Cinema

Na caçada de 007

Criado há 65 anos por Ian Fleming, universo cinematográfico de James Bond é destaque no Cineteatro São Luiz

Sean Connery, Daniel Craig e e Pierce Brosnan em três momentos do herói nas telonas
00:00 · 17.04.2018 por Antonio Laudenir - Repórter

Os estilhaços da guerra nem sempre se restringem ao campo de batalha. Nos bastidores de um conflito, interesses e manobras políticas são arquitetadas e executadas muitas vezes por seres totalmente anônimos.

Conhecidos como agentes secretos ou espiões, o universo marginal destas figuras segue como assunto fértil ao terreno da ficção. Porém, das incursões deste tema nas artes, nenhuma outra manifestação é dotada de tanto apelo popular como James Bond.

O personagem completou exatos 65 anos de criação na última sexta-feira (13). A data remonta diretamente ao lançamento no Reino Unido de "Casino Royale", primeiro romance do herói imaginado por Ian Fleming (1908-1964). Ao longo das décadas, as aventuras de 007 saíram das páginas dos livros e seguem firmes até hoje na sétima arte. Parte dessa magia nas telonas é o alvo da Mostra "Bond, James Bond", em cartaz a partir de hoje, 16h, no Cineteatro São Luiz.

Ao todo, 14 filmes da franquia serão exibidos gratuitamente no equipamento localizado na Praça do Ferreira. Até 21 de abril, o público pode testemunhar as diferentes versões do agente ao longo dos anos. Uma oportunidade de adentrar os muitos aspectos da relevância cultural do homem que possui licença para matar.

Os livros de Fleming foram o estopim de uma milionária franquia que atingiu a marca de 24 filmes produzidos até então. Esse imaginário repleto de ação e suspense, rodeado de apetrechos tecnológicos e perigos em escala global iniciou em 1962, com "O Satânico Dr. No". É justamente esta produção que inaugura a mostra nesta terça.

Obedecendo uma organização cronológica, a seleção prossegue com "Moscou contra 007" (1963), "007 contra Goldfinger" (1964), "007 - A Serviço Secreto de sua Majestade" (1969), "Com 007 Viva e Deixe Morrer" (1973), "007 - O espião que me amava" (1977), "007 - Marcado para a Morte" (1987), "007 - Permissão para matar" (1989), "007 Contra Goldeneye" (1995), "O Amanhã nunca Morre" (1998), "007 - Cassino Royale" (2006), "007 - Quantum of Solace" (2008), "007 - Operação Skyfall" (2012) e "007 - 007 Contra Spectre" (2015).

Um dos desafios da Mostra "Bond, James Bond" foi contemplar todas as faces que o herói ganhou ao longo de mais de 50 anos em Hollywood. Do primeiro, vivido por Sean Connery ao atual Daniel Craig, passando por Roger Moore (1927-2017), Timothy Dalton, Pierce Brosnan e até George Lazenby, que interpretou 007 apenas uma única vez, no caso, em "A Serviço Secreto de sua Majestade" (1969).

Capaz de espelhar o momento político, social e cultural onde foram produzidos, cada filme foi responsável por posicionar James Bond como um dos personagens mais rentáveis da indústria cinematográfica. Seja atravessando temas como Guerra Fria, contracultura, armamentismo, sexo e violência, o fictício soldado do serviço de espionagem britânico MI-6 mantêm imbatível relevância.

Origens

As bases desse fascínio devem-se imediatamente a um ex-comandante do Serviço de Inteligência da Marinha Real Britânica. Em 1946, recém-desligado de suas funções, Fleming decidiu construir uma casa em Oracabessa, paraíso litorâneo perdido no norte da Jamaica.

O autor conheceu a ilha durante a Segunda Guerra, instante onde foi designado para espionar a suposta presença de submarinos alemães no Mar do Caribe. Naquele cenário, o inglês escreveu os contos e romances que fizeram de James Bond o mais famoso agente secreto da literatura universal.

Bond, em certa medida, representa as experiências de Fleming no fronte de batalha e a personalidade do sedutor agente simboliza o amálgama de diferentes indivíduos que o autor conheceu no âmbito militar. Fã de jogos de azar, bebidas e carros velozes, o escritor também temperou seu personagem com muitos elementos do próprio cotidiano.

Segundo dados do site James Bond Brasil, a primeira edição de "Casino Royale teve tiragem de 4.728 exemplares e toda a carga se esgotou em apenas um mês. Inspirado pelo bom momento, Fleming publicou um novo livro do personagem por ano, até a sua morte em 1964. Ao todo, 12 romances e duas coleções de contos foram publicados entre 1953 e 1966, com os dois últimos "The Man with the Golden Gun" e "Octopussy and The Living Daylights" sendo publicados apenas postumamente.

É justamente neste primeiro trabalho que a clássica frase "Bond?James Bond" é pronunciada. Outra marca do agente, o drink de Martini é citado na obra sob o codinome de "Vesper", uma homenagem à primeira Bond Girl, Vesper Lynd. Outro enredo necessário é evidenciado no livro, que destaca como Bond ganhou o status de "duplo-zero" que caracteriza sua licença para matar qualquer um.

Em terras ianques, "Casino Royale" pousou em março do ano seguinte e contou com tiragem inicial de quatro mil exemplares. Sem a mesma força editorial vista no mercado inglês, o livro foi republicado em 1955 com o título "You Asked For It". A coisa não para por aí. Outra história bizarra, digna de ter sido imaginada por algum dos icônicos vilões da franquia fez com que o apelido James Bond fosse trocado por "Jimmy Bond" nos Estados Unidos.

Perigos

Para adentrar uma exótica aventura que envolve uma disputa de Baccarat contra o perigoso Le Chiffre, em um Cassino da cidade fictícia de Les-Eaux, no norte da França, James Bond se disfarça como um ricaço jamaicano.

Reunindo espionagem, tortura e situações extremas ao lado de belas companheiras, 007 aprendeu a mais dolorosa lição da vida: confie muito pouco nas aparências.

A obra, em certa medida, inaugura o legado de James Bond para além dos livros de bolso. Em 1954, um especial lançado para a TV americana trouxe o ator Barry Nelson (1917-2007) no papel de Jimmy Bond. Já consolidado na série de filmes com Sean Connery, Bond (e Cassino Royale) se encontrariam novamente em 1967, na comédia homônima estrelada por David Niven (1910-1983). Na produção, o agente também seria encarnado por Peter Sellers (1925-1980) e até Woody Allen que deu as caras como "Jimmy Bond", sobrinho do espião no filme. Ambas estas produções não pertencem à franquia oficial. Ainda segundo o site "James Bond Brasil", os romances de Ian Fleming já venderam mais de 60 milhões de cópias no mundo inteiro.

Programação

17/04 (Terça-feira)

16h - "007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO" (1962)

19h - "Moscou contra 007" (1963)

18/04 (Quarta-feira)

13h30 - "007 contra Goldfinger" (1964)

16h - "007 - A Serviço Secreto de sua Majestade" (1969)

19h - "Com 007 Viva e Deixe Morrer" (1973)

19/04 (Quinta-feira)

16h - "007 - O espião que me amava" (1977)

19h - "007 - Marcado para a Morte" (1987).

20/04 (Sexta-feira)

14h "007 - Permissão para matar" (1989)

16h50 "007 Contra Goldeneye" (1995)

19h30 - "O Amanhã nunca Morre" (1998)

21/04 (Sábado)

9h - "007 - Cassino Royale" (2006) 13h10 - "007 - Quantum of Solace" (2008)

15h40 - "007 - Operação Skyfall" (2012)

18h30 - "007 - 007 Contra Spectre" (2015)

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