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Os planos do diretor Halder Gomes

Diretor cearense comemora a segunda maior bilheteria nacional do ano com o filme "Os Parças" e projeta lançamentos para 2018

O cineasta cearense Halder Gomes; ao lado, três dos seus filmes mais importantes: "Cine Holliúdy", "O Shaolin do Sertão" e o recente "Os Parças". Nos planos para 2018, estão o lançamento de um novo filme e de uma série para TV ( FOTO: CID BARBOSA )
00:00 · 30.12.2017

Halder Gomes não para de produzir. Depois de "Cine Holliúdy" (2012), "O Shaolin do Sertão" (2016) e "Os Parças" (2017), ele já planeja um 2018 cheio de desdobramentos, com o lançamento de "Cine Holliúdy 2" em maio, da série em parceria com a Globo entre outubro e novembro, e até mesmo alguns avanços de "O Shaolin do Sertão 2" para o segundo semestre. Se este ano não foi de férias, o próximo tampouco será. Aliás, até 2023 ele garante estar com a agenda cheia.

Mas antes do futuro chegar, o cearense faz questão de comemorar as conquistas de 2017. Com "Os Parças" ele alcançou sua maior bilheteria desde o primeiro lançamento. Até 22 de dezembro, foram mais de 1.135 espectadores, ficando atrás apenas, em termos de produções nacionais, do longa "Polícia Federal - A Lei é para Todos", de Marcelo Antunez, sobre a Operação Lava- Jato, com 1.381 espectadores.

"Quando estreamos, tínhamos 251 salas. Crescemos com a demanda que o filme gerou. Hoje temos 340 salas. Quando a tendência é cair, fomos na contramão e subimos drasticamente nosso número de salas por conta dessa demanda gigantesca que aconteceu em vários pontos do País. E acredito que ainda ficaremos em cartaz em algumas praças do Nordeste até final de janeiro", projeta.

A produção - que reúne os cearenses Tom Cavalcante e Tirullipa, o piauiense Whindersson Nunes e o paulistano Bruno de Luca - reforça o tom das produções regionalistas de Halder, embora ele não assine como roteirista. "Eu vinha buscando um projeto que fosse um pouco fora da questão de época. Queria fazer um filme mais urbano e que mantivesse minha linguagem, minha forma de me expressar, mas sob um olhar contemporâneo. Esse projeto caiu perfeito na minha mão porque tinha todos esses elementos", conta o diretor.

"Os Parças" acontece na Grande São Paulo e tem nordestinos como protagonistas. "Essas pessoas estão lá, mas não são percebidas. São a alavanca que move Rio e São Paulo. Isso foi o que mais me atraiu no projeto, não só pela comédia em si", declara sobre a parceria com a Downtown Filmes.

Retroalimentar

Halder reconhece que a boa bilheteria de uma produção ajuda a alimentar outra, e é nisso que aposta também para maio de 2018, com "Cine Holliúdy 2". "Mas cada caso é um caso", pondera. "Nosso trabalho é fazer um bom filme e cabe ao espectador avaliar se ele é sucesso ou não. A única coisa que posso dizer é que fiz um filme muito bonito, muito engraçado, muito divertido. Considero um dos meus filmes mais elaborados e mais caprichados e acredito que ele tem potencial para navegar com boa receptividade desse público que abraçou as outras produções", diz.

A legenda de "Cine Holliúdy 2", segundo Halder, não vai ser tão presente quanto foi no primeiro. "Vamos fazer um exercício das pessoas ouvirem mais nosso filme. Até porque demos uma aula aí no primeiro, demos uma canja em alguns momentos no Shaolin, mas estamos no mesmo país, vamos entender os sotaques alheios. A gente já entende tanto os sotaques que vem de lá pra cá, já mandam tanta coisa pra gente que somos obrigados a assimilar. Vamos agora inverter essa balança e exportar um pouco da nossa forma de se expressar", enfatiza.

Nessa sequência, Francisgleydisson (Edmilson Filho) demonstra sua paixão por fazer cinema. "É uma exaltação, uma reverência aos produtores do Interior, produtores que fazem conteúdo para as suas cidades. Existe muito isso, essa produção mambembe no interior do Brasil, pessoas que sonham em fazer cinema, mas não têm recurso mas realizam de qualquer maneira, na raça. Fecho essa trilogia numa metalinguagem do cinema, mas muito universal", detalha. A estreia está prevista para 10 de maio.

Mais projetos

A série que está sendo desenvolvida em parceria com a Rede Globo, por sua vez, também pega carona nesse interesse do público em produções do cearense. Com 10 episódios, o elenco será composto por Edmilson Filho, Matheus Nachtergaele, Heloisa Périssé e Leticia Colin. A direção ficará por conta de Patrícia Pedrosa (Mister Brau, A grande família) e Halder.

"Diria que a série é um prelúdio do 'Cine Holliúdy'. Temos um Francisgleydisson ainda solteiro e que tem seu cinema numa cidade fictícia chamada Pitombas. Dali ele vive todo seu universo fantástico, surreal, de situações que acontecem nessa cidade relacionadas ao seu cinema", diz.

"Então é uma composição que reúne todos aqueles elementos característicos de cidade do Interior: prefeito, padre, primeira-dama", completa o diretor cearense.

Cada episódio terá 30 minutos. "Tô feliz com o resultado, porque mantém uma estética, uma característica muito forte, que seduziu o público", diz. As filmagens estão acontecendo no interior de São Paulo, na cidade de Areias, na capital paulista e também serão feitas cenas em Quixadá.

"Shaolin do Sertão 2" também está avançado. "Estamos terminando agora o primeiro tratamento do roteiro. Se tudo andar bem, se o roteiro chegar bem maduro pra mim e eu sentir que consigo evoluir com ele até o meio do ano, diria que rodo ele ainda em 2018, se não 2019", adianta.

Halder adianta ainda outros projetos em desenvolvimento, tais como "Bem-vindo a Quixeramobim", comédia romântica que acontece entre São Paulo e o sertão; e "Vermelho Monet", um drama voltado ao cinema de arte, que fala de pintura e cujas filmagens devem acontecer em Lisboa em 2019. Os convites para dirigir fora do País, aliás, ele garante não faltarem. Mas, por enquanto, Halder prefere finalizar os daqui.

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