Projeto

O invisível inventário turístico-cultural

Sem apoio institucional, o programa Fortaleza a Pé, que incentiva a educação patrimonial, completa 23 anos

Projeto Fortaleza a Pé conta com caminhadas e com publicação ( FOTO: JL ROSA )
00:00 · 13.04.2018 por Iracema Sales - Repórter

Fortaleza não conta com inventário turístico-cultural. A informação, em tom de tom de crítica, é de Gérson Linhares, educador, turismólogo e idealizador do programa Fortaleza a Pé, que completa 23 anos nesta sexta (13). Para marcar a criação do passeio, que afirma ser o terceiro mais antigo do Brasil, será lançada 3ª edição do álbum "Fortaleza a Pé que". Assim como o programa, a publicação tem o objetivo de incentivar a educação patrimonial. "Não temos apoio institucional", queixa-se o idealizador do caminhada, que tenta chamar a atenção para a relevância do turismo cultural, que acompanha a educação patrimonial.

A publicação, que vem acompanhada por 72 figuras auto-colantes, será apresentada durante a caminhada, que começa às 8h desta sexta (13), na Praça do Ferreira, terminando no Passeio Público, às 11h. O álbum pode ser adquirido no Theatro José de Alencar, no Museu do Ceará e no Museu do Caju. A cada cinco exemplares vendidos, um será doado para uma escola pública, esclarece Gérson Linhares. Ao longo da trajetória do programa, criado em 13 de abril de 1995, foram doados cerca de 1,5 mil álbuns para escolas públicas, um dos públicos alvos do passeio, que também tem como foco os grupos de terceira idade.

Roteiros

A falta de apoio por parte das instituições públicas, principalmente, as ligadas à promoção do turismo, constitui a principal reivindicação do idealizador do programa, responsável pela elaboração de 30 roteiros diferentes para conhecer o centro histórico de Fortaleza. As pessoas podem escolher entre igrejas, museus ou bairros, apontando como os mais procurados o Benfica, Jacarecanga e Centro. Eles fazem parte dos 15 bairros mapeados pelo "Fortaleza a Pé", que levantou a existência de 65 museus na Cidade.

Gérson Soares reivindica a realização do mapeamento cultural de Fortaleza pelo poder público. "Temos o inventário cultural da Cidade", admite, reiterando que seu objetivo é promover a educação patrimonial, além de incentivar o turismo cultural. "O turista gosta. Estamos tentando estreitar laços com a Prefeitura e o governo do Estado para a criação de parceria a fim de divulgar o patrimônio da Capital", argumenta o turismólogo.

Comemoração

"Todo dia 13 de abril, data do aniversário de Fortaleza, a gente comemora a criação do programa", assinala Gérson Linhares, contabilizando mais de 3,5 mil caminhadas realizadas, envolvendo mais de 150 mil pessoas, sendo 90% cearenses. Baseados em pesquisa e contando com equipe multidisciplinar, os passeios são realizados todos os dias, bastando formar um grupo de 20 pessoas, custando R$ 5,00 cada ingresso. Idosos e alunos de escola pública são isentos da taxa.

As caminhadas com alunos de escolas públicas acontecem todos os sábados, com saídas das Praça do Ferreira, às 13h. O programa contempla também cidades do Interior do Ceará. Gérson Linhares alerta sobre a importância do patrimônio cultural na formação educacional e da própria identidade das pessoas. Entretanto, muitos desconhecem, sendo mais grave a situação entre jovens e crianças.

"Desejamos apenas uma oportunidade para ampliar as nossas ações, que não encontram eco nos órgãos públicos pertinentes, ou seja, cultura, turismo e educação. Lamentável não ter apoio público", observa. O programa conta com apoio da Organização Não-Governamental (ONG) Caminhos de Iracema.

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