Exposição

Um passeio pela mente de Hitchcock

Exposição "Hitchcock - Bastidores do suspense" aproxima o público da experiência fílmica pensada pelo cineasta

00:00 · 07.09.2018 por Antonio Laudenir - Repórter
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Mostra tem como marca a capacidade de reunir itens raros e permitir que os visitantes sintam a experiência visual dos filmes do diretor

O interesse de Sir Alfred Hitchcock (1899-1980) estava nas plateias. Mais precisamente, no poder de orquestrar através de seus filmes as mais diferentes reações nos espectadores. Para tanto, investiu em inovações técnicas do cinema de seu tempo e buscou contar as mais diferentes histórias onde a reinvenção foi uma constante. Lapidando a cada obra o gênero do qual foi protagonista, o suspense, ele estabeleceu narrativas atemporais na sétima arte. Espelhou as regiões cinzentas de cada um de nós.

A oportunidade de adentrar cada vez mais este universo tem sido propagada através de mostras cinematográficas, encontro entre pesquisadores e publicações de trabalhos especializados em levantar o véu que incide sobre a filmografia do realizador britânico. De maior destaque recentemente, vale citar o caso do documentário "78/52", trabalho de Alexandre O. Philippe em que historiadores, críticos de arte, diretores e realizadores dissecam a famosa "cena do chuveiro" do clássico "Psicose" (1960).

A oportunidade de fãs, admiradores e estudiosos adentrarem cada vez mais o pensamento do aclamado "mestre do suspense" se configura na exposição "Hitchcock - Bastidores do suspense", em cartaz até 21 de outubro no Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP). Em tempo, a iniciativa busca ampliar a experiência fílmica arquitetada pelo realizador. Uma oportunidade de adentrar o legado do inglês através de longas-metragens fundamentais dentro dessa carreira. Tendo como força criativa a capacidade de recriar a atmosfera e personalidade deste autor, a retrospectiva ocupa os dois andares do museu e leva os visitantes aos bastidores destas produções por meio de uma atividade imersiva.

Entre os itens expostos estão fotos, manuscritos, cartazes e materiais de divulgação dos filmes, além de diversos outros elementos que compõem a obra do cineasta, produtor e roteirista. Concebida e desenvolvida pelo MIS a mostra contou com curadoria de André Sturm, cineasta e ex-diretor da instituição. A exposição tem como linha narrativa traçar um panorama da vida e obra do artista por meio de uma expografia interativa. A estimativa é trabalhar o conceito de levar o visitante a um set de filmagem.

Através da longa filmografia de Alfred Hitchcock, os visitantes podem conhecer os diversos aspectos e elementos que tornaram suas obras audiovisuais grandes sucessos e de elogiado vanguardismo técnico e artístico.

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Responsável por todas as etapas e processos de seus filmes, Hitch cuidava do argumento inicial ou pré-roteiro até a finalização e edição dos filmes, passando pela direção de arte, direção de fotografia e até indicação de como seria o design do pôster e seu plano de divulgação. Tal domínio e controle de todos os passo de produção dos filmes estão presentes na mostra, que aproxima do público um artista completo e preocupado com cada detalhe de suas produções.

"Hitchcock - Bastidores do suspense" se foca em mostrar o modo de fazer cinema do diretor, além de curiosidades e detalhes do longo período de sua produção no cinema. Nas 20 áreas que compõem a exposição, os longas-metragens selecionados vão desde a fase do cinema mudo aos grandes sucessos de público. "O estrangulador de louras" (1927), "A dama oculta", "Festim diabólico" (1948), "Um corpo que cai", (1958) e "Psicose" (1960).

A exposição reúne peças originais de instituições como o Acervo Marc Wanamaker|Bison Archives (Hollywood, California/EUA) e a Biblioteca Margaret Herrick, de Los Angeles, detentora do acervo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos (responsável pela entrega dos prêmios Oscar). A biblioteca conta com uma grande coleção pessoal de fotos e manuscritos de Alfred Hitchcock, doados pela única filha do cineasta, Patricia Hitchcock, e por sua neta, Tere O'Connell Nickel. O museu também garimpou peças em acervos pessoais como do pesquisador Carlos Primati, e de instituições como o CEDOC TV Cultura, Timothy Hughes Rare Newspapers e Acervo Walter Reuben.

Trajetória

Diretor, produtor e roteirista, a carreira de Hitchcock durou de 1919 a 1976. Após uma década como um dos principais diretores na Inglaterra, onde criou longas como "Chantagem e Confissão" (1929) e "A dama oculta" (1938), o realizador emigrou para os Estados Unidos em 1939. Na década de 1940, fez filmes como "A sombra de uma dúvida" (1943) e "Quando fala o coração" (1946), e na década de 1950 dirigiu, entre outros, "Pacto sinistro" (1951), "Janela indiscreta" (1954), "Um corpo que cai" (1958) e "Intriga internacional" (1959). O maior sucesso comercial veio com "Psicose" (1960) e em 1963 dirigiu o clássico "Os pássaros" (1963). Seguiu trabalhando no cinema e em 1976 lançou seu último filme, "Trama macabra" (1976). Também trabalhou na televisão à frente da antológica série "Alfred Hitchcock Apresenta", entre 1955 e 1962.

 

Fique por dentro

Pesquisas e textos pontuais sobre o mestre

Primeira publicação nacional dedicada exclusivamente a abordar aspectos da filmografia de Alfred Hitchcock, a obra "ÚNICA - Estudos Hitchcockianos" é organizada por Carlos Primati e Beatriz Saldanha, especialistas no estudo da filmografia do diretor. O livro conta com sete artigos das mais diversas áreas do conhecimento, passando por História, Jornalismo, Literatura e Psicologia. Os artigos são de autoria de Letícia Magalhães, Alcebiades Diniz Miguel, Tiago Lima, Fabrício Basílio, Rúbia Basílio, Rodolfo Stancki, Adriano Messias e Carolina Vanso França. "ÚNICA" é a marca da chave que Alicia (Ingrid Bergman) precisa entregar a Devlin (Cary Grant) para que ele possa destrancar os terríveis segredos ocultos do nazista Alexander Sebastian (Claude Rains) em "Interlúdio" (1946), o mais "brasileiro" dos filmes de Hitchcock, segundo os organizadores. "E foi esse símbolo poderoso que adotamos como inspiração para desvendarmos os mistérios mais intrigantes e destravar o conhecimento acerca da obra de um dos artistas mais influentes e populares do século XX", defendem os pesquisadores. O livro foi editado pela Clepsidra, uma nova editora paulistana que está se especializando em edições especiais para colecionadores e abrindo espaço para autores brasileiros. A capa é de autoria do artista gráfico Cristiano Siqueira, baseado em um fotografa do filme "Psicose" (1960).

Mais informações:

"Hitchcock - Bastidores do suspense", até 21 de outubro no MIS-SP (Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo) Horários: 10h-20h (terça a sábado) e 9h-18h (domingos e feriados) Contato: (11) 2117.4777

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