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O Carnaval de Pixinguinha

Projeto que resgata arranjos do autor de "Carinhoso" estreia na terça (13), na Arena do Dragão do Mar

Pixinguinha, considerado um dos responsáveis pela consolidação do choro, primeiro ritmo urbano criado no Brasil. IMS cuida do acervo do artista
00:00 · 10.02.2018 por Iracema Sales - Repórter

Um trabalho de resgate que tem o objetivo de desvendar a fase de arranjador de um dos mais importantes nomes da música brasileira, o carioca Alfredo da Rocha Vianna Filho, conhecido como Pixinguinha (1897- 1973). O resultado está materializado no show "O Carnaval de Pixinguinha", que será apresentado pela Orquestra Popular do Nordeste e Choro Grande Banda, na terça-feira (13), a partir das 17h, na Arena do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC).

Com estimativa de duração de duas horas, a empreitada reúne 13 instrumentistas, com participação do cantor Paulo Belim. Juntos, eles prometem recriar a atmosfera dos antigos carnavais, em especial os animados com canções da chamada fase de ouro da música popular brasileira. Só que nessa festa todas as canções têm os arranjos assinados pelo gênio carioca Pixinguinha.

O músico e diretor da Orquestra Popular do Nordeste, Pedro Madeira, destaca a recuperação das partituras dos arranjos. Todas as músicas foram gravadas entre as décadas de 1920 e 1930 e integram as 22 composições a serem apresentadas no show. O ponto de partida foi a pesquisa realizada pelo Instituto Moreira Salles, que detém o acervo de Pixinguinha.

A atividade minuciosa de recuperação resultou na caixa contendo partituras assinadas pelo músico, denominado "O Carnaval de Pixinguinha". O show é inspirado na publicação.

A coordenação é de Pedro Madeira e do professor Pablo Garcia, que juntaram os grupos Orquestra Popular do Nordeste e Choro Grande Banda, formado a partir do antigo grupo de choro da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Pioneiro

A grande contribuição de Pixinguinha - compositor, maestro, instrumentista e arranjador - para a música brasileira começou no início do século XX, tendo como um dos principais feitos a formatação do choro. O gênero é considerado o primeiro ritmo urbano criado no Brasil, servindo de alicerce para a música popular brasileira.

Pedro Madeira chama atenção para a versatilidade do criador da valsa "Rosa" e do choro "Um a zero", que durante as décadas de 1930 e 1940 assinou arranjos para cantores como Sílvio Caldas, Carmen Miranda, Francisco Alves, Aracy de Almeida e Orlando Silva. "Pixinguinha era conhecido como compositor e não como arranjador", assinala o músico, informando que ele tocou em orquestras populares que existiam nas rádios.

À época, as rádios contavam com orquestras para os programas de auditório, onde foram revelados grandes nomes da música brasileira - entre eles a cantora Elza Soares. O show "O Carnaval de Pixinguinha" apresentará 22 arranjos concebidos nos anos 1950 e reunidos parcialmente nos discos "Carnaval da Velha Guarda" e "Assim é que é?".

No roteiro, sambas, polcas e maxixes, com destaque para os arranjos revisados e adaptados com minúcia, servindo para mostrar mais uma fase da trajetória musical de Pixinguinha: a de arranjador.

"Será a estreia do projeto", assinala Pedro, que planeja realizar outras apresentações, embora não tenha data definida. O músico explica que coube ao Instituto Moreira Salles a recuperação das partituras criadas pelo mestre do choro brasileiro. O disco com as gravações das músicas com os arranjos originais é acompanhado por um livro. Pixinguinha integrou uma das primeiras orquestras populares do País, afirma Pedro Madeira.

O show mostra a vertente carnavalesca do músico que, durante mais de três décadas tocou flauta. Na segunda metade dos anos 1940, troca o instrumento com o qual iniciou sua carreira, em 1910, pelo saxofone. É quando começa a célebre parceria com o flautista Benedito Lacerda.

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