Show

Músicos de família

Caetano Veloso e os filhos Moreno, Zeca e Tom apresentam show em Fortaleza nesta quinta-feira (11). Ingressos para o Teatro RioMar estão esgotados desde dezembro

00:00 · 10.01.2018 por Roberta Souza - Repórter
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Da esquerda para a direita: Zeca, Tom e Moreno Veloso, junto ao pai-ícone, Caetano

Todo homem precisa de uma mãe - é o que canta Zeca Veloso na primeira música de trabalho do álbum "Ofertório", a ser lançado neste ano, numa parceria de Caetano com os filhos (além de Zeca, Moreno e Tom). A afirmação dialoga com o texto do pai, publicado por ocasião da turnê que os quatro iniciaram em outubro de 2017 e que trazem para Fortaleza nesta quinta-feira (11), em apresentação única no Teatro RioMar.

"Creio que não somos uma família de músicos, como há tantas, dado o caráter comprovadamente genético do talento musical, mas seguramente somos músicos de família. Os shows são dedicados às mães deles, a Cézar Mendes e à memória de minha mãe", pontua Caetano no referido texto.

Com um som "mais para o acústico e muito singelo", o show é também, essencialmente, sobre paternidade. "É um show familiar, nascido da minha vontade de ser feliz. Ter filhos foi a coisa mais importante da minha vida adulta", revela o baiano de 75 anos, acompanhado da escadinha de Moreno (44), Zeca (25) e Tom (20). Com trajetórias distintas, no palco eles convergem para um mesmo sentimento. É que desde as cantigas de ninar até os caminhos que cada um seguiu, a música sempre desempenhou papel fundamental na vida da família Veloso.

Moreno gravou seu primeiro disco, "Máquina de Escrever Música", em 2000. Já compôs para artistas como Adriana Calcanhotto e Roberta Sá e integrou o grupo +2, com Domenico Lancelotti e Alexandre Kassin. Zeca começou a compor solitariamente, é o estreante do grupo. Tom é o principal compositor da banda Dônica, influenciada pelo rock progressivo dos anos 70 e pela música experimental. Já Caetano dispensa apresentações. Vale ressaltar, porém, que seu último disco de estúdio é "Abraçaço", de 2012, e a parceria com os filhos renova as composições do cantor.

"Há muito tempo tenho vontade de fazer música junto a meus filhos publicamente. Desde a infância de cada um deles gosto de ficar perto. Cada um é um. Sempre cantei para eles dormirem. Moreno e Zeca gostavam. Tom me pedia pra parar de cantar", conta Caetano em seu texto. "Quero cantar com eles pelo que isso representa de celebração e alegria, sem dar importância ao sentido social da herança. É algo além até mesmo do 'nepotismo do bem', na expressão criada por Nelson Motta", afirma.

Canções

No show que já passou por cidades como Rio, São Paulo e Belo Horizonte, e, na última terça-feira (9), também por Recife, Caetano só toca violão. Os filhos revezam alguns instrumentos. Nas primeiras conversas, eles até imaginaram chamar um pequeno grupo de músicos para enriquecerem os arranjos, mas, ensaiando, decidiram ficar só os quatro.

O repertório lembra desde as "cantigas de ninar" que o pai cantava para os meninos até outras clássicas difundidas mundo afora pelo ícone da Tropicália. Músicas inéditas também compõem o espetáculo. "Apresentaremos algumas dessas coisas que cresceram em nós, de nós. E canções minhas escolhidas por eles. O Leãozinho, que os filhos de tanta gente pedem, os meus não deixaram de pedir. E coisas como Reconvexo têm de estar ali confirmando a linhagem. Há clássicos de Moreno e canções novas de todos (inclusive minhas)", detalha Caetano no material de divulgação.

O pai já havia feito, há alguns anos, um show com Moreno - que declara ter sido uma das melhores coisas ocorridas em sua vida. Assim, nessa turnê, eles voltam a certas canções "impossíveis de serem descartadas", como "Um canto de afoxé para o bloco do Ilê" ou "Todo Homem".

"Moreno tem uma linha criativa extremamente refinada. Os trabalhos com o grupo +2 são marca profunda e duradoura da sua geração. Seu disco individual é um dos mais belos exemplos de delicadeza da história da canção brasileira", reconhece Caetano.

Sobre Tom, integrante da banda Dônica, o pai defende que ele é, dos quatro, "o mais naturalmente dotado para as relações entre as alturas, os tempos e todos os signos musicais". Já Zeca tem uma relação de discípulo com Cézar Mendes, e, nesse show, atende a um pedido de Djavan para inclusão de uma música autoral no repertório.

Caetano confessa que entrou como letrista numa das canções que Zeca fez com Cézar. Agora, na preparação desse novo show, fez letra para uma música só do filho.

"O que aprendi com o nascimento de Moreno - e se confirmou com as chegadas de Zeca e Tom - não tem nome e não tem preço. Mas nosso show também tem a responsabilidade de apresentar números com qualidade profissional", reconhece Caetano. O concerto "Caetano Moreno Zeca Tom Veloso" foi gravado ao vivo, em outubro de 2017, no Theatro Net São Paulo, e será lançado em CD, DVD e álbum digital em março de 2018, sob o título de "Ofertório".

Antes disso, é nossa vez de caetanear, ou melhor, velosear. Quem não conseguiu adquirir ingresso - já que eles se esgotaram na tarde do dia 30 de dezembro - ainda pode tentar a sorte nas compras e vendas anunciadas na página do evento no Facebook.

Mais informações:

Caetano Moreno Zeca Tom Veloso. Nesta quinta (11), às 21h, no Teatro RioMar Fortaleza (R. Des. Lauro Nogueira, 1500, Papicu - Shopping RioMar Fortaleza, Piso L3). Ingressos esgotados.

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