Lançamento

Soldador de palavras

01:56 · 09.11.2007

“As cores do tempo”, novo livro de Majela Colares, será lançado, hoje, às 19h30, no Centro Cultural Oboé


A obra está dividida em seis capítulos: “Confissões de Dívida e Outros Poemas (1993 - 2001), “Outono de Pedra” (1994), “O Soldador de Palavras” (1997), “A Linha Extrema” (1999), “Quadrante Lunar” (2005) e “Amostra Crítica”. Os cinco primeiros capítulos reúnem 90 poesias de Majela Colares, enquanto a última parte do livro abriga textos com os mais diversos depoimentos sobre o autor.

“Poema Anônimo” dá início à primeira parte da obra de Majela Colares: “O poema que não fiz/ sorri comigo e sofre/ e dorme e finge/ pensa a anônima forma/ só para não ser/ enfim, subjuntivo/o poema que não fiz/ surge do nada/ e conspira a relatividade do tudo/ (é a razão variável do verbo)/ não há palavras/ não há gestos/ metáforas/ tinta/ que o descreva./ O poema que não fiz/ (mas sempre canto)/ fecunda a própria poesia/ que me seduz a vida inteira”.

Outros 19 poemas completam o primeiro capítulo. Entre eles, “Anotação Antiga”: “Quando a noite/ com seu eterno e sutil silêncio descer/ repousarei sob a consciência/ breve/ meus olhos irão se desvanecer, breve/ em pálpebras inertes.../ a mente vagará em outras dimensões/ disperso/ ficará anotado em meu diário:/ meu dia não foi em vão, amanhã serei outro tempo”.

No segundo capítulo, “Outono de Pedra” (1994), o autor reuniu mais 12 poemas. Predominam, nesta parte, pequenas poesias, como “Canto I” (“O sol posto/ em cada pálpebra/ um sol posto/ os cílios não terão amanhãs?”) e “Canto VI” (“Essa história/ longa e árdua/ vem escrita/ vem traçada/ pela tinta/ vil e trágica/ rascunhando/ noutras linhas/ transcrevendo/ noutras páginas/ falsas letras/ desbotadas/ no silêncio/ das palavras”.

O “Soldador de Palavras”, terceiro capítulo do livro, traz 21 poemas. Segundo o crítico literário português Francisco Soares, este grupo de poesia agrada pelo tom enevoado, aéreo e corpóreo ao mesmo tempo. “A par disso, é de se admirar que hoje ainda se considerem poetas capazes de não temer a forma clássica, tanto quanto o nevoeiro também ela etérea e corpórea na mesma verso poético”.

Etérea, conforme Soares, no treino do seu ritmo, que exige graciosidade, imaginação e gravidade em simultâneo. “E corpórea quanto ao seu alfabeto fonético, aos códigos de rima, às pausas suspendendo o sopro ritualmente, à transparência aparente das imagens compondo um corpo disciplinado”.

O quarto capítulo do livro é composto de um único e grande poema, que se estende por 30 páginas. Em “Linha Extrema” tudo é medido, rimado, estruturado. Trata-se de uma coroa de poemas à procura de uma unidade. Um périplo verbal cadenciado, cuja virtude maior consiste em ritmar os intervalos, a fim de enriquecer a magia das pausas.

“Quadrante Lunar”, quinto capítulo, é o mais longo do livro. Reúne 37 poesias. Entre elas, uma que dá nome ao capítulo, “Quadrante Lunar”: “A cortina esvoaça, a luz se agita/ as sombras na penumbra são imagens/ que projetam no tempo a voz aflita/ de outras eras - sussurros e miragens/ contidas na memória, luz e sombras/ que acenam na distância, de paragens/ entre luas antigas, vento, velas/ o silêncio do tempo circundante/ moldurando a cortina e a janela/ a lua decifrada em um quadrante”.

O livro é fechado com o capítulo “Amostra Crítica”, que reúne vários depoimentos sobre o autor e sua obra. Entre os que dão depoimento, estão o poeta cearense Francisco Carvalho, a ensaísta argentina Norma Pérez Martín, o escritor espanhol Xosé Lois García e o poeta alemão Curt Meyer-Clason.

POESIA

"As Cores do Tempo"
Majela Colares
220 páginas
R$ 30
CALIBÁN
2007

Serviço:
Lançamento de ´As Cores do Tempo´, de Majela Colares, hoje, às 19h30, no Centro Cultural Oboé (Rua Maria Tomásia, 531, Aldeota). Informações: (85) 3264.7038.

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