Homenagem

O gênio em letra e música

Fernanda Cunha celebra os 90 anos de Tom Jobim, cantando 10 composições em que ele assina letra e música

00:00 · 22.02.2017 por Felipe Gurgel - Repórter
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A mineira Fernanda Cunha celebra a obra do maestro da MPB, cantando seus lados B

No dia 25 de janeiro, Tom Jobim teria feito 90 anos de idade. O ícone da MPB, falecido há 22 anos, teve sua memória celebrada, desta vez, por uma variedade de lançamentos de intérpretes de sua obra. Ainda em dezembro de 2016, a cantora portuguesa Carminho lançou seu "Carminho canta Tom Jobim", com assinatura do herdeiro Paulo Jobim na produção e direção musical, além da chancela da gravadora Biscoito Fino.

Da mineira Fernanda Cunha (46), Tom recebe a homenagem através de "Jobim 90", reunião de 10 canções em que o "maestro soberano" tanto escreveu a letra, como compôs a música. De clássicos como "Águas de Março" e "Triste" a composições menos conhecidas de Tom, a exemplo de "Two kites", "Ana Luiza" e "Angela", o álbum começou a ser gestado quando a cantora decidiu revisitar roteiros de shows antigos e se deparou com parte desse repertório. É o sétimo disco de sua carreira e está disponível em www.Fernandacunha.Com.

Para marcar os 80 anos de Tom Jobim, ela tinha lançado "Zíngaro" (2007), disco com a interpretação de todas as 10 composições feitas entre o maestro e Chico Buarque. Além deste trabalho, Fernanda Cunha interpretou Tom no álbum "Coração do Brasil" (2012), cantando "Eu preciso de você" e "Dindi".

Em entrevista por telefone, a intérprete observa que Tom Jobim é celebrado pela sua genialidade como músico, mas a faceta do letrista nem sempre é inclusa nessa percepção. "'Águas de março' é um exemplo dessa qualidade dele como letrista também", pontua ela.

Lado B

Das 10 faixas, duas estão dentro de uma "série" de dedicada às mulheres. "Luiza", por exemplo, virou um clássico da MPB. Em "Jobim 90", Fernanda traz "Ana Luiza" e "Angela". Ela comenta sobre as musas do compositor. "(No repertório dele) você tem umas oito, 10 mulheres. Parece que Angela era a Ana Beatriz Lontra, com quem ele casou depois. Mas como ele estava no fim do casamento, colocou um nome fictício (risos)", detalha.

Escolher essas músicas "lado B", da obra de Tom, foi um modo de "Jobim 90" se diferenciar de outros projetos de releitura desse repertório clássico. E, colocando seus setes discos gravados em perspectiva, Fernanda comenta que "todos têm um pouco" desse apelo lado B. Ela observa que também é papel do compositor garimpar essas canções que passaram batido e reapresentá-las ao público.

"Até no disco que fiz sobre a parceria de Tom e Chico, gravei 'Meninos eu vi', que só entrou na trilha de um filme ('Para viver um grande amor', de Miguel Faria Jr., 1983). No meu disco de 2004 ('Dois Corações'), gravei muita coisa 'lado B' também", situa Fernanda Cunha.

Influências

Fernanda evoca o "lado B" para pontuar o nome de compositores que transformaram sua trajetória. Além de Tom, que ela chama de "gênio" ("e a gente só fabrica gênios de 100 em 100 anos", enfatiza), a cantora destaca Johnny Alf (1929-2010), um dos pioneiros da bossa nova. Recorda que "Rapaz de Bem", de 1953, foi um dos pilares do gênero e que nem sempre o compositor é reconhecido neste papel, à revelia de João Gilberto, Roberto Menescal, entre outros.

"Sou super fã do Ivan Lins, gravei ele no meu primeiro CD ('O tempo e o lugar', 2002). Djavan, eu acho um máximo. E a própria Sueli Costa (também tia dela), que acho que, entre as mulheres, é uma grande compositora", elege.

Filha da cantora Telma Costa (1953-1989), Fernanda não lembra da primeira vez que ouviu Tom Jobim. "Era algo que nem tomar leite, vinha na chupeta (risos)", brinca. A cantora recorda que conheceu o maestro pessoalmente quando ainda era "muito pequenininha" e que, contava sua mãe, "com três anos, eu já cantava a letra inteirinha de 'Águas de Março'".

Disco

Jobim 90

Fernanda Cunha

Independente

2017, 10 faixas

R$ 25

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