Luto

Ícone do jornalismo literário, Tom Wolfe morre aos 87 anos

Escritor é considerado um dos fundadores do "new journalism", movimento jornalístico dos anos 1960 e 1970 no Estados Unidos

14:02 · 15.05.2018 / atualizado às 14:56 por Folha Press
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Tom Wolfe: seu ensaio "The kingdom of speech" (que será publicado no Brasil pela Rocco) irritou linguistas e outros especialistas. O jornalista retomou ideias esquecidas de cientistas do passado, contrapondo-as aos do presente

O escritor e jornalista Tom Wolfe, um dos grandes nomes do jornalismo literário norte-americano, morreu nesta segunda-feira (14) em um hospital de Nova Iorque. A informação foi confirmada ao jornal britânico The Guardian por sua agente literária, Lynn Nesbit. De acordo com ela, ele estava internado com uma infecção. Ele morava na cidade desde 1962.

Com outros repórteres do período, ele ajudou a consolidar a reportagem que adotava técnicas literárias em concepção. Wolfe é autor de clássicos como "A Fogueira das Vaidades" e "Radical Chique". Este último, uma reportagem sobre a relação das elites nova-iorquinas com os black panthers, está publicado no Brasil no volume "Radical Chique e o Novo Jornalismo".

Num ensaio incluído nessa edição, Wolfe tentava sistematizar o que a geração de jornalistas literários americanos havia criado -explicando o que, afinal, havia de novo naquele gênero. Esse ensaio, de 1973, foi o responsável por criar o termo novo jornalismo.

Mudanças

A novidade era a aplicação de técnicas de escrita estabelecidas pelo realismo literário, por nomes como Balzac (1799-1850) e Gustave Flaubert (1821-1880), às narrativas de não ficção. Por isso, o grupo que incluía ainda Truman Capote (1924-1984) e Gay Talese adotava ferramentas como a construção de diálogos e a descrição minuciosa de cenas e ambientes.Já "A Fogueira" foi publicado no Brasil pela Rocco, mas está fora de catálogo. O último lançado aqui foi "O Reino da Fala", de 2016.

Trajetória

Wolfe nasceu na Virginia, em 1931, e saiu da faculdade de direito para a reportagem, no Springfield Union, de Massachusetts. Foi para Nova York, em 1962, trabalhar no The New York Herald Tribune e nunca mais deixou a cidade. Ele vivia com sua mulher, Sheila, e tinha dois filhos.​

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