Música

Quase celebridades, quase planeta

O quarteto Subcelebs lança EP hoje, no Berlinda. Trabalho dos cearenses flerta com referências do indie pop

00:00 · 23.10.2015 por Felipe Gurgel - Repórter
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Subcelebs divulga seu EP de estreia, puxado pela experiência do casal Igor Miná e Alinne Rodrigues; acima, Plutão Já Foi Planeta, com quem dividem a noite

O indie pop talvez seja um daqueles gêneros musicais que mais confunde do que esclarece. Segue a tendência, comum hoje, de "hibridizar": aquele som reto, palatável, de repente ganha arranjos "sujos", efeitos que não passariam pelo crivo dos escritórios das grandes gravadoras de outrora.

Com um pé no mainstream, outro no underground, o estilo apresenta algumas referências emblemáticas na história (o Pixies, por exemplo) e outras de menor relevância, no Brasil, mas que ainda são reconhecidas (como o Ludov/SP).

Em Fortaleza, o quarteto Subcelebs surge desse princípio. Hoje, Igor Miná (voz e guitarra), Alinne Rodrigues (voz, sintetizadores e efeitos), Eric Catunda (baixo) e Nyelsen Bruno (bateria) lançam seu EP de estreia, homônimo, na Berlinda (nova casa de shows na Praia de Iracema). A festa é a primeira edição da "Mocker Nite", realizada pelo Mocker Studio, combo de produção musical tocado pelo casal Igor e Alinne. O quinteto Plutão Já Foi Planeta (RN) fará o show de abertura da noite.

O Subcelebs, formado este ano, não é a primeira experiência do casal com a música. Igor e Alinne fundaram a Telerama (2005-09) e, posteriormente, criaram a Banda Desenhada. "Que foi muito mais um projeto pra gravar, do que pra fazer shows. Tanto que, com ela, a gente só fez três shows: um em Fortaleza, outro em Austin (Texas/EUA), em 2010; e um terceiro em Montreal (Canadá), em 2013", detalha Igor.

Divulgando as quatro faixas do EP ("Manifesto", "Galera Paia", "Corações Avariados" e "Azedou", nessa ordem), Igor comenta o que vislumbra com a Subcelebs. Uma estética impecável não importa. "A gente já quis mudar o mundo, como toda boa banda de 20 e poucos anos. Hoje a ideia é outra: é produzir sem se importar muito se está perfeito ou não. Ou com o que vão dizer", resume.

"Na época da Telerama, as críticas quanto à afinação ou à qualidade de gravação atingiam muito a gente, mas hoje o nosso pensamento é que música é muito mais que isso", observa. O disco está disponível para audição na Internet em subcelebs.Bandcamp.Com.

O instrumental do Subcelebs no EP é bem produzido, coeso - com a "sujeira" nos arranjos (o "ponto fora da curva" do indie pop em relação ao pop clássico), reforçada pelo baixo com distorção. As faixas têm apelo pop. E a voz, mesmo que traga letras com "recados diretos" (em "Manifesto" e "Galera Paia"), fica em segundo plano na sonoridade. Aparece discreta, como que reproduzida por um megafone. Tanto na voz de Alinne, como nas faixas em que Igor canta.

O vocal masculino é uma das diferenças do Subcelebs, se comparado à Telerama e à Banda Desenhada. Nas bandas anteriores, só Alinne cantava. "Tem sido massa. Embora eu compusesse na Telerama, ainda não tinha rolado de cantar. E, como todo mundo na 'Sub' está cantando também, a coisa toda fica bem mais divertida", conta Igor.

Parceiros no trabalho e no resto da vida, o casal Igor Miná e Alinne Rodrigues comenta como concilia isso no dia a dia. Além do envolvimento com a música, ambos são formados em Comunicação. Ele é publicitário; ela, jornalista. "Dá (briga) às vezes, mas é tudo construtivo (risos). A briga é para o outro se desligar dos projetos pelo menos um tempinho", observa Igor. Alinne complementa: "a gente vive uma realidade de 'lifestyle business'. Nossa vida é nosso trabalho. A gente escolheu ter esse estilo de vida rock, sempre produzindo e trabalhando no que acredita".

Abertura

Pela terceira vez em Fortaleza, os potiguares do Plutão Já Foi Planeta estão na ativa desde 2013 e são outra nova referência do indie pop no Nordeste.

"Nos últimos shows que fizemos em Fortaleza, o público recebeu nosso som com muita atenção. Quem não conhecia tinha o carinho de parar e contemplar o show. Nos sentimos muito bem acolhidos como banda autoral", disse a vocalista Natália Noronha. Além dela, Vitória de Santi (synths e baixo), Gustavo Arruda (voz, guitarra e baixo), Sapulha Campos (voz, guitarra, ukulele e escaleta) e Khalil Oliveira (bateria) formam o quinteto.

Antes de consolidar um repertório autoral, o grupo experimentou criar versões. O "medley" de "Toxic" (da cantora pop Britney Spears) com "Você não vale nada, mas eu gosto de você" (do conterrâneo do forró, Dorgival Dantas) pode ser visto no You Tube. "Já conhecia a versão que a Tiê (cantora paulista) havia feito da música do Dorgival, e sempre curti a da Britney. É muito boa de cantar. Colocamos a nossa cara (nas composições), mas hoje não tocamos mais ao vivo", conta Natália.

Não por acaso, a banda está predestinada a responder, por tempo indeterminado, qual foi a inspiração para o nome do grupo. "Somos muito questionados em relação a isso (risos). Surgiu de uma pequena confusão. O Sapulha chegou com a sacada do 'Plutão Já Foi Planeta'. Rolou um mal entendido e ficamos com 'Júpiter Já Foi Planeta', achando que Júpiter era o planeta rebaixado. Depois nos tocamos do erro, e voltamos ao que é hoje", explica a vocalista.

Disco

Subcelebs
Subcelebs

Mocker Studio
2015, 4 faixas
R$ 8

Mais informações:

I Mocker Nite. Hoje (23), às 21h, no Berlinda (Rua Dragão do Mar, 198, Praia de Iracema). Ingressos: R$ 20 (antecipados, no site eventick.

com.br/ mocker-nite) e R$ 25 (na hora). Contato: (85) 98867.2278

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