Teatro infantil

Quando as coisas desaparecem

Peça traz a temática da morte para o público infantil e incentiva os pais a conversar sobre este assunto em casa

00:00 · 07.09.2018
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O espetáculo solo é do Coletivo WE com apoio do Grupo Enfoco ( FOTO: EDUARDO BRUNO )

O que acontece quando as coisas simplesmente deixam de existir? O questionamento vai mais além em "Para Onde Vão as Meias Quando Elas Desaparecem?" espetáculo escrito por Eduardo Bruno e Waldírio Castro que traz a morte como tema central. A peça feita para o público infantil quebra o tabu e aposta na temática da finitude para conquistar essa nova plateia em formação.

Com oito apresentações previstas para os sábados e domingos de setembro, a montagem acontece no Teatro Dragão do Mar, sempre às 17h, ao valor de R$ 10 (inteira).O espetáculo solo é do Coletivo WE com apoio do Grupo Enfoco. Além de Eduardo Bruno, que assina a direção, e Waldírio, que interpreta o protagonista Kali, a montagem contou com a contribuição de Danilo Pinho (preparação vocal) e Samia Bittencourt na construção da cena cômica.

"Esse trabalho tem alguns pontos interessantes, o principal é a temática. Para um trabalho infantil falar sobre a morte, um tema que as pessoas evitam falar com as crianças por achar que elas não vão entender, que é difícil demais, é desafiador. Para nós não há tema que não possa ser falado para a criança, tudo depende de como o assunto é repassado", explica o diretor, Eduardo Bruno.

Cena

"O tema da morte já veio de imediato, já pela nossa vivência. Víamos que essa temática sempre ficava de escanteio, e nunca era colocada no teatro infantil. Achamos que era um tema interessante, que era importante falar, porque geralmente os pais não sabem como se articular e falar sobre isso", pontua o ator.

Indo além das questões já batidas no teatro infantil, como histórias de princesas e trabalhos montados para ter uma estética encantadora, "Para Onde Vão as Meias Quando Elas Desaparecem?" aposta em um cenário independente, com objetos do cotidiano, como caixas, um banquinho, óculos e a famosa meia perdida.

O guarda-chuva é outro adereço constantemente presente nas apresentações. O objeto remete a um dos livros infantis que serviu de referência para a criação do roteiro: "A Mãe Que Chovia", de José Luís Peixoto. Outra obra que contribuiu para essa construção foi "Para Onde Vamos Quando Desaparecemos?", de Isabel Minhós Martins.

A obra de José Luís Peixoto traz a história de uma mãe que está doente e antes de falecer explica que vai virar chuva. Na narrativa, o personagem Kali sempre ouvia essa mesma historinha de sua avó. Kali, quando se depara com a ideia de vender a casa da familiar, já falecida, vai repassando todos esses momentos por meio de lembranças.

"A peça não é apenas para crianças, mas é uma linguagem pensada principalmente para elas, mas não de forma infantiloide, que tenha que ser mastigada. É fácil de ser entendida. Precisamos entreter a dinâmica dessa criança contemporânea, que já nasce no meio da internet", ressalta Eduardo.

Para os adultos, os roteiristas trazem referências como o musical de Hollywood "Cantando na Chuva" (1952) e o sucesso de Roberto Carlos, "Despedida" (2005). "É papel da família discutir esse tema com as crianças, por isso o espetáculo também é para os pais, estamos apenas apontando o caminho", conclui o diretor.

"O público precisa perceber o teatro infantil de outra maneira, porque geralmente o que vem acontecendo é que os pais levam as crianças para montagens que são quase televisão com cinema, meio infatiloide. Coisas que não são tão elaboradas narrativamente", alerta Waldírio.

Montagem

O trabalho surgiu no começo de 2017. A experiência de Eduardo Bruno na montagem de "Além dos Cravos", para o Grupo Enfoco, que trazia a mesma temática, só que para o público adulto, soma-se com a de Waldírio Costa, atuante no teatro infantil. A montagem estreou no projeto Teatro na Escola, onde os artistas puderam testar a apresentação para as crianças sem um mediador.

Foram um total de 16 apresentações em oito escolas diferentes de Fortaleza. "Tivemos muitas respostas dos professores, foi um feedback importante e que usamos para melhorar algumas coisas para essa nova apresentação", revela Eduardo.

Campina Grande, na Paraíba, também recebeu duas apresentações no teatro municipal. Foi lá que outros convites para atuar nas escolas se estabeleceu. Neste sábado (8), acontece a estreia da peça para o público aberto, no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC).

Mais informações:

Espetáculo "Para Onde Vão as Meias Quando Elas Desaparecem?". Neste sábado (8) e domingo (9), às 17h. No Teatro Dragão do Mar (Rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema). Ingressos: R$ 10 (inteira). Classificação livre. Contato: (85) 3488.8600

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