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Persistência da memória

Panorama do processo de digitalização de arquivos históricos do Estado sinaliza melhorias no setor. Secretaria da Cultura prevê celeridade em projetos para a área, a partir de 2019

00:00 · 08.09.2018 por Diego Barbosa - Repórter
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Arquivo Público, da Secult, já digitalizou parte de seu acervo histórico ( FOTO: FELIPE ABUD/ DIVULGAÇÃO )

No Brasil de hoje que se descortina aos olhos - território onde diariamente assistimos ao desfile indigesto de acontecimentos que põem em xeque nossa integridade cidadã - é urgente falar sobre memória. De forma mais enfática, dos mecanismos de preservação de um legado, em como manter nossa história viva, resguardada sob necessário respeito. Trata-se de nós, do que nos constitui. Do passado que responde o amanhã.

No dia 2, quando labaredas consumiam o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, a necessidade de um posicionamento concreto das autoridades públicas perante a manutenção adequada dos equipamentos culturais do País ficou nítida. E não apenas no que toca à conservação da estrutura física dos acervos, como também no processo de modernização para salvaguardar os arquivos, sob pena de comprometer nossa herança comum.

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Em solo cearense, três equipamentos culturais pertencentes à Secretaria da Cultura do Estado (Secult-CE) estão funcionando em sedes provisórias devido a reformas estruturais nos prédios-sede. São eles: Arquivo Público e Biblioteca Pública Menezes Pimentel - ambos com previsão de reinauguração em dezembro deste ano; e o Museu da Imagem e do Som (MIS), que deve ter obras finalizadas em 2019.

Fabiano Piúba, titular da pasta, destaca que, para além da política de manutenção física dos acervos, a meta da Secult é fomentar o processo de digitalização de arquivos históricos dos equipamentos. Segundo ele, "esse elemento tecnológico é fundamental pois, ao mesmo tempo que preserva os itens do acervo e evita o manuseio físico dos documentos, contribui para a difusão e um acesso mais amplo".

A proposta é que haja uma celeridade nos projetos de digitalização de documentos históricos presentes nos equipamentos culturais do Estado do Ceará a partir de 2019, quando serão adquiridas máquinas para realização de processos ligados à técnica e avaliação de em quais mídias e/ou suportes deverão ser realizadas esse procedimento.

Números

Diretor do Arquivo Público do Ceará, Márcio Porto explica que o acervo do equipamento possui duas tipologias principais: uma cartorial e outra produzida pelo Poder Executivo do Estado do Ceará, caso dos documentos referentes aos períodos colonial, imperial e republicano.

Uma primeira etapa do procedimento de digitalização destes últimos arquivos aconteceu entre os anos de 2009 e 2010 através de edital do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, do Ministério da Justiça. A ação abarcou 30% do acervo do período colonial e imperial do equipamento. À época, a iniciativa também permitiu a compra de um arquivo deslizante, hermeticamente fechado, sobre trilhos, para conservação apropriada dos documentos.

Ainda em 2010, por meio de uma parceria entre o Arquivo Público e o Arquivo Nacional, foi realizada a digitalização, higienização, identificação e organização do acervo intitulado "Memórias Reveladas - As Lutas Políticas no Ceará de 1964 e 1965", ação que permitiu submeter a procedimento técnico de modernização cerca de 4500 documentos. Para a atividade, foram contratados, à época, 10 historiadores e um profissional de informática.

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