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Um "empurrão" inédito e generoso na cena musical

Laboratório propõe a criação de espetáculos musicais em ambiente privilegiado para artistas cearenses

00:00 · 20.04.2014
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Projetos "Jornada de Violão e Viola" e "Jangada Electra" ( Foto: Jacques Antunes / Divulgação )

Quem trabalha com música sabe quanto é longa e árdua a jornada para consolidar um trabalho autoral e conseguir o reconhecimento do público. As dificuldades são ainda mais acentuadas pela ausência de estruturas difusoras dos trabalhos de músicos cearenses. Buscando catalisar e alavancar o processo em etapas de "lapidação" de talentos locais, o Laboratório de Música da Escola Porto Iracema promoveu ao longo de sete meses encontros para a produção criativa de cinco espetáculos musicais que devem bater nos palcos da capital cearense e de outras cidades logo em breve.

"Quando surgiu a ideia, não tínhamos modelos para nos basear", disse Paula Tesser, coordenador do laboratório. Feita a aposta, foi a vez de escolher quais nomes iriam fazer parte da empreitada. Ao todo, foram inscritos 44 para participar dessa primeira experiência, até então inédita no Ceará.

Os projetos foram selecionados por nomes experientes da cena musical brasileira. A comissão foi composta por Paulo André, produtor do festival Abril Pro Rock; Domingo Araújo, percussionista carioca, e Gisele Galdoni, ex-produtora do músico Wagner Tiso. "A qualidade dos projetos surpreendeu a comissão. Boa parte deles apresentava potenciais reais", afirma Paula Tesser.

Após a avaliação, foram escolhidos os projetos "Ouvir dizer que lá faz sol", "O Preço do Sucesso", "Da Funhouse para o Mundo", "Jangada Electra" e "Jornada de Violão e Viola".

Foram ofertadas aos grupos selecionados apoio em todas as etapas da produção da criação das apresentações, incluindo a designação de tutores selecionados pelas próprias bandas para acompanharem todo o desenrolar do processo. Os artistas também tinham acesso a equipamentos profissionais de gravação em estúdio, como no processo de tutoria, em que os encontros aconteciam no estúdio Magnólia. Mesmo sem estar dentro dos planos iniciais, os produtos finais de cada projeto deverão virar álbuns, já em vias de produção. Os registros estão sendo realizados no renomado estúdio musical Ararena. Um ambiente privilegiado.

Paula Tesser fala que o laboratório aproveita um momento de efervescência musical no Estado, ilustrado pelo número e qualidade de inscrições para o processo seletivo. Para a coordenadora, o laboratório não "cria" artistas, já que os músicos selecionados já possuem tempo relevante de estrada. "Estamos ajudando a esses cinco produtos a ficarem o mais redondo possível, preenchendo algumas lacunas. O laboratório é uma espécie de incubadora em que os projetos progridem de uma maneira mais rápida do que aconteceria sem ele", argumenta.

Resultados

O projeto "Ouvir dizer que lá faz sol", de Lorena Nunes, tem tutoria de Beto Villares (SP) e propõe espetáculo que tem por centro a música e dialoga com diferentes linguagens artísticas. "O Circo dos Littles e Outros Brinquedos", da banda Hardy e o Fim do Mundo, que possui Arrigo Barnabé (SP) como tutor, realiza experimentações em distintas linguagens. "Da Funhouse para o Mundo", Jonnata Doll & Garotos Solventes e tutoria de Alexandre Kassin (RJ), planeja o lançamento nacional do primeiro disco da banda e a possibilidade de turnês pelo Brasil.

"Jangada Electra", da banda Banana Scrait e do tutor Adriano Cintra (SP), interpreta livremente canções do maestro Alberto Nepomuceno.

"Jornada de Violão e Viola", do músico cearense Marco Leonel Fukuda, com tutoria de Guilherme Cruz (MS), trata de uma pesquisa de sonoridades entre o violão de seis cordas e a viola caipira de dez cordas, dando continuidade a seu trabalho anterior.

Leonardo Bezerra
Repórter

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