Cinema

Por dentro da animação

00:00 · 10.12.2013

Estudantes participam de oficina sobre técnicas de animação para o cinema e produzirão metragem

O desafio é despertar o gosto pelas arte nas crianças. Pela sétima arte, para ser mais preciso. O caminho, deslocar a perspectiva do olhar: do lugar na plateia para o de realizador. O grupo de 25 crianças, moradores do bairro Bela Vista, participa, de hoje à sexta-feira, no Centro de Cidadania e Direitos Humanos da Bela Vista, da segunda edição da oficina Cinema de Animação. Munidos de algumas noções básicas, eles criam os personagens, a história e realizam um curta-metragem. A primeira edição do projeto, em 2012, resultou no filme "Esporte para Todos", selecionado para Festival Internacional de Animação do Brasil - Anima Mundi, um dos principais do País.

"A nossa ideia não é criar profissionais. É apresentar à criança e ao jovem uma possibilidade de expressão, no caso, o cinema. E a animação é a forma mais lúdica que temos dentro desse universo. Toda criança assiste animação", contextualiza Mariana Menina, que ministrará a oficina. A artista é professora do Núcleo de Cinema de Animação da Casa Amarela Eusélio Oliveira (Nuca), vinculado a Universidade Federal do Ceará (UFC). Os estudantes têm idade entre oito e 15 anos e fazem parte do programa "Cidadania em Rede", da Prefeitura de Fortaleza, que trabalha educação em artes visuais com jovens.

Para oficina, reforça, conta mais o desejo dos estudantes em criar, que mesmo conhecimentos prévios de técnicas ou facilidade para o desenho. "Queremos trabalhar o trabalho em equipe. A missão deles é aprender sobre movimento e colocar a criatividade em forma de filme animado. Queremos estimular essa criatividade, sociabilidade e dar a eles uma outra ferramenta de expressão", pontua.

Produção

As crianças têm três dias para receber as primeiras noções, criar, discutir o enredo e filmar. O tempo é curto, reconhece Mariana, mas dá tempo, garante. Este ano, os estudantes devem produzir o curta com a técnica de stop motion, tipo de animação tradicional em que o movimento é fotografado quadro a quadro. "A gente trabalha, em três dias, mais ou menos 9 horas de oficina. Apresentamos o que é o cinema de animação, quais as técnicas, falamos sobre roteiro, criação de personagem. Tudo de forma bem simples, lúdica, para a criança entender", detalha sobre o processo.

Alunos da primeira edição do projeto,em 2012,no processo deprodução do curta-metragem.Durante a oficina, os
estudantes recebem noções básicas de animação e trabalham em equipe na criação e realização do filme
 


Para auxiliar o entendimento, reforça, são utilizados exemplos de filmes e brinquedos óticos, livros animados. "Sentamos e conversamos o roteiros juntos. Alguns escrevem outros fazem storyboard. Juntamos todos e escolhemos melhor ideia", relata Mariana Menina. O primeiro e segundo dia de oficina são dedicados às noções de cinema e pré-produção, e o terceiro, à realização da animação, que deve ter duração por volta de um minuto e meio.

É comum, no cinema stop-motion, a utilização de massa de modelar. A técnica, no entanto, explica Mariana, é bem mais ampla. As crianças da oficina utilizarão recortes aplicados em uma manta magnética e colocados sobre uma placa de ferro. "Eles podem fazer o movimento ou por substituição, quando fazem vários desenhos e troca-se ao longo dos fotogramas ou utilizando personagens articulados, que você pode manipular", explica.

Projeto

O minicurso faz parte do projeto Cine Itinerante SP, realizado pela SP Combustíveis em parceria com a Associação Cultural Cine Ceará. A primeira etapa da edição 2013 aconteceu entre novembro e o início deste mês, com exibições de curtas e longas-metragens em escolas, associações comunitárias e instituições localizadas em bairros da periferia de Fortaleza e Região Metropolitana. Nas salas de cinema improvisadas, entre os filmes exibidos, estavam curtas premiados na edição deste ano do Cine Ceará.

Mariana avalia que a capital cearense possui hoje uma cena em crescimento acelerado, com produção já bem sedimentada em relação aos curtas de animação. Resultado, defende, do trabalho realizado em escolas como a Casa Amarela, que mantém a extensão em animação desde 1993, do curso de especialização em computação gráfica e game design da Unifor, curso da UFC, e da recém-criada escola Porto Iracema, vinculada ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC).

"Fortaleza tem produzido muito curtas, vídeos para internet, para publicidade", diz. O Nuca teve, este ano, dois filmes selecionados para o festival Anima Mundi.

Quanto ao "Esporte para Todos", curta produzido na oficina do ano passado - ministrada pelo coordenador do Nuca, Telmo Carvalho - Mariana reforça que a seleção, por si, para compor a mostra Futuro Animador, já foi um prêmio todos os envolvidos no projeto. "Já é tão difícil entrar no Anima Mundi", comemora.

O curta-metragem resultado da oficina deste ano, deve, a priori, compor a programação de alguma das mostras paralelas do Cine Ceará 2014. "Geralmente os filmes produzidos são exibidos na mostra de curtas cearenses ou na mostra infantil. Quando eles veem o resultado do que fizeram, é muito bacana", testemunha a professora.

Mais informações

Oficina de Cinema de Animação. De hoje a 13 de dezembro, de 9h às 12 horas, no Centro de Cidadania e Direitos Humanos da Bela Vista (Rua Viriato Ribeiro, s/n - Bela Vista). Contato: (85) 3366-7772

FÁBIO MARQUES
REPÓRTER
 

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.