MÚSICA

Resquícios de 2017

A segunda edição do projeto Dragão Blues, em 2018 acontece nesta sexta (26), no Centro Dragão do Mar

00:00 · 26.01.2018 por Felipe Gurgel - Repórter
O gaitista Diogo Farias e o guitarrista Alvim de Paula, dois participantes do tributo desta edição do Dragão Blues

O ano começou, para o blues feito no Ceará, ainda com um pé em 2017. A segunda edição do projeto Dragão Blues, parceria entre a Casa do Blues e o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), acontece nesta sexta (26), às 19h, com acesso gratuito, no Espaço Rogaciano Leite Filho.

Segundo o músico e produtor Alvim de Paula, a apresentação ainda faz parte do calendário do projeto do ano passado. "Fizemos um tributo à guitarra slide na última sexta (19). E, para a próxima edição, no dia 9 de fevereiro, está programada uma homenagem ao Robert Johnson (1911-1938, músico da cena do Mississipi Delta Blues)", adianta.

Nesta sexta, o Dragão Blues traz um tributo à cena do West Coast Blues (situada na costa oeste dos Estados Unidos). Os músicos Alvim de Paula (guitarra e voz), Diogo Farias (gaita e voz), Leonardo Vasconcelos (piano), Gerônimo Neto (baixo acústico) e Denilson Lopes (bateria) vão revisitar o repertório de nomes como Little Charlie & The Nightcats, Kim Wilson, Rod Piazza e John Harman.

Alvim, que além de organizar o projeto também toca com a banda De Blues em Quando, veterana no cenário local, diz que seu grupo autoral e nomes como o guitarrista Igor Prado (SP) costumam trabalhar em cima dessa vertente, no Brasil. O músico cearense dá exemplos de como o West Coast Blues se diferencia, em termos de sonoridade, em relação a outras vertentes blueseiras.

"Tem um papel mais destacado do piano. Surge a gaita cromática, não a diatônica. Na execução dos solos de guitarra, há uma maior riqueza melódica. Há algumas diferenciações também do ponto de vista das levadas", detalha o guitarrista.

A escolha do tributo faz parte, também, do papel "educativo" do Dragão Blues. Alvim de Paula observa que o público, em geral, reconhece a vertente do blues rock. Cabe a essa e outras iniciativas do gênero apresentar diversas maneiras de se tocar o blues. "Por isso que, desde o início do projeto, há três anos, programamos diversos tributos, como o Chicago Blues, ao Eric Clapton, Steve Ray Vaughan, Gaita Blues", exemplifica Alvim. Ele coloca que, além de transmitir conhecimento ao público, os tributos exigem uma preparação mais dedicada dos músicos. Os ensaios passam pela possibilidade dos artistas "beberem na fonte" da vertente que serve de tema para aquela homenagem.

"Todos os músicos que participam têm muito aprendizado. A gente, da produção, sempre faz a escolha do repertório, respeitando uma temática específica. Dá muito trabalho, mas o resultado é espetacular", qualifica Alvim.

Avaliação

Indagado sobre qual seria sua avaliação do Dragão Blues após três anos de realização, o produtor recapitula que o projeto teve edições mensais, criou uma marca e ainda formou público. "Acho que foi muito positivo, houve uma movimentação bastante razoável nas mídias sociais. Envolvemos o público de modos diferentes. Tem gente que aparece dizendo que acabou de montar uma banda, influenciada por nós, e isso nos surpreende", percebe Alvim.

O músico lembra pessoas que faziam parte do público do projeto e se tornaram músicos posteriormente. Na programação, frisa a presença de nomes mais consolidados do blues cearense, a exemplo do guitarrista Artur Menezes, "que hoje está na Califórnia. Você tem o (vocalista e guitarrista) Felipe Cazaux, o (gaitista) Diogo Farias, um cara que faz intercâmbio com os gaitistas de todo o Brasil", destaca.

Casa do Blues

Alvim de Paula situa que, atualmente, é diretor financeiro da Associação Casa do Blues. A entidade se encontra sob direção de Leonardo Vasconcelos e deve passar por mudanças na gestão em breve. A associação atua desde 2009 e desenvolve outros projetos além da parceria com o Dragão do Mar.

"Temos projetos específicos montados, que vão desde apresentações das bandas que compõem a associação à realização dos tributos", detalha o músico.

Além da Casa do Blues e de seu emprego como executivo de empresas e professor universitário, Alvim se dedica à trajetória da banda De Blues em Quando, na ativa há mais de 10 anos. No grupo, ele toca guitarra, lapsteel e cigar box.

"Nós, quando éramos jovens, queríamos ser músicos full time (em tempo integral), mas seguimos outras carreiras. Então somos músicos parte do tempo. A gente toca o que quer, no projeto que quer, então (a banda) só faz de 10 a 20 apresentações por ano, em média", conta.

Mais informações:

Projeto Casa do Blues, em homenagem ao West Coast Blues. Nesta sexta (26), às 19h, no Espaço Rogaciano Leite Filho do CDMAC (R. Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema). Acesso gratuito. Contato: (85) 3488.8600

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