produção

Poesia imortalizada nos livros

Manutenção de uma bibliografia em constante circulação é primordial para manter legado do Patativa

00:00 · 08.07.2017

O senhor Antônio Gonçalves da Silva tinha entre suas paixões a rotina de bater pés na famosa Feira do Crato. Naquele universo de cores e cheiros, o Patativa do Assaré angariava temas para sua prosa e estabelecia muitos dos poemas que declamava nas ondas da Rádio Araripe. Através da rádio inaugurada em 1952, o poeta do sertão estava prestes a estabelecer outro capítulo em sua trajetória.

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Aquele expediente na emissora acabou reverberando nos ouvidos e na sapiência do filólogo José Arraes (1896-1978). Maravilhado, o latinista e também dicionarista procurou o dono daqueles poemas e lhe fez a proposta de uma publicação. O homem da terra ficou relutante com a possibilidade de sua prosa encontrar as páginas dos livro. Mesmo assim, aceitou embarcar nesta nova aventura.

A obra "Inspiração Nordestina" é lançada em 1956. Como bem pontua o pesquisador Jorge Henrique da Silva Romero, que dedicou exclusivos estudos em torno desta obra de Patativa, essa estreia no mundo editorial inaugura um novo momento na poética sertaneja e abre novas possibilidades formais.

"'Inspiração Nordestina' aponta para um novo movimento de criação poética, reinventando tradições e dando voz aos excluídos, emigrantes e camponeses", destaca Romero ao jornal da Universidade de Campinas (Unicamp). Conforme as observações do pesquisador sobre o livro, ao afirmar o valor do mundo rural, Patativa reúne léxico, rima, figuras de linguagem e sua metáfora revela um mundo que vai além do sertão e da realidade local.

Produção

"Inspiração Nordestina" ganharia uma segunda edição com acréscimos acrescido de alguns novos poemas em 1967. Daí em diante ganha o título "Cantos do Patativa". Em 1970 é lançada nova coletânea de poemas, "Patativa do Assaré: novos poemas comentados". Oito anos depois, a sabedoria do poeta é publicada em "Cante lá que eu canto cá". Outro trabalho seminal em sua bibliografia.

É justamente o organizador desta publicação, o pesquisador J. Figueiredo Filho, quem estabelece a ponte entre o cearense e o Velho Mundo, mais precisamente, entre a poesia de Patativa e os estudos sobre línguas portuguesas e literatura popular brasileira do pesquisador francês Raymond Cantel (1914 -1986). O doutor "Raimundo Cantel", como gostava de mencionar o poeta.

A escrita de Patativa se consagra nessa década e atinge um público bem mais amplo do que os cordelistas do Cariri e intelectuais de Fortaleza. Outros dois livros, "Ispinho e Fulô" e "Aqui tem Coisa", foram lançados respectivamente nos anos em 1988 e 1994.

Nesse intervalo, sucedem-se "Balceiro. Patativa e Outros Poetas de Assaré" (1991) e "Cordéis" (caixa com 13 folhetos lançada em 1993). Nos início dos anos 2000, momento em que ocorre a morte de Patativa, chegam ao mercado "Biblioteca de Cordel: Patativa do Assaré" (Org. Sylvie Debs, de 2000), "Digo e Não Peço Segredo" (Org. Guirlanda de Castro e Danielli de Bernardi, de 2001) e "Balceiro 2. Patativa e Outros Poetas de Assaré" (Org. Geraldo Gonçalves de Alencar, de 2001).

Em seguida, o legado do cearense é mantido com "Ao Pé da Mesa" (co-autoria com o primo Geraldo Gonçalves de Alencar, de 2001), "Antologia Poética" (Org. Gilmar de Carvalho, de 2002) e "Cordéis e Outros Poemas" (Org. Gilmar de Carvalho, de 2008). "Inspiração Nordestina", "Ispinho e Fulô" "Aqui tem Coisa", além de "História de Aladim e a Lâmpada Maravilhosa" e "Cordel - Patativa do Assaré" estão disponíveis no catálogo da editora Hedra. Já "Cordéis e outros Poemas" encontra-se atualmente na editora da Universidade Federal do Ceará - Edições UFC.

Saiba Mais

Editoras com obras disponíveis de Patativa do Assaré

Editora Hedra: hedra.com.br 

(011) 3097. 8304

Edições UFC: editora.ufc.br

Av. Da Universidade, 2932 (fundos), Benfica (85) 3366. 7499

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