Tecnologia

Uma viagem virtual

Museu do Futebol e Plataforma Google Arts & Culture apresentam exposição online sobre a Seleção de 1958

A equipe brasileira passa em ônibus da cidade ( Fotos: Antonio Lúcio )
00:00 · 11.07.2018
Comissão brasileira posa para foto em saguão do Palace Hotel, onde ficou hospedada, em Poços de Caldas, Minas Gerais. A cidade recebeu os jogadores para a concentração antes da Copa do Mundo de 1958
Durante a passagem pela cidade, a Seleção conheceu diferentes lugares. Alguns desses momentos foram registrados pelas lentes de Antonio Lúcio, que acompanhou a estadia dos jogadores

A Seleção Brasileira pode até ter adiado o sonho do hexacampeonato - ao perder para a Bélgica na última sexta-feira (6) no Mundial que acontece na Rússia. Entretanto, ainda vivem na lembrança dos brasileiros os tempos mágicos da seleção canarinho e suas outras cinco conquistas na Copa.

Idealizado para investigar, comunicar e preservar a história deste esporte no País, o Museu do Futebol, localizado em São Paulo, no Estádio Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu), abriu suas portas em 2008.

Neste ano, ao se completarem seis décadas desde a conquista da primeira estrela, a Seleção Brasileira ganhou uma exposição especial no espaço, "A Primeira Estrela: o Brasil na Copa de 1958".

Agora, do espaço físico a mostra expande-se parar o virtual. Por meio da plataforma Google Arts & Culture, ganhou novo rumo, nova curadoria e outro nome: "A Seleção em Poços de Caldas". Ambas as exposições lembram a conquista do primeiro campeonato em uma Copa do Mundo, no dia 29 de junho, de 1958, contra a Suécia, dona da casa. O placar foi 5 a 2.

Velha conhecida do Museu do Futebol, o Google Arts & Culture abriga mais sete exposições virtuais (além de "A Seleção em Poços de Caldas").

Acervo

As fotos, tanto na exposição física quanto na online, são do fotógrafo Antonio Lúcio Rodrigues Ramos (1930-2000), amante da cobertura esportiva. Teve suas fotografias publicadas em jornais como A Hora, O Esporte, O Cruzeiro, Manchete e O Estado de S. Paulo e foi vencedor de dois Prêmios Esso.

Além da chegada e da partida de Poços de Caldas, Antonio Lúcio registrou o treinamento dos atletas, que incluía o Método Dinamarquês - com técnicas da ginástica e exercícios feitos em aparelhos e com uso de pesos.

O fotógrafo também registrou uma simulação de jogo dentro do treino, atividade nunca antes realizada dentro dos treinamentos da Seleção

As imagens da concentração da Seleção só foram descobertas em 2013, pela filha do fotógrafo, a jornalista Silvia Herrera, 13 anos depois da morte do pai. Após publicar o livro "Seleção Nunca Vista" (2018), ela cedeu as fotos para o Museu do Futebol.

Junto com os textos, as imagens contextualizam os dez dias em que a Seleção Brasileira ficou concentrada antes de partir para a Suécia. Era a primeira vez que a Canarinho se reunia em uma concentração antes de ir a um mundial.

Sob a direção de Paulo Machado de Carvalho, o técnico escolhido para comandar o time nesta empreitada foi Vicente Feola. Sob os olhos atentos do treinador, dos 35 convocados apenas 22 partiram rumo à Suécia. A Seleção na época contava com figuras como Garrincha, Vavá, Pelé, Djalma Santos e Zagallo.

Linha narrativa

Na plataforma Google Arts & Culture a exposição passou por algumas modificações, no sentido de se adaptar ao novo meio, sob curadoria de Ligia Dona e Julia Terin (seleção de imagens e legendagem).

Com pouco mais de 20 registros, a mostra apresenta uma linha narrativa dividida em quatro partes: "Poços de Caldas - MG: O início da jornada do título Mundial de 1958"; "A escolha por Poços de Caldas"; "A concentração"; e "Despedida rumo ao...Título!".

Os textos que acompanham as fotografias ajudam o visitante a acompanhar a história rumo à primeira estrela. A edição na plataforma ficou a cargo de Aira Bonfim, responsável também pela pesquisa e pelos textos. A revisão e edição final é de Camila Aderaldo e Daniela Alfonsi.

Há, por exemplo, trechos de jornais e aspas de personagens importantes durante a concentração, como a do treinador Vicente Feola, do prefeito da cidade à época, Agostinho Loiola Junqueira, e de Hilton Gosling, médico da Seleção, que deu a palavra final na escolha pela cidade mineira.

Imersão

Considerada uma ferramenta para vivenciar as artes visuais de outra maneira, a plataforma Google Arts e Culture foi lançada em 1º de fevereiro de 2011 pelo Google, com apoio do Google Instituto Cultural. Inicialmente contava com a cooperação de 17 museus internacionais, entre eles gigantes como Galeria Tate, de Londres; o Museu Metropolitano de Arte, de Nova York; e o Uffizi, de Florença, Itália.

Em 2012, o projeto viveu uma grande expansão e hoje mantém parceira com mais de 151 museus de mais de 40 países e um acervo de mais de 32 mil obras, incluindo de pinturas famosas como "A Noite Estrelada" de Van Gogh.

A Google Arts e Culture pode ser acessada pelo computador e celular, via aplicativo, disponível nos sistemas Android e IOS. A plataforma hoje funciona em mais de 18 idiomas, incluindo o português.

Vale ressaltar que a experiência de imersão, pelo menos na exposição "A Seleção em Poços de Caldas", é mais completa via celular, já que a narrativa mobile oferece a possibilidade de ampliar as fotografias por meio da tela sensível ao toque.

No celular, a narrativa se apresenta em formato vertical e a história vai sendo contada de cima para baixo; assim, a leitura é facilmente acompanhada pelo movimento natural dos olhos. No computador, a visualização é horizontal, e requer o clique do mouse.

Mais informações:

Exposição "A Seleção em Poços de Caldas". Disponível na plataforma Google Arts & Culture: artsandculture.google.com

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