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Morre o professor e poeta cearense Pedro Lyra

Escritor tinha 72 anos de idade e desde o dia 9 de outubro estava internado por conta de um infarto

16:02 · 24.10.2017 / atualizado às 16:14

Luto nas Letras cearense. Morreu na tarde de segunda-feira (23), o poeta Pedro Lyra. O escritor faleceu às 17 horas, no município de Campos dos Goytacazes, interior do Rio de Janeiro, segundo informações divulgadas pelo filho, Wladimir Lyra. O escritor lutava pela vida após sofrer um infarto na madrugada do último dia 9.

O corpo será velado na quarta-feira (24), no Cemitério de São Francisco Xavier (Caju), localizado na capital fluminense. Após homenagens, o corpo será cremado em cerimônia restrita a familiares. Depois, as cinzas virão para Fortaleza, onde será celebrada missa de sétimo dia. Além da Capital cearense e Campos, Lyra residiu no Rio de Janeiro. 

>>O poema postal de Pedro Lyra
 
Atuação

Lyra foi docente da Universidade de Fortaleza (Unifor) e da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Ceará até 1981, quando se transferiu para a da Universidade Federal do Rrio de Janeiro (UFRJ), onde ficou até 1997. Durante 10 anos foi colaborador do Jornal do Brasil (1976-85), onde recenseou grande parte da obra poética da Geração-60, reunida nos 2 vo­lumes de "O real no poético", que lhe valeu o Prêmio de Ensaio da APCA em 1987 e serviu de base para a organização de Sincretismo.

"É com profundo pesar que a família Lyra comunica que nosso querido Pedro Lyra faleceu hoje, em Campos-RJ, dia 23 de outubro, às 5 hrs da tarde. (...)Estamos muito abalados com sua partida. Meu pai viveu para a poesia. Ele tinha 72 anos, deixa cinco filhos, três netos e muitos versos", escreveu Wladimir Lyra.

Tem poemas e ensaios publicados em vários países da América La­tina e da Europa e está presente em diversas antologias poéticas, no país e no exterior, sendo as mais recentes: Modernismo brasileiro und die brasilianische Lirik der Gegenwart (Berlim, Druckhaus Galrev, 1997), organização e tradução de Curt Meyer-Clason, com 6 sonetos de Desa­fio; Antología de la poesia brasileña (Barcelona, Laiovento, 2000), organização e tradução de Xosé Lois García, com poemas de 4 livros; Canto a un prisionero: Antología de poetas americanos (Ottawa, Editorial Poetas Antiimperialistas de América, 2005), organização e tradução de Elías Letelier, com um poema de Decisão (1985).

Foi Professor Visitante em universidades de Portugal (1986, 1990), Alemanha (1987) e França (1989-90, 1993) e pronunciou conferências em diversas instituições de Lisboa e Porto, de Bonn e Colônia, de Viterbo e Roma, e de Grenoble, Clermont-Ferrand, Pau e Paris.

Obras selecionadas

Poesia

"Sombras – Poesia da dúvida". Fortaleza, Ed. do Autor, 1967. Prêmios "José Albano" da Universidade Federal do Ceará e "Poesia" da Academia Cearense de Letras, 1968.
"Doramor – Uma trajetória da paixão". Fortaleza, Imprensa Universitária, 1969.
"Poema-Postal". 1ª série: Fortaleza/Rio, 1970. 2ª: João Pessoa, 1971. 3ª: Fortaleza/Rio, 1986. 4ª: Lisboa, 1987. 5ª: Paris, 1989. 6ª série: Rio, 2009.
"Decisão – Poemas dialéticos". Rio, Tempo Brasileiro, 1983. 2.ed.: 1985.
"Musa lusa – Sonetos do amor". Lisboa, Limiar, 1988.
"Desafio – Uma poética do amor". Rio, Tempo Brasileiro, 1991. (Reedição revista e ampliada de Musa lusa.)
"Contágio – Poesia do desejo". Rio, Tempo Brasileiro, 1993.
"Errância – Uma alegoria trans-histórica". Rio, Tempo Brasileiro, 1996.
"Visão do Ser – Antologia poética com Fortuna crítica". Rio, Topbooks, 1998.
"Jogo – Um delírio erótico-metafísico-econômico ou Uma aventura em versifrases". Rio/Fortaleza, Topbooks/Ed. UFC, 1999.
"Vision de l’Etre – Anthologie poétique". Paris/Fortaleza/ Rio, L’Harmattan/Fundação Cultural de Fortaleza/Topbooks, 2000. Organização, tradução e prefácio de Catherine Dumas. Apresentação de Anne-Marie Quint.
"Confronto – Um diálogo com Deus". Rio, Íbis Libris, 2005.
"Argumento – Poem´y´thos globais". Rio, Íbis Libris, 2006.
"50 poemas escolhidos pelo autor". Rio, Galo Branco, 2006.

Crítica:

Poesia cearense e realidade atual. Petrópolis/Fortaleza, Vozes/Universidade de Fortaleza, 1975; 2ª ed.: Rio, Cátedra/INL, 1981.
O real no poético. Rio, Cátedra/INL, 1980.
O dilema ideológico de Camões e Pessoa. Rio, Philobiblion, 1985. Prêmio IV Centenário da Morte de Camões do Real Gabinete Português de Leitura. Rio, 1982.
O real no poético-II. Rio, Cátedra/INL, 1986. Prêmio de Ensaio da Associação Paulista de Críticos de Arte, 1987.

Ensaio: 

Utiludismo – A socialidade da arte. Rio, Tempo Brasileiro, 1976; 2ª ed., revista: Rio/Fortaleza, José Olympio/Ed. UFC, 1982.
Literatura e ideologia – Ensaios de sociologia da arte. Petrópolis, Vozes, 1979; 2ª ed., revista e ampliada: Rio, Tempo Brasileiro, 1993.
Conceito de poesia. São Paulo, Ática, 1986; 2ª ed.: 1992.
Sincretismo – A poesia da Geração-60. Introdução e Antologia. Rio, Topbooks/ Fundação Rioarte/Fundação Cultural de Fortaleza, 1995.

 

 

 

 

 

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