Lançamento

Skank revisita suas origens

00:00 · 03.09.2018
Image-0-Artigo-2447605-1
Samuel Rosa, Henrique Portugal, Lelo Zaneti e Haroldo Ferretti: hoje cinquentões, integrantes do Skank revisitam três importantes discos da banda

A história que será contada em alguns anos é essa: a música produzida em Belo Horizonte e Minas Gerais naquele início de década de 1990 era rica, mas o engessado mercado da música da época só queria saber de Milton Nascimento e outros que bebiam diretamente dessa (ótima, é bom dizer) fonte "clubedaesquinística".

O rock brasileiro florescera na década anterior, em polos como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, mas Minas, estado que tinha bandas com sucesso local, não ganhava repercussão nacional. Um CDzinho demo com o primeiro álbum do Skank, uma banda de rock que tentava criar o dancehall (a grosso modo, um reggae sem ser tão político ou religioso) em uma cidade escondida por montanhas chegou ao Rio de Janeiro nas férias de verão, a bordo dos carros de mineiros que curtiriam as praias cariocas naquela temporada. E, assim, veio o primeiro contrato, o primeiro disco e a história que ajudou a moldar o que se entende como pop-rock daquela geração.

Mas quem ouve essa história são Samuel Rosa, Henrique Portugal, Lelo Zaneti e Haroldo Ferretti de hoje, de 2018, todos por volta dos seus 50 anos (Ferretti é o único com 49 ainda). Para eles, é assim que será contado o começo do Skank no futuro, mas, por enquanto, eles podem dizer que se trata de uma história "romantizada demais", brinca Rosa.

"Mas é importante ressaltar que Belo Horizonte ficou à margem do rock brasileiro dos anos 1980. E que essa geração de bandas da década seguinte apareceu como uma surpresa. Gente que misturava ritmos, rock com maracatu, com forró, com reggae".

Resgate

O Skank vem de um raro momento de olhar para trás na carreira. Eles, que sequer têm uma versão de disco "acústico" (moda para a geração de bandas nacionais nascidas até o início os anos 2000), se permitiram esse resgate do passado, com o lançamento hoje do primeiro de três EPs gravados ao vivo que integra o projeto "Os 3 Primeiros" (Sony Music, R$ 19,90 ou nas plataformas digitais).

Como o nome diz, trata-se de um resgate das canções dos três primeiros discos da banda - "Skank" (1993), "Calango" (1994) e "O Samba Poconé" (1996) - que não foram "as músicas de trabalho" (termo adorado na época), ou foram engolidas pelos hits radiofônicos que levaram o Skank a rodar o País e o mundo naqueles três anos intensos - caso de "Jackie Tequila" e "Te Ver" (de Calango), ou "Garota Nacional", "Tão Seu" e "É Uma Partida de Futebol" (do Samba Paconé).

Gravado a partir de um show realizado no Circo Voador, no Rio de Janeiro, o projeto "Os 3 Primeiros" dá espaço para músicas como "Tanto (I Want You)", "Homem Que Sabia Demais" e "In(Dig)nação", todas do primeiro álbum.

Cada um dos EPs trará algumas das canções (na versão ao vivo gravada em vídeo e áudio no Circo Voador) de cada um dos três primeiros discos, a começar por "Skank", que sai neste sábado (1). O EP2, com músicas de "Calango", sairá em 14 de setembro. O EP com versões de "Samba Poconé" chega às plataformas digitais no dia 28. O DVD do show completo chega às lojas em 5 de outubro.

Mas o Skank de hoje não olha apenas para o retrovisor para observar a estrada que ficou para trás. Com o lançamento, eles colocarão na rua a música "Beijo na Guanabara", da época de 1990, mas nunca gravada pela banda. Desde agosto, as rádios já tocam "Algo Parecido", canção que tem a pegada do Skank atual (mais leveza e violão). "Esses três primeiros discos marcaram uma sonoridade da banda", explica Samuel.

A partir do quarto trabalho, o Skank se aproxima do que a gente ouve hoje. "Desde o começo, nossa ideia era, com esse lançamento, também mostrar músicas inéditas", ele explica. A estrada, afinal, segue em frente.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.