Ensaio

O Realismo e o Naturalismo no romance Vozes sem Eco

00:00 · 07.12.2013
Apesar das marcas, Realismo e Naturalismo se confundem num romance e voltado para a crítica social

O Romance Vozes Sem Eco - A angústia dos miseráveis e a revolta da natureza se insere bem nessa definição Naturalista/Realista contemporâneo, onde os personagens têm fidelizados seus papeis e a interpretação de caráter estão bem delineadas, características marcantes do Realismo, enquanto do Naturalismo a obra herda a incorporação de termos científicos e profissionais, além de discurso determinista e evolucionista. Segundo o autor Ésio de Souza, o livro "Vozes sem Eco" é uma obra de cunho político e social contemporâneo de denúncias sociais: "Comecei a escrever Vozes sem Eco, com o cuidado de não me envolver com os aspectos ideológicos, que, geralmente, em uma temática como essa exige. E para tanto usei muito o recurso da intertextualidade, onde os discursos, sejam de personagens reais ou fictícios, dialogam e às vezes se digladiam.", afirma o escritor.

Trata-se de um romance que mistura a ficção e o real com o objetivo de mostrar o impacto das transformações políticas e sociais na vida dos brasileiros em 50 anos de história.

Indignação e resistência

A obra conta a história de Padre Domício que, recém-chegado à cidade de Ferruja (cidade fictícia), sente-se profundamente impressionado com o modo de vida miserável de seus habitantes e a política exercida por homens ricos e sem nenhum interesse no bem-estar do povo. Ao lado dele, a jovem Joana Vadinha cria coragem para também se opor à oligarquia. Ésio de Souza ressalta: "Na obra, a miséria, principalmente a da América Latina do século XXI, é analisada por olhares e opiniões de personagens imaginárias e reais, levando a uma reflexão à cerca das mazelas sociais brasileiras e da condição do homem excluído que, aprisionado às realidades política, econômica, social e ecológica, sofre com o preconceito e a falta de oportunidades". Bem incisivo.

Jornalista

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Breves notas acerca do romancista

O escritor Ésio de Souza nasceu em 24 de setembro de 1935, na cidade de Senador Sá, no Ceará. É engenheiro Agrônomo, técnico em desenvolvimento econômico e social e escritor brasileiro. Ingressou em 1963 na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) na gestão de Celso Furtado, onde permaneceu até 1991. Foi secretário da Agricultura do Estado do Ceará na gestão Virgílio Távora e secretário do Interior na gestão Gonzaga Mota. Atualmente, é membro do Instituto Histórico e Geográfico do Ceará. Editado no Rio de Janeiro pela Ibis Libris, Vozes sem Eco - A Angústia dos Miseráveis e a revolta da Natureza é sua 5ª obra, sendo antecedida por:Capitão Mor José de Xerez Furna Uchoa - O Introdutor do Café no Ceará - O Homem e seu tempo; A Fagulha da Abolição; No Rastro do Boi; Conquistas, lendas e mitos; e, ainda, O Poder das Amarras.

SAIBA MAIS

CUNHA, Euclides da. Os sertões. São Paulo: Ática, 2002

LEITE, Lígia Moraes. O foco narrativo. São Paulo: Ática, 1985

PAZ, Octavio. Signos em rotação. São Paulo: Perspectiva, 1989

ANA LUIZA CARACAS
JORNALISTA

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