Ensaio

O processo da meditação: um assunto da percepção

O termo meditação implica um conjunto de técnicas cuja finalidade é a iluminação espiritual

00:00 · 01.02.2015

Embora o diálogo entre ciência e espiritualidade ainda seja controverso, observamos nas ultimas décadas uma possibilidade de intercâmbio e mesmo, de convergência, entre estas formas de conhecimento. Para o P.H.DErvinLaszlo (2013) em "A Ciência e o Campo Akáshico", trata-se: (Trecho I)

Neste sentido é que podemos perceber que muito ainda pode ser estudado sobre a natureza humana e o universo através do intercâmbio entre formas de conhecimento que no passado pouco dialogaram, como a ciência e a espiritualidade. De acordo com Laszlo e com muitos outros pesquisadores, existem temas recorrentes em nossa história cultural que ainda são novidade para a ciência ocidental.

As reiterações

Uma prática recorrente nas culturas do mundo e que faz parte do objeto deste artigo é a meditação. De forma direta e objetiva, meditação é um termo genérico utilizado para designar um conjunto de técnicas que levam à experimentação de estados alterados de consciência e que tem por finalidade a iluminação espiritual.

Encontramos ao redor do mundo várias técnicas de meditação ligadas a diferentes filosofias e religiões, sendo consideradas tradicionais aquelas ensinadas pelo budismo e o vedismo. O interesse por técnicas meditativas orientais se deu no ocidente a partir da década de 60 do século XX, quando mestres e gurus vieram da China, da Índia e do Japão para países ocidentais com o objetivo de disseminar seus ensinamentos.

Por muito tempo a crença num poder oculto, na cura alternativa e em "poderes" parapsicológicos foi (e ainda é) associada a charlatães e fraudes e a uma "massa" considerada inculta e não-escolarizada pertencente às camadas "baixas" da sociedade.

Com base nos trabalhos de Pierucci (2001) e Guerreiro (2003), no entanto, estima-se que aqueles que buscam esse tipo de conhecimento na atualidade fazem parte dos centros urbanos e de uma classe média que se declara nos censos e levantamentos como não adepto de uma religião institucionalizada. Silas Guerreiro afirma: (Trecho II)

Portanto, independente da classe social e do grau de escolarização, verifica-se uma série de equívocos e preconceitos com relação a estas questões que ainda precisam ser esclarecidos.

Consciente & inconsciente

Neste sentido, a psicologia analítica junguiana pode nos ajudar. Sigmund Freud foi "revolucionário" quando afirmou no momento histórico em que vivia sobre a existência de um aparelho psíquico no qual encontramos duas "porções": uma considerada consciente e outra inconsciente. Para Freud, a consciência é responsável pela nossa relação com o mundo exterior e tem como centro uma estrutura que ele chamou de ego (a noção de si como algo diferente do mundo). O inconsciente, por sua vez, são as inibições e os conteúdos inadequados à vida consciente.

São os impulsos animais, a agressividade, a sexualidade, a fome, etc., que tornam o convívio social do homem improvável se considerados em sua forma original.

Discípulo de Freud, Carl Gustav Jung ampliou o conceito de inconsciente ao observar em seus conteúdos não apenas o material recalcado de um determinado indivíduo.

Ele percebeu que juntamente com estes conteúdos "indesejáveis", as imagens fornecidas pelo inconsciente pareciam também possuir um caráter arcaico, isto é, uma espécie de modelo comum a toda a humanidade.

Fique por dentro

Notas acerca do dualismo entre o corpo e a mente

A historiadora, psiquiatra e psicanalista Elisabeth Roudinesco, em seu "Dicionário de psicanálise" (Zahar, 1998), ressalta que, desde priscas eras, a ideia de que existe uma atividade diversa do funcionamento da consciência incitou reflexões de estudiosos, em diversos campos do saber. Mas foi René Descartes quem postulou o princípio da presença de um dualismo envolvendo o corpo e a mente - o que fez que ele fizesse da consciência (e do cogito) o luar da razão, estabelecendo, portanto, um contraste com o universo da desrazão. Entende a pesquisadora que, a partir daí, o inconsciente passou a sofrer um processo de domesticação, seja para a sua integração na razão, quer para ser rejeitado para a loucura. Já no século XVIII, com Pascal e Spinoza, veia a ideia da autonomia da consciência como algo necessariamente limitado por vitais incognoscíveis e, com frequência, destrutivas. Abriu-se então um caminho para uma terapêutica fundamentada, desse modo, na teoria do magnetismo.

Trechos

TRECHO I

Embora uma visão difundida suponha que a ciência se constitua numa coleção de observadores, medidas e fórmulas matemáticas, ela não se resume a isso; a ciência também é uma fonte de percepções profundas sobre o modo como as coisas são no mundo. (...) Naturalmente, é indiscutível que no pensamento corrente da comunidade científica oficial os pesquisadores estão, com frequência, mais preocupados em fazer com que suas equações produzam resultados bem-sucedidos do que com o significado que eles podem atribuir a elas. Mas esse não é exatamente o caso dos principais teóricos"

(2013, p. 9).

TRECHO II

Em nossa sociedade, um número cada vez maior de pessoas com alto poder aquisitivo e um bom nível de escolaridade lança mão de uma certa magia" (2003: 19).

Paula Viana Mendes*
Especial para o Ler

*Aluna da Unifor, é pesquisadora do Grupo de Pesquisa MITHO - Movimento Investigativo Transdisciplinar do Homem

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