produção autoral

Música sem arrodeios

Cantora e compositora Delia Fischer (RJ) investe no formato single e adianta detalhes de seu próximo álbum

00:00 · 10.09.2018 por Felipe Gurgel - Repórter
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Delia Fischer, com o produtor Pedro Guedes e o compositor Marclos Valle: a parceria rendeu o single "Garra", que estará no novo álbum da artista

Em tempos de plataformas digitais, o mais comum para o músico sobreviver no mercado é ter de se desdobrar em várias funções (musicista, produtor, professor,...). A cantora e compositora Delia Fischer (RJ) fez esse caminho ao longo de mais de 30 anos de carreira e, após reunir uma bagagem versátil, ela agora assume uma disposição minimalista e se foca na sua produção autoral.

Integrante do Duo Fênix (conhecido na cena instrumental brasileira no final da década de 1980), Delia lança o primeiro single de seu novo álbum (ainda inédito). "Samba Mínimo" está disponível nas plataformas digitais e teve um clipe lançado no You Tube.

Em entrevista por telefone, ela situa que o clipe foi gravado durante o último Carnaval no Rio de Janeiro e, ao contrário do estereótipo carnavalesco, traz uma atmosfera mais "delicada, emotiva, sem nada de exacerbação, nem sensualidade exagerada". Delia conta que tem se surpreendido com a receptividade do público sobre o clipe e adianta detalhes a respeito do próximo single.

O single de "Garra", uma composição de Marcos Valle, será lançado ainda neste mês, também com videoclipe. "É uma produção diferente do 'Samba Mínimo', porque foi feita por mim (risos). Fui captando imagens dos músicos, do produtor, durante a gravação, e passei para um parceiro que criou umas animações", detalha.

A cantora e compositora pontua que a ideia é homenagear Marcos Valle e mostrar a amplitude das composições do parceiro. "Ele é um compositor muito eclético, mas nem sempre é lembrado dessa forma", pondera.

O álbum inteiro deve ser lançado no começo de 2019. Délia adotou a estratégia de soltar alguns singles nas plataformas digitais, antes de disponibilizar o repertório completo.

"Uma música hoje roda mais que o álbum, e o formato do álbum ainda funciona pra mim, mas (para o público em geral) é um pouco anacrônico. As pessoas não têm tempo de ouvir um disco inteiro", observa.

Concepção

Délia percebe que a concepção minimalista de seu novo repertório (explícita no nome do single, "Samba Mínimo") não deixa de ser uma leitura, feita pelos próprios artistas no atual cenário da MPB, em relação à profusão de conteúdos disponibilizada nas plataformas digitais a cada semana.

"Acho que hoje existe essa necessidade (de uma produção minimalista), porque a arte é pendular. Em um momento, no passado, a cultura artística ficou muito rococó, cheia de ornamentos. Mas gente está num momento de muita produção. Sou uma pessoa interessada nas novidades, mas não consigo acompanhar", percebe Delia.

Ela conta que, no caso dela, "o minimalismo artístico hoje em dia é um 'papo reto', de não querer envolver (o público) com um monte de histórias. É uma necessidade, um caminho meio sem volta, porque o mundo mudou muito. E nossa antena de criação também é fruto de tudo que se vê, se ouve", identifica.

Proximidade

Delia recapitula que, em maio passado, durante sua última apresentação em Fortaleza (no Teatro Celina Queiroz, da Universidade de Fortaleza), já tinha preparado um repertório em formato mais cru. Dessa forma, ela conta como se sentiu mais próxima do público. "Foi bem diferente do que costumo fazer. E a sensação era de 'olha, fiz uma música, deixa eu mostrar pra vocês'", detalha a compositora.

Ela recorda como iniciou a carreira ligada à orquestração, à "música séria", e demorou mais tempo para começar a cantar, fazer letra, compor. Hoje, Délia Fischer enfatiza que fazer música, para ela, não diz respeito a agradar uma classe musical, e sim envolver o público em geral.

Duo Fênix

O início de carreira de Délia Fischer, com o Duo Fênix (ao lado de Claudio Dauelsberg), sempre é lembrado dentre os textos de divulgação e matérias de imprensa a respeito dela. Ela lembra que, com 20 e poucos anos de idade, tinha o ímpeto de "criar algo novo, diferente" e foi assim que o duo ganhou reputação dentro e fora do País.

"Nos anos 80, era muito fora de esquadro mexer com instrumental e música eletrônica (no Brasil), e foi o que estava na nossa frente", observa.

Délia avalia que o apelo do primeiro disco (homônimo, 1988) e uma "química verdadeira" eram trunfos para o sucesso do grupo. "Outro dia peguei uns VHS da gente e mandei digitalizar tudo. Foi importante. Cada trabalho que faço, a gente aprende o tempo inteiro", reflete ela.

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