Artes cênicas

Pra Frente o Pior: trabalho em expansão

Grupo Inquieta Cia. apresenta novas performances derivadas do espetáculo "Pra Frente o Pior"

Cenas de "Pra Frente o Pior": entre as novas ações inspiradas pela montagem estão um zine e uma sessão de desenho com modelos vivos ( Fotos: Eden Barbosa/divulgação )
00:00 · 12.04.2018

A desesperança invade o palco do Teatro Dragão do Mar durante esse mês de abril. Mas não aquele "pessimismo que te impede de agir; é um pessimismo alegre", explica Andrei Bessa, integrante e um dos fundadores da Inquieta Cia. Há dois anos a temática do pior surgiu no grupo, com a montagem do espetáculo "Pra Frente o Pior".

"O trabalho, como o próprio nome diz, dialoga muito com questões do mundo atual, com o fim do mundo, os problemas ambientais e a política. Posterior à estreia do espetáculo, experimentamos várias ações e demos o nome de 'Derivações do Pior'", conceitua Bessa.

Trata-se de uma série de ações que expande a obra cênica inicial. O grupo mistura diferentes linguagens artísticas e traz em suas ações discursos sobre o declínio do corpo e dos modos de existir.

Essas ações serão apresentadas durante o mês de abril, com programação sempre às terças e quintas-feiras, no Teatro Dragão do Mar, finalizando no dia 19, com encenação da peça original, "Pra Frente o Pior".

Contribuição

Assim, nesta quinta-feira (12), às 19h, e na próxima terça-feira (17), às 20h, mais duas performances estão marcadas. O grupo não cobra entrada, mas abre para a contribuição voluntária - ao fim da apresentação cada um pode realizar sua contribuição em dinheiro, colaborando para os gastos.

"Para nós, artistas, o custo da arte está em nossa própria vida. A contribuição voluntária é uma forma da plateia assumir conosco a efetiva realização do trabalho a ser apresentado e toda a cadeia que o envolve", acentua Bessa. Nessa semana o grupo seguiu a linha do ativismo ambiental. Na última terça-feira (10), com Cecilia Andrade e Natália Coehl, apresentaram a Performance Pajeú, dentro da conversação Artivismo Ambiental, no Poço da Draga.

Na ocasião, a dupla seguiu em direção ao riacho, colhendo suas águas e caminharam pelas ruas realizando a ação de jogar/jorrar as águas mortas do Pajéu.

Programação

Hoje (12), às 19h, a Cia realiza uma ação junto com o projeto "Com Figura", de desenho com modelos vivos, iniciado há algumas semanas na Escola Porto Iracema.

O momento, batizado "Com Figura: Aniquilados e Degradantes", envolverá a participação de 30 artistas visuais da cidade. Eles irão desenhar a partir das cincos performances desenvolvidas pela companhia. Com classificação indicativa de 18 anos, o público poderá retirar as senhas de acesso uma hora antes.

Organizado pelos artistas Flávia Rodrigues e Daniel Chastinet, em parceria com o Curso Básico de Artes Visuais do Porto Iracema das Artes, o "Com Figura" visa dialogar com artistas visuais que trabalham com modelos vivos.

Na próxima semana o grupo lança o Inquieta Zine #1, com leitura performática. "A ação vai acontecer no dia 17 de abril, um marco, quando se completam dois anos do dia do golpe (dia da votação do Impeachment de Dilma Rousseff). A leitura vai ser super política, vamos colocar parte dos votos proferidos naquela ocasião", explica Bessa.

"Mas o zine é todo político, no sentido mais amplo, não apenas partidário", complementa. A publicação tem como objetivo "dialogar através de performance com as artes visuais e com a literatura". A ação está marcada para as 20h, também no Teatro Dragão do Mar.

O pior

Encerrando a sequência de derivações, no dia 19, às 20h, acontece o espetáculo-dança "Pra Frente o Pior" - definido pelo grupo como "pessoas cavando seu próprio fim". A ação mostra os pactos de convivência sendo destruídos, enquanto mesmo assim um grupo permanecendo unido, em comunidade.

"É um corpo que já não aguenta mais e mesmo assim se mantém. Os integrantes ficam de mãos dadas a partir de um fato que deveriam separá-los", explica Bessa.

Esse temática surge a partir de um grupo de discussão no Porto Iracema, conforme ressalta Bessa. "A gente estava pensando nesse corpo que não aguenta mais, um corpo de fim de festa, a priori. A discussão ficou em explicar que fim é esse, que festa é essa".

Esse fim de festa significa o fim da esperança, mas não uma esperança que paralisa. O ator exemplifica: "quando olhamos para o Brasil, sabemos que não vai dar em nada, mas fazemos alguma coisa mesmo assim", aponta.

Mais informações

Performances "Derivações do Pior". Nesta quinta (12), às 19h, e nos dias 17 e 19, às 20h, no Teatro Dragão do Mar (R. Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema). Entrada: contribuição voluntária. Contato: (85) 3488.8600

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