HISTÓRIA

Os rastros sangrentos da crueldade humana

02:11 · 22.06.2013
O autor, nesta obra, percorre os cem acontecimentos que causaram as maiores taxas de mortalidade

Como ponto de partida para o mapear os caminhos das destruições provocadas pelo homem, surge a indagação perplexa: foi o século XX o mais violento da história da humanidade? O objetivo do autor é o de compreender a indiferença de muitos diante do surgimento de impérios, da bancarrota destes, do aniquilamento de populações ou da escravidão de muitos.

Detalhe da capa da obra "O Grande Livro das Coisas Horríveis", de Mathew White, com prefácio de Steven Pinker. O autor percorre séculos e séculos, rastreando as marcas sangrentas das atitudes destruidoras tomadas pelos líderes mundiais

Steven Pinker, no prefácio desta obra, ressalta, no autor, a presença de um "toque leve e um humor sombrio que encobre um propósito moral sério". Desse modo, chama-nos a atenção para o fato de que todo o desprezo do autor é dirigido para a estupidez e a insensibilidade que acometem os grandes líderes mundiais, bem como para a falta de compreensão estatística e ignorância histórica das várias ideologias e seus propagandistas; por fim, ressalta que os historiadores tradicionais são indiferentes ao sofrimento humano que se inscreve por trás de acontecimentos grandiosos.

A atrocidologia

De início, o autor destaca o fato de que a crueldade se encontra no centro dos grandes conflitos mundiais e que ninguém discute sobre eventos pacíficos da História. A Segunda Guerra Pera implicou a morte de 300 mil pessoas. Alexandre, o Grande, ao longo de suas conquistas, foi responsável pela morte de 500 mil soldados, além de 250 mil civis: "Alexandre era afoitamente direto, como mostra a História do Nó Górdio, um místico enovelado de cordas mantido num templo da Ásia Menor. Uma profecia afirmava que quem conseguisse desfazer o nó dominaria a Ásia, mas Alexandre se recusou a ser distraído pela impossibilidade da tarefa. Simplesmente tirou a espada e cortou o nó. Sua estratégia de batalha característica era semelhante. Ele escolhia o que lhe parecia a parte mais forte da linha inimiga e avançava diretamente para aquele ponto". Percorrendo, com propriedade, séculos e mais séculos, da Segunda Guerra Persa até a Segunda Guerra Mundial, bem como o que de importante ocorre entre esses dois momentos, o autor delineia usos, costumes, valores e civilizações, descortinando, assim, Estados fracassados, conquistas coloniais, pelejas dinásticas, tudo para rastrear a crueldade humana.

Um perfil :

Veja-se, como exemplo, o retrato de um ditador: "Stálin tentou enquadrar a agricultura na linha da teoria comunista, abolindo as fazendas privadas e reunindo todos os camponeses em fazendas coletivas. Ali podiam compartilhar o uso de equipamentos modernos e eram forçados a vender as colheitas a preços determinados pelo governo. Os camponeses que resistiam era fuzilados ou, mais provavelmente, deportados para lugares de climas inóspitos". Uma das atitudes de Stálin residia em racionar a comida das famílias de acordo com a lealdade destas ao Estado. Foi responsável pela morte de 20 milhões, incluindo os mortos de inanição.

Considerações finais

Tendo como fontes os registros históricos e elementos estatísticos, o autor defende suas estimativas de baixa, desenhando perfis de reis delirantes, governantes sanguinários, fanáticos religiosos e líderes mundiais que levaram milhões de pessoas à morte ou ao prolongado sofrimento. Cada conflito é contextualizado e seus principais personagens são destacados. Não só as mortes, mas as consequências dos conflitos para a população em geral também ganham relevo. Nada escapa ao olho crítico de Matthew White , que ora percorre a Revolução Mexicana, ora a Guerra Civil Chinesa, afinal e contas os grandes acontecimentos sempre deixam grandes rastros.

LIVRO

O Grande Livro das Coisas Horríveis
Matthew White
ROCCO
2013, 768 Páginas
R$ 62,00

CARLOS AUGUSTO VIANA
EDITOR

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