Espaço Cultural Unifor

Uma vida de dedicação e empreendedorismo

01:50 · 02.03.2012
O industrial Edson Queiroz: trajetória empresarial marcada pelo trabalho e pela criatividade
O industrial Edson Queiroz: trajetória empresarial marcada pelo trabalho e pela criatividade ( )
Acima, um dos primeiros fogões fabricados pela Esmaltec
Acima, um dos primeiros fogões fabricados pela Esmaltec ( fotos: Rodrigo Carvalho )
A trajetória do industrial Edson Queiroz é um dos destaques da exposição "Pioneiros & Empreendedores"

A história do Brasil recontada a partir dos feitos de seus grandes homens. Este é o mote da exposição "Pioneiros & Empreendedores: a Saga do Desenvolvimento no Brasil", em cartaz no Espaço Cultural Unifor, na Universidade de Fortaleza. Com curadoria de Jacques Marcovitch, a mostra reconstitui a trajetória de 24 empresários, cujas conquistas contribuíram decisivamente para o desenvolvimento do País.

Entre eles, destaca-se o industrial Edson Queiroz (1925 -1982), cearense, natural de Cascavel. Filho de comerciantes, Queiroz foi um homem de visão, empreendedor por vocação. Ele construiu um dos maiores grupos empresariais do Brasil, com negócios em diversas áreas da economia.

Primeiros passos

Primeiro filho homem do casal Cordélia e Genésio, Edson Queiroz nasceu em 12 de abril de 1925. Seu nome foi uma homenagem dos pais ao norte-americano Thomas Edison, um dos maiores inventores da história. Aos dez anos, o garoto já auxiliava o pai no negócio da família: um armazém para o comércio atacadista de arroz, feijão e, sobretudo, açúcar. Junto a Genésio, um homem de visão, muito mais do que um simples comerciante, Edson Queiroz aprendeu tudo o que precisava para fazer a diferença, lições que o ajudariam a se tornar um dos maiores empreendedores do País.

Dedicado ao trabalho, aos 18 anos ele se tornou sócio do pai, com participação de 5% no capital da empresa. Logo, o jovem ampliou sua participação para 30%. Assim Genésio recompensava um sócio que demonstrava talento para levar adiante suas lições, um homem que criava oportunidades e driblava dificuldades.

Em 1942, auge da Segunda Guerra Mundial, embarcações brasileiras foram alvo de ataques de submarinos alemães, em plena costa nacional. A ameaça de destruição de navios se abateu sobre o comércio atacadista e uma crise se anunciou. Como fazer para receber as mercadorias vindas de Recife pelo litoral?

O jovem Edson Queiroz pensou numa solução, amparada pelos recursos do pai: utilizar pequenas embarcações para o transporte das cargas, tão pequenas a ponto de serem desprezadas pelos submarinos nazistas. A estratégia deu certo e, por alguns anos, pai e filho se tornaram os principais fornecedores de Fortaleza.

Logo se percebia em Edson uma preciosa sensibilidade para os negócios. Seu senso de oportunidade era, de fato, primoroso. Com o fim da guerra e tendo em mãos um generoso capital de giro, os Queiroz conceberam novos negócios. Investiram em novas áreas, como a importação de veículos dos Estados Unidos. Os sócios também fundaram as loterias estaduais do Ceará e a de Pernambuco.

Empresas

Em 1945, Edson Queiroz casou com Dona Yolanda, mãe de seus seis filhos e atual presidente do Grupo Edson Queiroz. O industrial a considerava corresponsável por todos os empreendimentos realizados. Em 1951, Edson Queiroz deu o passo definitivo para seu sucesso: investiu naquele que seria seu primeiro grande empreendimento, o ramo de gás engarrafado. Vendeu para seu pai sua parte na sociedade Genésio Queiroz & Cia., reuniu o capital que havia acumulado em negócios próprios e adquiriu a Ceará Gás Butano.

Mas como vender gás em um estado em que ainda não havia superado o fogão a lenha? Mais uma vez, Edson Queiroz provou que não se abatia diante das dificuldades. Primeiro, abriu, na Praça do Ferreira, uma loja de fogões a gás e percorreu as ruas de Fortaleza oferecendo seu produto a restaurantes, bares e casas. Logo estaria os distribuindo em caminhões com o slogan: "Pergunte a quem tem um".

No mesmo ano de fundação, a empresa Edson Queiroz & Cia contabilizava 289 clientes e comercializava 2,9 toneladas de gás por mês. No ano seguinte, os negócios ganharam uma força generosa: seu pai, Genésio Queiroz, entraria com capital e passaria a ter 25% da sociedade. Mais uma vez, pai e filho fazem o empreendimento prosperar. Dez anos depois, Edson inaugura sua própria fábrica de botijões, a Tecnorte, e de fogões, a Esmaltec.

Mídia e educação

A década de 1960 representava a estabilidade do ramo de gás engarrafado, mas o empreendedor queria novos desafios. Em 1962, adquiriu a Rádio Verdes Mares AM, já expressando sua afeição pelo jornalismo e pelos meios de comunicação. Não demoraria muito para que outras empresas do ramo se juntassem à rádio: TV Verdes Mares, em 1970; a Rádio Verdes Mares FM, em 1975; e o Diário do Nordeste, em 1981.

Já a fundação da Universidade de Fortaleza surgiu de uma crítica contundente à situação do Ensino Superior cearense na década de 1960. Em conversas com sua esposa, Dona Yolanda Queiroz, Edson Queiroz costumava dizer, não sem indignação, que o Ceará, precisando tanto de seus filhos, exportava-os.

Em março de 1971, foi criada a Fundação Edson Queiroz, uma entidade de direito privado sem fins lucrativos cujo objetivo era primordialmente incentivar a educação. O terreno de mais de 445 mil metros quadrados, adquirido na então avenida Perimetral, desenvolveu-se também a partir da fundação da universidade. Em dez anos, a Unifor alcançou a marca de 11,6 mil alunos matriculados em 18 cursos.

Edson Queiroz teve sua trajetória de sucesso interrompida em um acidente de avião, em 1982, quando o Voo 168 da Vasp se chocou contra a Serra da Aratanha, próxima a Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza. O legado do empresário é atualmente administrado por sua esposa e filhos, que vem dando continuidade ao trabalho de um dos maiores empreendedores do Ceará.

Mais informações

"Pioneiros & Empreendedores".

Em cartaz no Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321 - Edson Queiroz), de terça a sexta-feira, das 8h às 18h; e sábados e domingos, das 10h às 18h. Gratuito. Contato: (85) 3477.3319 e http://www.unifor.br

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER

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