Exposição

Um homem de pensamento e ação

00:29 · 30.03.2012
Roberto Simonsen...
Roberto Simonsen... ( )
... o engenheiro valorizava a entrega de obras dentro do prazo
... o engenheiro valorizava a entrega de obras dentro do prazo ( Fotos: Rodrigo Carvalho )
Intelectual e homem de negócios, Roberto Simonsen fez parte da história do desenvolvimento do Brasil

De forma precoce, o engenheiro, empresário, político e intelectual Roberto Simonsen ajudou a escrever um capítulo da história econômica do Brasil. Homem de pensamento e ação, deixou um legado importante. É o que apresenta a exposição "Pioneiros & Empreendedores", em cartaz na Universidade de Fortaleza (Unifor). A mostra, que inclui outros nomes do pioneirismo brasileiro, tem origem na série de livros homônima do professor Jacques Marcovitch.

É dele a frase que diz que "otimismo é esperar pelo melhor e confiança é saber lidar com o pior". E tudo foi muito rápido na vida de Simonsen. Nascido em 18 de fevereiro de 1889, no Rio de Janeiro, passou a infância em Santos, onde fez o primário. Depois foi para São Paulo continuar os estudos. Aos 15 anos entrou na Escola Politécnica, formando-se engenheiro. Aos 20 anos já era diretor geral de Obras da Prefeitura de Santos.

Apesar de ser prodígio, ajudou o fato de Roberto Simonsen ser filho de Sidney Martin Simonsen, cidadão londrino que veio ao Brasil ainda jovem como gerente do chamado Banco Inglês, e de Robertina Cochrane Simonsen, da tradicional família Cochrane, que tinha bastante poder em Santos. Para se ter uma ideia, o avô paterno Inácio Cochrane foi deputado na Assembleia Legislativa provincial de 1870 a 1879, dirigiu uma das maiores empresas exportadoras de café de Santos, foi diretor da Companhia Paulista de Estradas de Ferro e fundou a Companhia Melhoramentos de Santos, que trouxe capitais ingleses para organizar os serviços de bondes, água e luz da cidade.

Iniciativa privada

Roberto Simonsen passou dois anos como engenheiro da Southern Brazil Railway e chegou a ser chefe da Companhia Melhoramentos de Santos. Depois disso lançou-se na iniciativa privada. Aos 23 anos reunia em torno de seu nome um grupo de investidores para lançar a Companhia Construtora de Santos. A empresa prosperou foi matriz de vários outros negócios, graças a uma mistura de competência e bons relacionamentos. A empresa edificou habitações particulares, loteamentos em bairros operários e de luxo, armazéns e estabelecimentos industriais. Obteve em concorrência pública diversas obras municipais, executando toda espécie de pavimentação e tendo nos projetos e na execução do recalcamento de Santos uma influência decisiva.

Foi acionista de empresas como a Companhia Frigorífica de Santos, da Companhia Nacional de Artefatos de Cobre, a Cerâmica São Caetano. Abriu escritórios permanentes no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde ganhou concorrências importantes para o reforço do abastecimento de água e construção de parte de novos emissionários de esgotos em Santos. Sempre demonstrando orgulho pela rapidez com que entregava suas obras. Além dos departamentos comercial e técnico, Simonsen atribuía grande importância ao departamento de produção, que trabalhava com a preocupação exclusiva de produzir dentro dos tempos previstos, dos custos orçados, e das especificações preestabelecidas. Foi, inclusive, um dos fundadores do Instituto de Organização Racional do Trabalho (Idort).

O intelectual

Simonsen desempenhou um papel importante no grupo de intelectuais que lançou o manifesto de que decorreu a fundação da primeira Escola de Sociologia e Política existente no Brasil e ali assumiu a cadeira de professor de História da Economia Nacional. De seus ensinamentos e pesquisas resultaram obras como "História Econômica do Brasil", "Aspectos da Economia Nacional" e outras que abordaram especialmente a evolução da indústria no Brasil.

Como historiador, evitou se guiar por sistematizações doutrinárias e conceitos metodo- lógicos. Conseguia ser objetivo e realista, o que não quer dizer que tenha sido uma unanimidade. FOI membro de inúmeras instituições, nacionais e estrangeiras, entre as quais os institutos históricos e geográficos de São Paulo, Santos e Rio; a Academia Paulista de Letras; a Academia Portuguesa da História; o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro; o Instituto de Engenharia de São Paulo; o National Geographic Society, de Washington e o Royal Geographic Society, de Londres.

Roberto Simonsen morreu em 15 de maio de 1948, durante uma sessão solene da Academia Brasileira de Letras. O acadêmico iria saudar o primeiro-ministro da Bélgica, Paul Van Zeeland, em visita oficial ao Brasil. Pretendia afirmar que Zeeland tinha o hábito de "agir como um homem de pensamento e de pensar como um homem de ação". Mas não chegou dizer. Interrompeu o discurso nas primeiras frases e morreu de um enfarte.

Mais informações:

Pioneiros & Empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil. Até 13 de maio, no Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz). De terça a sexta, das 8h às 18h; sábados e domingos, de 10h às 18h. Entrada e estacionamento gratuitos.
Contato: (85) 3477.3319.

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