artes visuais

SP-Arte: galerias apostam alto

00:00 · 12.04.2018 por Mario Gioia - Agência Estado
Obra do artista paulista Loio-Pérsio
Obra do artista paulista Loio-Pérsio (1927- 2004), uma das apostas da galeria Mapa, com obras expostas na seção Repertório da SP-Arte

No rol de galerias que abrem suas portas no circuito paulistano ou que estreiam na SP-Arte, o bairro do Jardins se consolidam como o bairro preferido para tais espaços. O aspecto comercial é importante, mas às vezes o formato é a ponta de um projeto que inclui institutos, ações socioeducativas e ainda programas de residências.

E todas veem na principal feira paulistana uma vitrina indiscutível, que propicia intercâmbios e transações que se estendem o ano inteiro.

> SP-Arte: festival imagético

"Para uma galeria pequena, a SP-Arte é um investimento alto. Vivemos num misto de ansiedade e otimismo", conta o designer Marcelo Pallotta, 51 anos, que lidera a Mapa desde novembro de 2016 e quer se especializar em "nomes que deveriam ter mais reconhecimento". Com sede na Consolação, aposta no abstrato Loio-Pérsio (1927- 2004), exposto na seção Repertório, um recorte de nomes mais históricos dentro da feira.

"Acho que surpreenderemos com telas grandes do artista, que ainda não têm uma valorização à altura", acredita.

Mais experientes no mercado são a Sim e a Simões de Assis, ambas de Curitiba, agora também com uma sede nos Jardins, encravada entre as ruas Bela Cintra, Haddock Lobo e Oscar Freire, onde há um significativo mercado de luxo.

"Demorou um ano para encontramos o local e era fundamental que estivéssemos no meio do circuito, perto de grandes galerias", conta Guilherme Simões de Assis, 30 anos.

A Simões de Assis tem um elenco de medalhões. Já a Sim atua com um time contemporâneo - atualmente com uma individual de Julia Kater, artista paulistana nascida na França que tem no fotográfico o principal vetor de produção.

Investimento

Estreante na SP-Arte, mas ativa desde outubro de 2016, a atriz Janaina Torres, 45 anos, investiu num pequeno espaço no Jardim Paulistano e criou um elenco "afetivo".

"Tenho de criar afinidades com o artista. É uma relação de parceria, sou de ir e vir para o ateliê deles", explica ela. No grupo de representados está o carioca Daniel Jablonski, que concorre ao prêmio de residência oferecido pela feira paulistana e pela Delfina Foundation, de Londres. Em cartaz na galeria, são exibidos pinturas e desenhos de Renata Pellegrini.

A nova fase da Emmathomas também se desenha numa das ruas dos Jardins, a alameda Franca. O novo proprietário é o empresário e artista Marcos Amaro, 33 anos, filho de Rolim Amaro (1942-2001), da TAM. O curador e crítico Ricardo Resende, 56 anos, assina a direção artística do empreendimento, cuja marca foi comprada de Juliana Freire, que, mesmo em pequena escala, conseguiu oxigenar o circuito paulistano de arte contemporânea.

"A galeria é uma parte do programa estabelecido pelo Marcos. Em ações simultâneas, há a fundação, onde artistas residentes como Edith Derdyk e Rodrigo Sassi desenvolverão trabalhos específicos para o local", relata Resende (ex-CCSP e Funarte).

"Existe também um programa de esculturas temporárias em Mairinque, numa área de preservação permanente", complementa.

A nova sede da galeria, inaugurada na última terça-feira (10/4), recebe exposição coletiva assinada por Resende que reúne desde obras de artistas escolhidos por Juliana - Alan Fontes e Paula Klien - e os incorporados pela nova direção - Gilberto Salvador e Kimi Nii, entre outros.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.