a ONU Mulheres, Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, do governo federal.

De acordo com o relatório, levando em consideração o crescimento da população feminina no Brasil, que nesse período passou de 89,8 milhões para 99,8 milhões (crescimento de 11,1%), é possível observar que a taxa nacional de homicídio, que em 2003 era de 4,4 por 100 mil mulheres, passa para 4,8 em 2013, crescimento de 8,8% na década. Em relação ao Estado do Ceará, houve uma elevação no mesmo período da ordem de 140,8 a cada 100 mil mulheres. Se, no primeiro ano analisado, esse dado era de 2,6, no último, ele pulou para 6,2. Os números colocam o Estado em 5º lugar no ranking nacional. No topo da lista, Roraima amarga um aumento de 343,9 na década, seguida pela Paraíba, com 229,2 em igual período.

Se o Estado está em 8º em relação à taxa em 2013, com 6,2 para 100 mil, Fortaleza está em quarto, com 10,4. Em número total, a Capital somou 139 homicídios, sendo a 2ª no País. São Paulo, com 167, é a primeira. O que chama atenção é a chamada interiorização da violência. Os maiores índices de homicídios de mulheres são registrados nos pequenos municípios, e não nas capitais. A cidade Barcelos (AM), com uma população feminina média de 11.958, registrou 45,2 homicídios por dez mil mulheres e é o primeiro da lista. No Ceará, Senador Pompeu, a 273 quilômetros da Capital, ocupa a 5ª posição, com taxa de 17,9 por 100 mil. Também na lista, está Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, com 12,4. A cidade ocupa a posição de número 59 entre os 100 municípios mais violentos para a população feminina. Entre os meios mais utilizados, a arma de fogo, facas e outros objetos cortantes.

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Balanço

Ainda segundo o estudo, em 2003, foram registrados 3.937 homicídios de mulheres no País. Em 2013, ano das informações mais recentes disponíveis, o número de assassinatos de mulheres registrados passou para 4.762. Os dados foram tabulados com base nos registros do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Isso leva o País a uma taxa de 4,8 homicídios a cada 100 mil mulheres - é a quinta mais alta em comparação a dados de outros 83 países, divulgados pela Organização Mundial de Saúde. Neste sentido, o Brasil fica atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.

A titular da Coordenadoria das Políticas para Mulheres, do governo estadual, Camila Silveira, reconhece que os números no Brasil e, em particular no Ceará, são ainda muito alto. No entanto, argumenta que a Lei Maria da Penha é uma das mais conhecidas pela população. "É um processo. O Estado garante a proteção e as mulheres estão se sentindo mais seguras e encorajadas a denunciar", salienta.

Ela diz que a Coordenadoria mantém duas unidades móveis na zona rural cearense, oferecendo acesso mais fácil. "Ainda existe medo de entrar na delegacia para denunciar. Por isso que os centros de referência são o melhor caminho", pontua.

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