Entrevista com Daniel Frazão

O mito demasiado humano

00:00 · 08.01.2018
O autor Daniel Frazão: "o principal combustível foi minha própria vivência com a figura de Elvis, minhas visões e percepções a respeito dele"

Você define "As crônicas de Elvis..." como uma "biografia romanceada". O que isso significa?

Sempre escrevi romances, então não poderia escrever uma biografia tradicional. Mas "biografia romanceada" é só um termo. Só pensei em contar uma história de um personagem que sempre me fascinou: Elvis Presley. Em qualquer livro, você verá que Elvis surgiu ao gravar um disco caseiro na gravadora de Sam Phillips, mas como será que ele se sentiu nesse momento? No meu livro, o que importa é isso, muito mais que passar os fatos que, ainda assim, estão lá.

> A vida romanceada de Elvis

Esse é o primeiro livro biográfico que você escreve? Como surgiu o interesse por esse gênero literário?

É o primeiro, sim. O interesse não foi propriamente pelo "gênero biográfico", mas sim por contar a história do Elvis. E só poderia fazer isso da forma que sei fazer, num romance. Por um lado, não vi diferença entre escrever esse ou meus livros anteriores. Por outro, foi mais difícil e, ao mesmo tempo, mais fácil. Mais fácil por ser uma história que me é familiar desde a infância, e mais difícil exatamente pelo mesmo motivo. Contar histórias próximas ao seu coração sempre traz desafios novos.

Quanto tempo você levou entre o projeto e a execução da obra?

Não perdi muito tempo com o projeto. Quando dei por mim, já estava escrevendo. Comecei despretensiosamente. O processo de pesquisa envolveu material bibliográfico, visual e fonográfico. Para entender Elvis Presley não basta pesquisar sua vida, é preciso ouvir sua música. Só que o principal combustível foi minha própria vivência com a figura de Elvis, minhas visões e percepções a respeito dele, o impacto e o significado que teve e tem na minha vida.

Você promete revelar facetas pouco conhecidas do Rei do Rock neste primeiro volume. Poderia citar alguma? Como você conseguiu?

Elvis está presente em minha vida desde quando eu era criança. Comprei meu primeiro LP dele aos 9 anos de idade. Ele surgiu mais ou menos na mesma época em que a literatura pra mim, e ambas as paixões seguiram comigo em lados paralelos. Era meio que natural que algum dia eu juntasse essas duas coisas e escrevesse um livro sobre ele. Acho que o principal aspecto desconhecido que mostro é um Elvis inseguro, cheio de dúvidas, anseios e complexos. Conheci esse "outro Elvis" ao longo de muita pesquisa, ou melhor, muita obsessão com o mesmo, num processo de imersão total.

Como você enfrentou o desafio escrever sobre um mito?

Tornando-o humano. Elvis é mito, mas também é humano, demasiado humano. Em minha opinião, sua própria humanidade o matou. Por mais mito que fosse, jamais conseguiu deixar de ser um homem intenso, inseguro e com um monte de contradições. Elvis é essa figura "shakespeariana" que parece inatingível e ao mesmo tempo tão próximo e parecido com todos nós. Você vê Elvis em cada um dos "superstars" que lotam os estádios, mas também o vê em qualquer garoto deslocado num pátio de escola.

Há previsão para o lançamento dos outros volumes? Como está sendo a receptividade do público e crítica?

Serão lançados o quanto antes, mas obviamente que dando tempo para que cada um dos volumes possa marcar seu território, crescer e amadurecer. A receptividade está incrível. Recebo feedbacks de pessoas que mal notavam Elvis Presley e que agora o conhecem melhor, sentem-no bem mais próximo delas. Isso que é muito bacana com esse livro, Elvis deixa de ser só um ícone e passa a ser o cara ao lado, um cara que poderia ser qualquer um de nós, ainda que jamais perca o status de ícone. (IS)

Livro

Image-0-Artigo-2346391-1As crônicas de Elvis - Cadillac cor-de-rosa, vol.1

Daniel Frazão

Tinta Negra

2017, 440 páginas

R$ 49,90

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