Continuação da capa

Para ver em Guaramiranga

Além da Mostra Nordeste, FNT convida companhia paulista e dá destaque a trabalhos locais na programação

00:00 · 31.08.2018 por Roberta Souza - Repórter
Image-0-Artigo-2446438-1
Image-1-Artigo-2446438-1
O grupo Pavilhão da Magnólia apresenta a peça "Maquinista" em Guaramiranga Foto: Luiz alves Os grupos Dona Zefinha (acima) e Companhia do Latão (ao lado) apresentam os espetáculos "Da Silva: el hijo de las Américas" e "Lugar Nenhum", respectivamente ( Foto: Allan taissuke )

O Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga (FNT) ainda engatinhava quando o dramaturgo e professor da área pela USP, Sérgio Carvalho, veio participar de algumas edições nos anos 1990 como debatedor e palestrante. Este ano, ele retorna à casa pela primeira vez junto ao seu grupo, a Companhia do Latão, que faz no Ceará a segunda apresentação do espetáculo "Lugar Nenhum", pouco tempo após estrear no Rio de Janeiro. Os paulistas estarão na abertura do FNT, encenando o trabalho a partir das 21h30, na Escola Prof. Júlio Holanda.

A peça surgiu dentro das comemorações de 20 anos da Companhia do Latão, a partir de um desejo de trabalhar com textos do escritor Anton Tchekhov. O grupo utilizou sua obra como referência e inspiração para uma dramaturgia própria, escrita por Sérgio de Carvalho com colaboração do elenco. "É um trabalho fundamentalmente ligado aos atores. Uma peça em que as personagens estão num estado muito alterado, à flor da pele. É uma comédia pelo excesso de drama", adianta o diretor e dramaturgo.

Leia também:

> Artes cênicas na serra

A história se passa numa casa de praia onde uma família de artistas se reúne para comemorar o aniversário de seu filho. Debates ideológicos sobre arte e política no Brasil se misturam aos pequenos estragos e violências cotidianas. "É um pouco sobre esse 'opinativismo' do Brasil de hoje, em que muita gente julga tudo antes de conhecer", descreve Sérgio.

Notas do diário de trabalho de Tchekhov e reflexões de Diderot sobre o drama contribuem para essa dimensão de um espetáculo que também faz uso de música ao vivo e projeções de vídeo. Mais de 10 pessoas integram o grupo que desembarca no Ceará exclusivamente para o FNT.

A situação é diferente para o outro espetáculo convidado. "Looping: Bahia Overdub", apresentado por artistas independentes, cujas trajetórias atravessam a dança, o teatro e a música, cumpre agenda no encerramento do FNT e vem a Fortaleza para apresentação gratuita no palco principal Theatro José de Alencar, no dia 6, às 19h, "Quem não vai poder subir a serra terá a oportunidade de sentir o gostinho na véspera do feriado", ressalta a coordenadora do evento, Nilde Ferreira.

Ceará

Em diálogo com a transversalidade das linguagens cênicas proposta pela curadoria, a maioria dos grupos locais que se apresentarão na Mostra Palco Ceará têm um histórico que abrange circo, música e teatro em gêneros diversos. Um exemplo claro é a participação da Dona Zefinha, que em 2018 também está celebrando seu jubileu de diamante.

"Isso foi uma coisa que começamos de forma intuitiva, mas acho que é uma tendência de mercado. O festival dentro desse pensamento global está super atual. Acredito que o FNT está sendo bem assertivo com esse conceito híbrido e abre para muito mais gente", observa Orlângelo Leal.

O grupo de Itapipoca também participa do encerramento do festival, lançando o disco "Da Silva: el hijo de las Américas", em parceria com os argentinos do Pato Mojado. A apresentação será na praça do teatro municipal, a partir das 20h30.

Outros grupos como a Carroça de Mamulengo, com "A?lhados do Padrinho" e "Babauzeiro", o Coletivo Artístico As Travestidas, com "Trans-Ohno", e o Pavilhão da Magnólia, com "Maquinista" também compõem a programação dessa mostra.

Além disso, os trabalhos finais das turmas de CPBT 2017/2018 também subirão a serra. "O FNT deixa de ser um lugar de acesso e coloca-se como uma plataforma de difusão", finaliza o curador desta edição, Paulo Feitosa.

Depoimentos

25 anos construindo o Festival

A gente basicamente estreou no Festival de Teatro de Guaramiranga. Em 1995 foi nossa primeira participação lá, quando o nome do grupo nem era ainda Dona Zefinha. Surgiram inúmeras parcerias e novidades. Hoje temos uma produção intensa, 20 espetáculos, 5 álbuns, e voltamos para o FNT para o lançamento do novo disco altamente renovados.

Orlângelo Leal - Dona Zefinha

Não lembro exatamente o ano, mas fui para o FNT na década de 1990. Participei de edições comentando, analisando, discutindo com atores e público, e também como palestrante para grupos de estudantes. Ter um festival com debate cria uma espécie de cultura teatral. Com o passar do tempo, você tem um público de especialistas, com conhecimento técnico.

Sérgio Carvalho - Companhia do Latão

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.