espetáculo

Quadrinhos em cena

Espetáculo "Gibi" estreia nesta sexta-feira (13) na Caixa Cultural Fortaleza, promovendo encontro de linguagens artísticas

00:00 · 12.07.2018 por Diego Barbosa - Repórter
Foto
O grupo Lamira Artes Cënicas no palco com "Gibi": espetáculo plural para crianças e família

Teatro, dança, música erudita, literatura, humor. Ainda que a combinação dessas linguagens soe, a priori, um tanto desconexa, há quem consiga provar que elas funcionam juntas com uma harmonia e magia particulares.

É o que atesta o espetáculo "Gibi", do grupo Lamira Artes Cênicas, em cartaz no Teatro da Caixa Cultural Fortaleza em curta temporada, de amanhã (13) a 15 de julho.

Ainda inédita na Capital, a montagem recorre a elementos do universo infantil para valorizar a importância da imaginação e criatividade.

Para isso, cinco artistas em cena promovem um diálogo que pretende ser efetivo com o público mediante um trabalho lúdico, cuidadoso e em total correspondência com a atmosfera de descobertas típica da primeira fase da vida.

Para a concepção do trabalho, a trupe de atores inspirou-se na HQ "Liga do Cerrado", escrita por Geuvar Oliveira, quadrinista natural de Palmas (TO), terra natal do Lamira. Na história, heróis com poderes especiais - baseados em pessoas de diversas partes do Brasil - vivem aventuras que promovem uma abordagem simples e divertida de problemas sociais. Tomando-as como mote, a peça desenvolve algumas adaptações da narrativa original a fim de deixar tudo mais recreativo no palco.

Dentre as mudanças, há a saída dos defensores e, no lugar deles, o ingresso de palhaços.

"A partir da leitura do gibi, percebemos que os integrantes da Liga eram personagens clownescos, transmitindo o espírito do impossível e da inocência que os palhaços costumam passar ao público em suas apresentações. Representavam, assim, formas criativas de trabalhar questões que dialogam com o absurdo", contextualiza Carolina Galgari, intérprete da palhaça Jettra.

Com ela, os atores João Vicente, Vanessa Oliveira, Diogo de Paula e Jeferson Cerqueira dão vida a Chijão, Gérbera, Muquifo e Beterraba, respectivamente. Este, por sinal, tem uma característica peculiar no quinteto: é ele que deflagra o início das cenas, propondo intervenções e brincadeiras, atuando como um personagem-chave, ponto de partida para que a peça esteja sempre em movimento.

Detalhes

Entre os destaques da encenação está a caprichosa cenografia, que investe na representação de um grande gibi, composto por seis folhas gigantes com três metros de altura "As folhas são brancas, em correspondência a uma proposta nossa de fazer com que as crianças sintam que os personagens estão saindo e entrando do gibi", explica Carolina.

Elementos como balões, chocolates e confetes também devem imergir os pequenos na narrativa, ao passo que a trilha sonora do espetáculo cumpre outra função: favorecer o conhecimento das crianças sobre música erudita. De acordo com a artista, "esse tipo de música favorece a experiência de criar um repertório para si. Se percebermos bem, vários desenhos animados incluem canções eruditas em seus episódios, criando, a partir desse recurso, um mundo de referências lúdicas".

Além do aspecto erudito, canções tradicionais, como "Cai, cai balão" e "Dona Aranha", são cantadas ao vivo pelo grupo, contemplando uma maior diversidade musical.

Em sintonia com a proposta, elementos como as cores utilizadas na iluminação do palco e a intensidade do volume das canções completam o panorama de investimento da equipe em detalhes pequenos, porém essenciais.

"Tudo foi estudado e pensado pelo grupo para favorecer a absorção do espetáculo pelas crianças", garante Carolina.

Intercâmbio

Idealizado em 2012 e, desde então capitaneando temporadas em São Paulo, Minas Gerais, Tocantins e Rio Grande do Norte, "Gibi" tem ainda outra característica peculiar: é uma peça não-falada, apresentada, conforme sublinha a intérprete de Jettra, numa espécie de "blá-blação". "Um jeito que a gente achou de alimentar a criatividade no público", justifica.

Para ela, a reunião de cada parte da montagem reflete a intenção do grupo de que a dramaturgia apresentada atue efetivamente no imaginário infantil - aspecto comemorado também pelos adultos acompanhantes das crianças que já puderam conferir o trabalho.

Segundo Carolina, o sentimento de alegria brota porque a montagem não menospreza a capacidade dos miúdos de criar, imaginar, dialogar.

Ao final, os pequenos ainda recebem um gibi em que constam as principais cenas do que acabaram de ver no palco, maneira de fazer com que tudo ali vivenciado possa ficar para além dos quadrinhos, e uma boa estratégia de difundir as artes cênicas por meio da literatura. Um verdadeiro intercâmbio cultural.

Mais informações:

Espetáculo "Gibi". De 13 a 15 de julho no Teatro da Caixa Cultural Fortaleza (Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema). Dia 13, às 17h; dia 14h, às 16h e 18h; e dia 15, às 17h. Ingressos: R$ 10 (inteira), com vendas duas horas antes do espetáculo. Contato: (85) 3453.2770

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.