PIONEIROS & EMPREENDEDORES

Parceria: sinônimo de grandes negócios

00:25 · 30.04.2012
O industrial José Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim, compõe a exposição no Espaço Cultural Unifor
O industrial José Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim, compõe a exposição no Espaço Cultural Unifor ( FOTOS: RODRIGO CARVALHO )
Fazem parte da exposição diversos objetos originais que pertenceram ao empresário José Ermírio de Moraes: um deles é esta balança
Fazem parte da exposição diversos objetos originais que pertenceram ao empresário José Ermírio de Moraes: um deles é esta balança ( )
A mostra "Pioneiros & Empreendedores" expõe o legado do pernambucano José Ermírio de Moraes

Entre os empresários escolhidos para compor a exposição "Pioneiros & Empreendedores", uma parceria nos empreendimentos levaria à construção de um próspero negócio: o pernambucano José Ermírio de Moraes e seu sogro, o português Antonio Pereira Ignácio.

Em 1918, Ignácio comprara, em sociedade com Francisco Scarpa, as indústrias Votorantim. Mais tarde, ao lado do genro, ele veria o enorme progresso do investimento.

Origens distintas

Pereira Ignácio nasceu na aldeia de Baltar, em Portugal, em março de 1874. José Ermírio, 26 anos mais moço, veio ao mundo em janeiro de 1900, no engenho Santo Antônio, em Pernambuco.

José Ermírio descendia, pois, de antigas e poderosas famílias, movidas pelo império dos engenhos. Logo que atingiu a idade adequada, foi mandado para o Colégio Alemão de Recife, na época um dos melhores estabelecimentos de ensino do Brasil. Lá permaneceu até os 16 anos, decidindo continuar os estudos, formando-se em Engenharia de Minas, nos Estados Unidos.

Já Ignácio, filho de sapateiro, chegou ao Brasil aos dez anos, estabelecendo-se em Sorocaba. Começou a trabalhar cedo e, após experimentar diversos empreendimentos, optou por investir em descaroçadores de algodão. Viajou aos Estados Unidos em busca de conhecimento sobre as técnicas, adquiriu maquinário na Inglaterra e na Alemanha e abriu sua primeira fábrica, a Santa Helena, em 1905.

A partir de então, multiplicou seus negócios. Investiu em fábricas de tecidos, companhia telefônica e até uma fábrica de cimentos.

Mas nada se comparava às indústrias Votorantim, adquiridas em 1918, logo que faliu.

Parceiros

José Ermírio e Ignácio finalmente se encontrariam quando o pernambucano passou a trabalhar no grupo Votorantim, tornando-se seu auxiliar e, pouco depois, seu genro. Com apenas 28 anos, conseguiu eleger-se para a primeira diretoria do recém-fundado Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, o Ciesp, então presidido por Francisco Matarazzo.

A revolução de 1930 e a crise de 1929 atingiram em cheio a Votorantim. Ao assumir parte do controle da empresa, naturalmente surgiram especulações sobre sua relação pessoal com a família e sua capacidade em liderar e auxiliar, mas José Ermírio foi, de fato, um dos responsáveis por salvar o grupo da falência, fazendo ele mesmo visita aos clientes e fechando vendas importantes. Além das indústrias Votorantim, José Ermírio teve seu talento para os negócios reconhecido também à frente da sociedade com a família Lager-Klabin, adquirindo a Nitro Química. Negociador tenaz, foi capaz de travar, inclusive, duas grandes batalhas com o poderoso industrial Francisco Matarazzo.

A primeira, contra o monopólio estabelecido por Matarazzo na fabricação de óleo vegetal desodorizado, produto que a Votorantim tinha interesse em produzir. Segundo, quanto à fabricação de raiom pela Nitro Química, produto sobre o qual mais uma vez Matarazzo detinha poder.

Mais informações:

Exposição "Pioneiros & Empreendedores: a Saga do Desenvolvimento no Brasil". Até 13 de maio, no Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz). De terça a sexta, das 8h às 18h; sábados e domingos, das 10h às 18h. Entrada e estacionamentos gratuitos. Contato: (85) 3477.3319

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