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Porto Dragão em Sampa: música local tocada na terra da garoa

Com a intenção de promover a nova cena musical do Ceará, Instituto Dragão do Mar fecha parceria com Sesc-SP e leva grupos e artistas ligados ao Porto Iracema das Artes para shows na capital paulista

00:00 · 16.05.2018 / atualizado às 08:48 · 17.05.2018

Entre maio e setembro de 2018, a iniciativa "Conexão Dragão do Mar de Música Cearense" promete incluir um total de 15 artistas cearenses na programação do Sesc, em São Paulo. A premissa da parceria entre Instituto Dragão do Mar e a entidade é promover a nova cena musical do Ceará. Além de estabelecer esse intercâmbio entre duas realidades culturais, a expectativa é aproximar artistas locais já conhecidos no Sudeste a realizadores em início de carreira.

Uma vez por mês, o público irá se deparar com um show especialmente produzido para o projeto e a lista de nomes e espetáculos envolvidos aponta a união dos mais variados gêneros. Do instrumental ao rap, atravessando do rock ao pop, um recorte da música produzida no Ceará deve ser divulgado em diferentes unidades do Sesc em São Paulo.

A primeira noite desta experiência acontece no dia 23 de maio, no Sesc Pompeia. Dando o pontapé inicial ao "Conexões", o público paulista vai conferir o show "Catatau convida Jonnata Doll e Soledad". Em cena, duas diferentes gerações da canção produzida em Fortaleza cujas as carreiras já são reconhecidas na Terra da Garoa.

Além do trabalho à frente do Cidadão Instigado, Catatau integra uma safra de músicos extremamente ligados com a experimentação sonora e o trabalho de produção de outros realizadores em estúdio. Uma das convidadas entende de perto este processo, o elogiado álbum homônimo de Soledad, lançado em 2017, conta com participação do guitarrista na faixa "Jardim Suspenso". Ele também deu as caras em "Crocodilo", segundo disco do Jonnata Doll & Os Garotos Solventes. Para temperar este momento, o quinteto liderado por Jonnata recebeu em março último o Prêmio Governador do Estado para a Cultura 2018.

Em junho, celebrando o dia de São João, a programação visita, no dia 24, o Sesc Parque Dom Pedro II. O instrumentista Junu (ex-Dr. Raiz) convida o sanfoneiro Luizinho Calixto e a cantora Lorena Nunes, mostrando todo caldeirão cultural da música regional cearense. A apresentação é gratuita.

Ainda estão previstas até o mês de setembro apresentações do rapper Don L, da banda instrumental Mandacaru Jazz e das bandas Projeto Rivera, Selvagens à Procura de Lei e do cantor Daniel Groove. De acordo com o diretor de ação cultural do Dragão do Mar, João Wilson Damasceno, essa cena musical que vive o Ceará trata da existência de uma safra muito boa de realizadores, o que mostra a circulação da arte como um todo, seja na dança, teatro ou artes visuais.

"Isso é um reflexo da criação dos artistas, muito em parte devido a ações produzidas pelo Porto Iracema e Instituto Dragão do Mar, como a Maloca Dragão e os Laboratório de Música. É uma espécie de próximo passo, muitos artistas estão consolidados e a intenção é propiciar a nacionalização dessa cena, por isso fizemos essa parceria", defende o gestor.

Cooperação

Wilson compartilha sobre o quanto o Sesc de São Paulo é uma das grandes referências na cultura no Brasil. A programação mantida pela entidade nas várias unidades espalhadas naquele estado pode funcionar como uma porta de entrada nesse circuito paulista. O processo de cooperação também foi um atrativo ao Porto Dragão. "Chegamos com a proposta dos nomes e do projeto, entramos com a viabilização das passagens aéreas e lá, o Sesc paga todo o restante como cachê, comunicação. É uma boa parceria, esses artistas formam escolhidos pelo próprio Sesc, eles mesmo fizeram a curadoria", aponta.

Parte dos artistas escolhidos para esta primeira "Conexão Dragão do Mar de Música Cearense" já se apresentou em anos anteriores em alguma unidade do Sesc (SP). É o caso de Jonnata Doll, Selvagens à Procura de Lei, Soledad, Daniel Groove, Fernando Catatau e Don L.

Nesse sentido, cada apresentação, garante Wilson, foi pensada especialmente para esse projeto. Cada convidado irá contribuir de alguma maneira para o estabelecimento de uma noite inédita. Construir, assim, a ideia desta cena onde os artistas produzem coletivamente. O encontro destas atrações pode reverberar na criação de um novo repertório e na efetivação de experiências inéditas no campo sonoro, sem falar, é claro, na divulgação destes escolhidos.

Mesmos nomes

Além de incluir músicos estabelecidos em São Paulo e que já estão conectados com aquela realidade local, percebe-se na trajetória dos selecionados uma consistente ligação com os projetos desenvolvidos pelo Instituto Dragão do Mar. Caso dos Laboratórios de Música, Maloca Dragão e no mais recente projeto intitulado Porto Dragão Sessions.

Questionado sobre a repetição da inclusão destes artistas nas atividades do Porto Dragão, em especial neste "Conexões", o diretor de ação cultural argumenta que não existe uma saturação. "É a primeira vez que acontece em São Paulo, dialoga sobre um cenário presente e estamos falando de uma cena que vai ser fortalecida. É a primeira etapa de um projeto cuja curadoria é do próprio Sesc", explica Wilson.

Em certa medida, a participação de cearenses com uma bagagem elogiada em São Paulo reforça a característica do "Conexão Dragão do Mar de Música Cearense" em ofertar circulação nacional para os selecionados. É uma forma de ampliar a divulgação entre veteranos e promessas da música local, além de estabelecer novas configurações e parcerias entre essa turma. "É papel nosso como política cultural mostrar para o Brasil que esses artistas são cearenses", finaliza o diretor.

Lançado em agosto de 2017 pelo Instituto Dragão do Mar, o projeto "Porto Dragão do Mar" foi criado com o objetivo principal de fazer circular a produção artística do Ceará, dentro do próprio estado e também nacional e internacionalmente.

Um primeiro resultado desse agenciamento promovido pelo Porto Dragão resultou nos shows, ainda em 2017, dos Selvagens à Procura de Lei no Festival Se Rasgum, em Belém, e na participação da cantora Soledad no Festival Coquetel Molotov, em Recife. Além de São Paulo, ainda serão negociados espetáculos em centros culturais, festivais e mostras no Rio, em Minas Gerais e Nova York (EUA).

Nesta etapa inicial do projeto, a circulação tem sido feita com artistas que desenvolveram projetos no Laboratório de Criação do Porto Iracema das Artes, escola de formação e criação artística do Instituto Dragão do Mar; e ainda cantores e bandas que participaram da última edição do Conexões Maloca, mercado de negócios da Maloca Dragão.

Renovação

Hoje e amanhã, a partir das 19h, no teatro do Porto Dragão, acontecem as audições públicas para a nova edição do Laboratório de Música do Porto. A partir destas apresentações, a comissão julgadora formada pela cantora, compositora, pianista e arranjadora Delia Fischer; a jornalista e DJ Cláudia Assef; e pelo músico e produtor Domenico Lancelotti, irão definir os quatro projetos para serem desenvolvidos no Lab Música 2018.

Foram selecionados 13 projetos para essa fase e a lista contempla da ópera - pela primeira vez entre as seis de edições do Lab. Música - à música eletrônica, MPB, instrumental e pop. Três propostas artísticas trazem o som do interior do Estado: O projeto À Beira do Terceiro, de Idson Ricarte (Quixadá), "Fabricando a Os Bardos, (Sobral) e "Caboco Eletrônico", de Di Freitas (Juazeiro do Norte).

Mais informações:

Show "Conexão Dragão do Mar de Música Cearense". Dia 23, às 21h, no Teatro do Sesc Pompeia (Rua Clélia, 93, São Paulo - SP). Ingressos:

R$ 9 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$ 15 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública) e R$ 30 (inteira). Contato: (11) 3871-7700

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