Waldonys sob medida - Caderno 3 - Diário do Nordeste

MÚSICA

Waldonys sob medida

15.07.2005

Cantor e sanfoneiro sempre lembrado pelas bênçãos de seu Luiz e Dominguinhos, o cearense Waldonys está com novo disco na praça. Em “Anjo Querubim”, com lançamento nacional pela Kuarup, investe na fórmula de registrar o repertório que já faz sucesso nos shows, ao lado de algumas inéditas. Feito sob medida para alçar vôos mais altos na carreira do músico, o disco tem lançamento amanhã, no Sítio Tá Bonito, e domingo, no Parque do Cocó

Ele aprendeu com o rei, e mais uma vez não quer fazer feio. Waldonys José Torres de Menezes, ou simplesmente Waldonys, está de disco novo na praça. “Anjo querubim” traz, como já exemplifica a faixa-título de Petrúcio Amorim, um repertório bem conhecido do grande público - seja este mais próximo ao matulão musical de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e companhia, ou receoso diante das fábricas de vozes pasteurizadas, melodias previsíveis e letras irritantes em que se transformaram diversas bandas, em uma bem montada engrenagem comercial.

Sétimo trabalho de carreira de Waldonys, o novo CD traz como maior novidade a chancela da Kuarup, gravadora carioca responsável por apresentar diversos nomes de qualidade da cena independente. “A Kuarup me chamou pra lançar esse CD, fez uma proposta comercialmente muito boa. Tirando a distribuição deles, que é muito boa, já tão vendendo o disco pra caramba, no Brasil inteiro”, entusiasma-se o sanfoneiro, citando que a primeira tiragem do novo CD é de 15 mil cópias. “Essas são para uma divulgação inicial. Acredito que a primeira tiragem pra valer fique em umas 50 mil. Destes, fico com uma parte boa, então continuo tendo autonomia sobre o meu trabalho”, avalia.

Seguindo à risca a proposta de transpor para o estúdio as músicas mais bem recebidas nas centenas de shows Brasil afora, o disco traz a voz e o acordeão de Waldonys acompanhados por Lu de Souza (guitarra), Edson Sancho (baixo), Chico Viola e Gilson Monteiro (percussão), Jorge Djane (bateria) e Marcos Farias (cordas). “Usei os shows como termômetro do que o povo gosta mais, do que mais agrada. É um CD pro cara colocar e não tirar mais, ouvir do começo ao fim”, aposta, justificando a maioria de regravações, entre um e outra inédita.

O disco tem lançamento amanhã, no Sítio Tá Bonito, com abertura de Dorgival Dantas e encerramento a cargo de Chico Pessoa - ambos também contribuíram para o CD de Waldonys. Já no dia 17, o sanfoneiro ganha o palco do projeto Domingo do Parque, que reúne, a partir de 19h, grandes músicos em apresentações abertas, no Parque do Cocó. Promovido pela Funcet municipal, o projeto apresenta, além de Waldonys, o consagrado violonista Nonato Luiz. “Cada um vai fazer seu show, mas também vamos tocar juntos”, anuncia Waldonys, prometendo relembrar a tabelinha que incluiu ainda Manassés, no disco “Filhos do solo”.

O disco mantém as principais características de Waldonys: o desembaraço na “concertina”, a objetividade dos arranjos, a voz esforçada do instrumentista que teve de se fazer cantor. Ainda que, salvo algumas exceções, aponte para um repertório previsível, certamente se sai acima da média de seus trabalhos anteriores. E milhas além do nível rasteiro que predomina, tendo em vista a disposição de continuar levando à frente o forró conforme ensinou seu Luiz. Waldonys assume com todas as letras a disposição de seguir a receita do sucesso popular. Se o alvo é este, não há como errar.

SERVIÇO: Waldonys e banda. Lançamento do CD sábado, no Sítio Tá Bonito (Av. Washington Soares, em frente à Casa de José de Alencar, a partir das 22h. Ingressos: R$15,00. Também com shows de Dorgival Dantas e Chico Pessoa. Informações: 9981-9870) e domingo, no projeto Domingo no Parque, da Funcet, no Parque do Cocó, a partir das 19h (também com show de Nonato Luiz). Aberto ao público. Informações: 3254-1955).

Dalwton Moura

FAIXA-A-FAIXA

1. “Jardim dos animais” (Fagner/Fausto Nilo) - Além de homenagear o Fagner com um pout-pourri neste disco, fiz questão de gravar esta música, que sempre toco.

2. “Já faz tempo não lhe vejo” (Antônio Barros) - Gravei pra homenagear o Trio Nordestino. A letra tem lá seu duplo sentido, mas até o Dominguinhos aprovou.

3. “Machucando sim” (Luiz Queiroga) - Outra em tributo ao Trio Nordestino, sucesso nos shows.

4. “Final dos tempos” (Chico Pessoa) - Uma obra-prima do Chico. Com uma mensagem social muito forte, um tema raro no forró. Com essa eu sempre abro os shows beneficentes.

5. “Anjo querubim” (Petrúcio Amorim) - Gosto muito das composições do Petrúcio. A introdução, do Dominguinhos, pagou o ingresso da música no disco.

6. “Poucas palavras” (Eliane/Gilmar Cavalcante) - Gostei da letra dessa música, da história dela. Antes de mim, só tinha sido gravada há muito tempo, pela própria Eliane.

7. “Eu quero ver você dizer que eu sou ruim” (Alceu Valença/A. Monteiro/A. Araújo) - A gravação do Alceu é boa, mas ele não é forrozeiro. Com ele, a música tá uma preguiça danada. Eu botei mais suingue.

8. “De pernas viradas” (Dorgival Dantas) - O Dorgival sempre me mostrou muitas músicas, inclusive colocou à minha disposição “Coração”. Mas como já foi gravada demais, preferi “De pernas viradas”, inédita.

9. “Fulô de laranjeira” (Paulo César Oliveira) - Uma indicação da cantora Joana Angélica, que me falou do Paulo César, compositor que participa de festivais, e insistiu muito pra eu ouvir. Gosto muito dessa música. O refrão é pegajoso. E, com toda a correria, ainda não conheci pessoalmente o PC. Diz aí pra ele ir no show.

10. “Apague o fogo” (Waldonys) - Essa eu gravei há muito tempo, e agora caprichei mais na harmonia, que tava pé-durinha. A gente aprende com o tempo. É minha única música no disco. Eu não tenho pretensão de compor, prefiro aproveitar o trabalho de tanta gente talentosa por aí.

11 a 13. “Homenagem a R. Fagner” (“Eternas Ondas”, “Revelação”, “Noturno” e “Deslizes”) - Coloquei essas músicas, todas de outros compositores que foram sucesso na voz do Fagner, em ritmo de xote, mas sem ficar uma coisa forçada. Todos os solos de guitarra que o Robertinho do Recife fazia, agora eu faço na sanfona.

14. “Acrobático” (Lu de Souza) - É um instrumental muito legal, do meu guitarrista. Complicada pra sanfona. Por isso e pela minha história na aviação (Waldonys é piloto, com seu ultraleve acrobático Rans-S9, nos informa o colega e também piloto Tom Barros), coloquei o nome dessa música, que fecha o disco. (DM)




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