bate-papo

Poesia cotidiana e novas tecnologias

O poeta e ensaísta Alberto Pucheu é o primeiro convidado do novo programa de literatura do CCBNB

00:00 · 08.11.2014
Image-0-Artigo-1736979-1
A poesia de Drummond serve de pano de fundo para se discutir literatura nas novas mídias

Colocar a literatura no espaço comunicacional, além de promover a interação com outras formas de linguagens artísticas, sem perder de vista a relação com as mídias eletrônicas e digitais. O pensamento sintetiza um pouco a ideia do programa "Se um leitor numa manhã de sábado...", que o Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) lança hoje, às 10h30, com palestra de Alberto Pucheu, poeta, ensaísta e professor de Teoria Literária da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O palestrante demonstra identificação com a proposta, ao trabalhar com a inserção de grafites no espaço urbano e poesia anônima. Assim, inova ao elevar a cidade à condição de um imenso suporte a céu aberto no qual está inserida também a poesia. O projeto será realizado a cada dois meses, com convidados de qualquer parte, sem perder de vista o enfoque da literatura contemporânea e a formação de público, como destaca Jacqueline Medeiros, gerente do CCBNB. A ideia é mostrar que a poesia não está apenas nos livros, mas também nas intervenções urbanas e obras de arte em geral.

Com proposta semelhante a do "Clube do Leitor" - que possui público cativo, sendo desenvolvido há quatro anos, nas tardes das quartas-feiras -, o novo programa de incentivo à leitura pretende "pescar, acessar um público que ainda não experimentou a leitura de forma sistemática", diferencia Medeiros.

A ideia é desvendar a nova odisséia vivenciada pela literatura hoje, arremata Fernanda Coutinho, professora de Teoria da Literatura da UFC e consultora literária do projeto. A escolha das manhãs de sábado para a realização do projeto não foi por acaso. Jacqueine Medeiros diz que o Centro é mais tranquilo, permitindo um deslocamento mais agradável. "Esse público jovem e ligado a essas novas tecnologias às vezes tendem a se manter distantes dessa vida do Centro e aqui no CCBNB podem observar outros atrativos da Cidade".

A professora destaca que, antes, o diálogo acontecia entre o cinema, o teatro e a pintura, chamando a atenção para interlocução da literatura com outras linguagens artísticas e mídias. Nesse aspecto, justifica a escolha de Pucheu, autor do recém-lançado "A poesia contemporânea" (Azougue Editorial, 2014). O capítulo "Do tempo de Drummond ao nosso" servirá de mote ao autor, que terá o desafio de despertar nos jovens o interesse pela literatura. E mais: ajudar na formação desse novo público, pinçado de uma geração que convive diariamente com as novas tecnologias. A conversa girará em torno da poesia de Drummond, ligada à observância e à tradução poética do corriqueiro.

Cotidiano

As narrativas literárias são tiradas do cotidiano, portanto, fazem parte da vida real das pessoas, cabendo aos escritores contarem as histórias. Após lapidadas pelo olhar sensível do artista, fatos da vida ordinária viram arte. Por fazer parte do dia a dia, é fácil a incorporação da literatura com as novas mídias.

"Quando leio poemas em público ou quando os posto na internet, sinto que eles impactam os ouvintes e leitores. Isso também ocorre quando vídeos-poemas são divulgados e muitos comentários comoventes são feitos. O ponto principal hoje seria fazer os poemas chegarem ao encontro do público, espalhá-los pelas cidades como eles se espalham pela internet. Não tenho dúvidas de que então atingiriam em cheio as pessoas", opina o palestrante do dia, Alberto Pucheu, fazendo referência aos vídeos que as artistas Gabriela Capper e Danielle Fonseca têm feito com alguns poemas de Pucheu, lançando-os imediatamente na internet, colocados no Facebook e arquivados no Youtube. Para ele, a distância entre o público e a poesia é apenas uma questão de falta de divulgação, que pode ser reduzida com as novas tecnologias. "A literatura é absolutamente comunicacional", reitera Fernanda Coutinho, que destaca outro propósito do projeto, a formação de leitores. O importante é naturalizar a literatura, isto é, fazer com que possa ser observada como algo acessível, e, não distante de sua realidade.

A professora festeja, ainda, a profusão de feiras literárias que acontecem Brasil afora. Mesmo as pessoas não podendo comparecer em tempo real, é possível o acompanhamento do que aconteceu nos eventos, principalmente as entrevistas com escritores nacionais e internacionais, através da internet. Ao fazer uso das mídias digitais, as pessoas podem usufruir também dessas manifestações. O projeto ainda não tem uma agenda definida com nomes de novos convidados.

Mais informações:
Programa "Se um leitor numa manhã de sábado...", no CCBNB (Rua Conde D'Eu, 560, Centro). Palestra com o poeta e professor Alberto Pucheu, das 10h30 às 12h30. Contato: (85) 3464.3108

Iracema Sales
Repórter

Comentários


Li e aceito os termos de regulamento para moderação de comentários do site.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.