Animação

Produção intensa nas telinhas

Agência Nacional de Cinema (Ancine) aponta alta na animação. Em 2017 cerca de 213 obras foram ao ar pela TV

"Peixonauta" e "Meu Amigãozão", duas animações nacionais de sucesso na TV
00:00 · 01.09.2018

O clima de otimismo e a demanda cada vez maior de trabalho vividos pela cearense Filmerama acompanha o ritmo do mercado de animação brasileira. Centenário no País, o gênero testemunha um atual estágio de aquecimento no setor e, como no caso da produtora local, uma produção mais diversificada e até distante dos habituais centros produtivos das regiões Sul e Sudeste.

Esse crescimento a olhos vistos é consequência não apenas de investimento na área, mas também da inserção da chamada Lei da TV Paga. Criada em 2011, o documento estabelece uma cota mínima de conteúdo nacional a ser veiculado pelos canais, o que ajudou a esquentar o mercado audiovisual. Para especialistas, o Estado entendeu que a economia criativa é importante e que a animação possui alto valor agregado.

Levantamento divulgado em junho pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) detalhou que o brasileiro consumiu, só em 2016, R$ 3,97 bilhões em produções animadas nas mais diferentes plataformas (cinema, serviços de streaming, games e publicidade). Só na TV paga, a renda foi de R$ 1,35 bilhão.

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A animação brasileira, em certa medida, reflete o período histórico em que foi concebida e transmitida. Após a consolidação do primeiro longa animado do País, "Sinfonia Amazônica" (1953), de Anélio Latini Filho (1926-1986), a década seguinte observou o crescimento tanto de projetos mais experimentais (caso de "O Átomo Brincalhão", de 1961) como de produtos voltados diretamente ao mercado publicitário.

Nos anos 1970 e 1980, estabelecem-se nomes como Flavio Del Carlo, Cao Hamburger, Marcos Magalhães e Elizabeth, Helmuth Jr., Ingrid e Rosane Wagner - os Irmãos Wagner (PR), considerados uma nova geração do meio. Outro destaque daquele momento ficou pelo acordo entre o National Film Board do Canadá e a Embrafilme, resultando na criação do Núcleo de Animação do CTAv.

Tido como um tempo complicado para o audiovisual brasileiro de foram geral, a animação sentiu o baque da crise financeira no Brasil do início dos anos 1990. Com a proposta incentivar as produções brasileiras e dar oportunidade para que animadores e fãs desta linguagem tivessem acesso a diferentes técnicas e produções, acontece a primeira edição do Anima Mundi em 1993.

Nos últimos anos, os desenhos animados brasileiros passaram a ser realidade não só do circuito dos festivais, ganhando outra vitrine expressiva nos meios de comunicação através do ambiente televisivo. "Peixonauta", da TV Pinguim, "O Amigãozão", da 2DLab, "Tromba Trem", do Copa Studio e mais recente "O Irmão do Jorel" são alguns exemplos de séries nacionais que se estabeleceram na cena.

Homenagem

Realizado entre 11 e 16 de junho passado na França, o Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy homenageou a animação do Brasil. O evento que revelou "O Menino e o Mundo", do paulista Alê Abreu, iluminou os 101 anos de resistência dos realizadores tupiniquins. Considerado o maior do gênero no mundo, premiou duas produções nacionais. Rodrigo Faustini levou o Cristal de melhor curta-metragem na categoria "off limits" com "Garoto Transcodificado a Partir de Fosfeno", enquanto a categoria "filmes produzidos para a TV" ficou com Mateus de Paula Santos por "Leica - Everything in Black and White".

Outros títulos presentes no evento foram o pernambucano "Guaxuma", de Nara Normande, na categoria "Short Films" (curtas); "Tito e os Pássaros" (longa), dirigido a seis mãos por Gustavo Steinberg, Gabriel Matioli Yazbek e André Catoto Diaspart, e "Almofada de Penas", de Joseph Specker (categoria "Perspectives Short Films in Competition"). Completam a lista "A Troca", de Mateus de Paula Santos, e "DayOne" "Sunshine", de Guilherme Marcondes.

O Brasil venceu Annecy por dois anos consecutivos: "Uma História de Amor e Fúria" (2013), de Luiz Bolognesi, e "O Menino e o Mundo" (2014), de Alê Abreu, levaram o prêmio de melhor longa-metragem; o curta "Guida", de Rosana Urbes, também foi premiado em 2015.

Publicação

Produzido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA), Canal Brasil e Grupo Editorial Letramento, o livro "Animação Brasileira - 100 Filmes Essenciais" contou com lançamento tanto no evento francês como na última edição do Anima Mundi, acontecida no último mês de julho na capital paulista.

Organizado por Gabriel Carneiro e Paulo Henrique Silva, o volume é voltado a estudiosos e alunos de animação, além de interessados em conhecer o desenvolvimento da técnica no Brasil, ainda pouco abordado na literatura. E faz parte da coleção "100 Melhores", editado pela Abraccine em parceria com o Canal Brasil. A obra comemora os 100 anos da animação nacional através de 20 artigos históricos que registram os principais movimentos e personagens dessa trajetória.

Nordeste

O Festival Internacional de Animação de Pernambuco (Animage) anunciou os curta-metragens selecionados para 2018. Esta 9ª edição, que acontece de 12 a 21 de outubro, recebeu 800 inscrições; dessas, 92 curtas (de 32 países) foram selecionados para a Mostra Competitiva 2018.

Os títulos concorrem nas categorias "Melhor Curta-Metragem - Grande Prêmio Animage", "Melhor Curta Infantil", "Melhor Curta Brasileiro" e "Prêmio do Público", além de melhor Direção, Roteiro, Direção de Arte, Técnica e Som. A seleção deste ano recebeu filmes nacionais e internacionais realizados a partir de 2017, em técnicas de animação e com duração máxima de 30 minutos. (AL)

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