Ensaio

Os adolescentes e os smartphones

00:00 · 31.08.2014

Os adolescentes estão no grupo social em que os Smartphones mantiveram e mantêm o maior impacto. E por terem nascido, praticamente, no mesmo momento em que essa tecnologia era introduzida na sociedade, eles utilizam os recursos e ferramentas do dispositivo de modo intenso e ágil, além de se adaptarem e de acompanharem com maior facilidade e avidez a sua rápida evolução: (Texto IV)

Logo, a onda tecnológica, de hoje, são os smartphones. E a vitalidade dos adolescentes atuais vem através do desenvolvimento de uma dependência desses aparelhos que, cada vez mais, consolida-se como extensão existencial nos adolescentes. Para essa geração de jovens, adquirir um smartphone é tornar-se adolescente. Pois ele acaba tendo uma participação no modo como os adolescentes se percebem diante de si e dos outros, e na sua maneira de se inserir no mundo.

A disseminação

Esses dispositivos proliferaram a partir da tendência da tecnologia pessoal, que surgiu em 2010. Assim, essa inclinação é apenas um dos vários fatores que impulsionaram o uso de smartphones para interações sociais. A sua disponibilidade em diversos modelos, com conexão à internet e sua infinidade de funções vem incluindo, cada vez mais, os smartphones na lista de itens de "sonho de consumo" dos jovens. Vale destacar alguns dos recursos que mais chamam a atenção em termos de conteúdo, interatividade e informação, são eles: o acesso a internet remota que pode ser feito em qualquer lugar do planeta, a possibilidade de fazer download de músicas em mp3, assistir TV, ouvir rádio, produzir filmes, tirar fotos, receber e enviar e-mails, gravar voz, enviar mensagens de texto e multimídia.

Esses recursos são benéficos e bastante úteis no cotidiano dos adolescentes. Entretanto, esse novo espaço de interação os expõe a uma desconexão com a realidade física. O uso excessivo do smartfone leva os adolescentes a se desconectarem do real. Como explica a psicóloga Dora Sampaio Góes, do Grupo de Dependência de Internet do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de Universidade de São Paulo (USP): (Texto V)

Outra psicóloga que alerta para o fato de um uso indevido dos smartfones e da dificuldade na separação do mundo real e do virtual é Andreia Calçada: (Texto VI)

Além do exposto, o uso desenfreado do smartphone pode também prejudicar a saúde dos jovens. Pois quando o "estar conectado" ultrapassa a medida, pode atrapalhar o sono. A " privação do sono é o que pode causar mais estragos", alerta Maurício de Souza Lima, hebiatra do Instituto da Criança de São Paulo (citado por AGMONT, 2014). Ele ainda diz mais: (Texto VII)

Atrelado a isso, o exagero da portabilidade do dispositivo abala as emoções dos jovens. É que os adolescentes criam expectativas permanentes em torno das mensagens do WhatsApp e afins. E dessa forma, sofrem um enorme desgaste psicológico. "A psicóloga Patrícia Gimenez, coordenadora do Núcleo Adolescência e Escolha da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica diz: (Texto VIII)

Diante disso, na Inglaterra foi criado um nome para esses distúrbios psicológicos que acometem principalmente pelos adolescentes, é a Nomofobia. A palavra é uma abreviação de "no mobile phobia" que, literalmente, significa o medo de ficar sem celular. O termo designa as pessoas que têm medo de ficar incomunicáveis ou desconectadas a esse tipo de dispositivo. De acordo com dados levantados pela empresa de segurança SecurEnvoy, aproximadamente 78% dos jovens britânicos, entre 18 e 24 anos, sofrem de Nomofobia e alguns chegam a ter dois ou mais smartphones para garantir que sempre estarão online. Já no Brasil, "cera de 18% dos brasileiros admite entrar em pânico se ficarem sem o aparelho." (DIA, 2012)

Considerações finais

Contudo, diante dessa realidade, também estão sendo produzidas pesquisas voltadas a combater os malefícios da tecnologia para a saúde dos jovens. Além disso, uma solução mais rápida viria através dos professores. Pois eles poderiam realizar um trabalho de educação mais aprofundado sobre a utilização dos diferentes meios de comunicação estimulando o seu uso racional e ensinado os seus alunos a serem críticos. Também se deve destacar a enorme importância da participação dos pais sobre o consumo de aparelhos midiáticos, frisando, principalmente, o celular. Dispositivo que interfere nas relações familiares de maneiras direta e indireta. Um exemplo comum é quando a família senta à mesa para a refeição e o adolescente mexe no smartphone enquanto se alimenta. É nessa situação, e em muitas outras, que os pais devem impor um limite de acesso. Afinal, a adolescência contemporânea vive em um mundo globalizado onde o lema é: quem não está ligado, não está no mundo.

Trechos

TEXTO IV
Assim, em qualquer período dado da história, o tempo mais afirmativamente excitante será desfrutado por aquela parte da juventude que se encontra na onda de um progresso tecnológico, aparentemente promissor de tudo o que a vitalidade juvenil poderia desejar." (ERIKSON, 1976)

TEXTO V
"a tecnologia prende a nossa atenção de tal forma que acabamos por ficar desconectados do mundo a nossa volta. Isso, muitas vezes, deve ser levado em consideração mais do que o fator tempo em si." (GLOBO, 2013)

TEXTO VI
Muitos criam um comportamento obsessivo-compulsivo com o celular e precisamos tratá-los como viciados. Algumas pessoas simplesmente não conseguem se desconectar. Mesmo durante um jantar a dois, elas usam os aplicativos do aparelho para se comunicarem." (DIA, 2012)

TEXTO VII
Além de distração nas aulas do dia seguinte e mau desempenho nas provas, as noites mal dormidas comprometem a produção do hormônio do crescimento (o chamado GH), que é responsável pelo estirão puberal, aquela esticada típica da adolescência. (AGMONT, 2014)

TEXTO VIII
"com o tempo, esse estado de alerta constante pode se transformar em crise de ansiedade ou até em depressão. Às vezes acontece de o hábito de ligar ou mandar torpedos para os amigos virar dependência e, no caso, a situação se equipara ao vício provocado pelo álcool, exigindo apoio profissional." (citado por AGMONT, 2014)

SAIBA MAIS

BAUMAN, Zygmunt. O mundo pós-moderno: a condição do indivíduo.
Rio de Janeiro: Zahar. 2012

ECO, Umberto. Alguns mortos a menos. O Estado de São Paulo,
10 de ago. 2003, A16

ERIKSON, Erik H. Identidade: juventude em crise.
Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1976

(M. & V.)

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