Show

O protagonismo de Delia Fischer

Em nova fase da carreira, a cantora e compositora carioca apresenta trabalho solo no Teatro Celina Queiroz

00:00 · 18.05.2018

Não é a primeira vez que Delia Fischer avista o mar da Praia de Iracema, tampouco que vem para a cidade solar apresentar seu trabalho musical. A diferença é que agora ela vem sozinha, acompanhada apenas da voz e do piano de cauda com o qual iniciou a trajetória profissional. A cantora e compositora vive hoje um momento de redescoberta pessoal, que a destaca como protagonista da própria história, e é sobre essa fase que ela vai cantar e tocar neste sábado (19), no palco do Teatro Celina Queiroz, a partir das 20h.

A nova atitude em relação à carreira só foi possível "depois de muito tempo de análise, terapia, astrologia, tudo!", conta ela, entre risos. Do Duo Fênix à participação nas bandas de Ed Motta e Toninho Horta, passando ainda pelos trabalhos de direção musical em espetáculos como "Milton Nascimento - Nada será como antes", "Elis, A Musical", "Chacrinha, O musical" e "Garota de Ipanema, O Musical da Bossa Nova", quase não sobrou tempo para ela olhar para o interior de si. Mas, nos últimos dois anos, Delia resolveu dar prioridade a isso, o que ficará evidente no show cearense.

A apresentação com piano amplia as sonoridades do concerto com efeitos eletrônicos cuidadosamente elaborados por ela, e o repertório mescla faixas de seus álbuns anteriores com novas canções que estarão no novo disco, a ser lançado no segundo semestre. "Preparei um apanhado geral de carreira. Tenho quatro discos solo (contando o que está em produção), fora os outros de grupo, e vou tentar pincelar cada uma dessas fases", adianta.

Repertório

Beatles, Roberto e Erasmo, Egberto Gismonti, Guilherme Arantes e Thiago Picchi ganharão leituras muito pessoais da artista, nas canções "Blackbird", "Olha", "Palhaço", "Meu mundo e nada mais" e "Mercado", respectivamente.

Além disso, o público conhecerá três canções inéditas: "Samba mínimo", "Canção de autoajuda" e "Ela furou", gravadas para o próximo disco, cujo título, "Tempo Mínimo", remete a um minimalismo e uma rapidez do tempo atual.

Não muito diferente do restante da trajetória, a fase atual é também de muitas parcerias. "Sou uma esponja, por onde passo tento aprender", observa Delia. Para o novo disco, ela convidou Ed Motta e Marcos Vale para atuarem como intérpretes, e contou com a colaboração de diversos produtores, como Sacha Amback, Pretinho da Serrinha, Domenico Lancellotti, Rodrigo Campello, Matias Correa e seu filho Antonio Fischer-Band.

"Essas são pessoas que trabalham na Globo, com estúdios, com vários artistas importantes. Considero esses caras grandes participações especiais do novo disco, porque me ajudaram a pensar numa estética diferente da minha", destaca a cantora.

"Como faço direção musical, tô muito acostumada a pegar as rédeas da situação e resolver tudo: que instrumento vou usar, quem vou chamar. Mas quero ser artista nesse disco. Quero ter uma visão de fora. É muito importante".

O efeito disso foi um trabalho em que Delia se assume muito mais como cantora e letrista. "Esse é um disco que acho que me coloca num lugar muito de quem fala, no discurso da fala, que talvez no início da carreira como pianista eu não tivesse", pontua.

A partir do trabalho com musicais, ela também amadureceu a visão de palco. "Ganhei uma preocupação com roteiro, espetáculo, iluminação; uma visão geral, porque muitas vezes a gente da música fica só focado no som. O teatro mudou muito a minha maneira de pensar e de ensaiar", observa.

"Tempo mínimo" será lançado em agosto, mas na próxima semana Delia vai disponibilizar um single. Passada a temporada em Fortaleza, que também inclui seleção do Laboratório de Música do Porto Iracema, ela vai se dedicar à finalização do disco e aos festivais dentro e fora do País, celebrando ainda os prêmios recebidos em Nova York durante o 16º Independent Music Awards 2018, no Lincoln Center (Best Latin Song e Vox Pop).

Repertório

1. Palhaço (E. Gismonti)
2. O Mar e a Sereia (D. Fischer & Thiago Picchi) 
3. Samba Mínimo (D. Fischer) 
4. Blackbird (Lennon & McCartney)
5. Nascimento da Vênus (D. Fischer & Camila Costa)
6. Frevo (E. Gismonti) 
7. Auto Retrato (E. Gismonti e Geraldo Carneiro)
8. Aluvião (D. Fischer & Sergio Natureza)
9. Baião Malandro (E. Gismonti)
10. Meu mundo e nada mais (Guilherme Arantes)
11. Canção de autoajuda (D. Fischer & Carlos Careqa)
12. Olha (Roberto & Erasmo Carlos)
13. Mercado (D. Fischer & Thiago Picchi)
14. Ela Furou (Camila Costa & D. Fischer)
15. Cor de Sol (E. Gismonti e Eugenio Dale)

Mais informações:

Show de Delia Fischer no Teatro Celina Queiroz (Campus da Unifor) - Projeto Recitais de Piano. Neste sábado (19), às 20h. Ingressos: R$ 20 (inteira). Vendas: Bilheteria do Teatro e Loja do Campus. Classificação: Livre. Contato: (85) 3477.3033 ou 3477.329

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